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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Curitibano faz pouco exercício físico, mas está satisfeito com o seu corpo



Gazeta do Povo
Daniel Castellano/ Gazeta do Povo / Adilson Pagan, professor de ioga, defende um estilo de vida saudável, com muita água e uma respiração corretaAdilson Pagan, professor de ioga, defende um estilo de vida saudável, com muita água e uma respiração correta
PESQUISA

A boa forma física é vista por 62% dos entrevistados como um fator indispensável para a saúde.

Modéstia à parte, o morador de Curitiba considera que está na medida certa e, portanto, não tem queixas do seu corpo. Foi o que demonstrou um levantamento do Instituto Paraná Pesquisas feito na capital no final de abril com 450 entrevistados maiores de 16 anos. A pesquisa revelou, no entanto, hábitos preocupantes: 52% não fazem exercícios físicos e 46% não consomem frutas diariamente.
Segundo a pesquisa, 71% dos moradores da capital estão satisfeitos com o próprio corpo e apenas 20% admitem almejar alguma mudança, mas 42% confirmam estar um pouco acima do peso ou até mesmo obesos. A boa forma física é vista por 62% dos entrevistados como um fator indispensável para a saúde, no entanto, apenas 33% deles confirmam praticar algum exercício regularmente.
Mexa-se
Serviço público oferece programas e academias
Quem quer emagrecer com saúde ou precisa perder quilos por orientação médica encontra algumas alternativas no serviço público. O Ministério da Saúde lançou há um ano o programa Academias da Saúde e há propostas em execução no Paraná. A Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba também dispõe de um programa de prevenção e de reeducação alimentar.
Como a obesidade e o sedentarismo estão entre os fatores de risco para a ocorrência de doenças crônicas não transmissíveis – como o diabetes e a hipertensão –, que são responsáveis por 72% das mortes no Brasil, o governo federal lançou no ano passado o Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas não Transmissíveis no Brasil. O plano inclui um pacote com políticas públicas a serem desenvolvidas até 2022.
Entre as medidas está a criação de Academias da Saúde, que são espaços próprios para a prática de exercícios, orientação nutricional, dança e teatro. A assessoria de imprensa do Ministério da Saúde explicou que 153 projetos já foram aprovados no Paraná. Por enquanto nenhum está em atividade.
Reeducação
Em Curitiba, os postos de saúde têm grupos de reeducação alimentar para pessoas com sobrepeso ou obesidade. Os grupos fazem parte dos Núcleos de Apoio em Atenção Primária à Saúde, que foram criados em 2009. Eles compreendem atividades de prevenção e de tratamento.
A coordenadora dá área, a nutricionista Ângela Lucas de Oliveira, explica que os grupos são divididos em faixas etárias e recebem a orientação de equipes multidisciplinares que contam com nutricionistas, profissionais de Educação Física, psicólogos, fisioterapeutas e farmacêuticos. Aproximadamente 2,3 mil pessoas já passaram pelo programa.
O que fazer?
Conheça algumas sugestões que podem ser praticadas no dia a dia.
- Hidratação: Beba muita água.
- Fibras: Coma pelo menos três frutas diferentes por dia.
- Na hora de comer: Ao fazer o prato siga duas orientações: divida o tamanho do prato em três partes, sendo duas partes menores e uma parte maior. Na maior coloque só verduras e legumes e nas menores coloque carne ou ovo e feijão, arroz ou massa. Tenha um prato colorido: com no mínimo cinco cores diferentes de alimentos.
- Exercício: Pratique por dia pelo menos 30 minutos de exercícios moderados ou 15 minutos de exercício intenso, como uma corrida. Mas antes consulte-se com um médico e faça uma avaliação prévia.
- Caminhada: Se não conseguir praticar exercícios regularmente, aumente a atividade física habitual, ou seja, se dedique mais aos trabalhos domésticos, suba mais um lance de escada, desça um ponto de ônibus antes, estacione o carro mais longe do destino e brinque com os filhos.
- Academia: Se for frequentar uma academia, procure uma mais perto de sua casa e, nos dias de muito frio, prefira horários alternativos à manhã.
Entre os motivos que levam os moradores de Curitiba a não adotarem hábitos que melhorem sua saúde física estão, principalmente, a falta de tempo. Mas a preguiça e a escassez de dinheiro vêm em seguida no rol das justificativas. Somente 11% dos entrevistados não pretendem mudar seu estilo de vida.
Apesar da boa auto-imagem do curitibano demonstrada pelo levantamento, a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) do Ministério da Saúde constatou, em 2011, que em Curitiba 50% dos pesquisados estão acima do peso, ou seja, com Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 25, o que coloca o município como a oitava capital brasileira com maior porcentual de moradores acima do peso. O IMC é calculado pela divisão do peso do indivíduo pela sua altura ao quadrado.
Exemplo
O professor de ioga Adilson Pagan é vegetariano e praticante da ioga há 30 anos. Ele defende um estilo de vida saudável em meio à correria do cotidiano, o consumo abundante de água e uma respiração correta para manter uma vida saudável. “Eu acredito que a saúde depende muito do equilíbrio físico, mental e espiritual. Neste sentido, eu sinto que muitas pessoas estão desequilibradas”, aponta.
Desde os 17 anos Adilson aboliu a carne do seu cardápio e sente-se mais tranquilo e, ao mesmo tempo, animado para as atividades do cotidiano. Na ioga, ele encontrou a solução para os músculos. “A atividade física é de fundamental importância, mas é necessário trabalhar força, equilíbrio e flexibilidade. As pessoas procuram muito as academias em busca de força, mas só ela não é suficiente.”
Hábitos ainda precisam melhorar
A prática diária de exercícios e o consumo de uma dieta equilibrada são os ideais defendidos por um educador físico e uma nutricionista ouvidos pela reportagem. Para eles, o curitibano ainda precisa melhorar seus hábitos para ter mais qualidade de vida.
Conforme o Instituto Paraná Pesquisas, 52% dos entrevistados não fazem exercícios físicos, 46% não comem frutas diariamente e 34% não incluem verduras e legumes na alimentação diária.
O coordenador do depar­tamento de Esportes da Pon­tifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Luiz Car­los Py Flores, lembra que as porcentagens são preocupantes ao considerar que a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) do Ministério da Saúde levantou que 50% dos moradores de Curitiba estão com sobrepeso.
Para a nutricionista clínica do Conselho Regional de Nutricionistas Eda Maria Arruda Scur, é preciso ainda avaliar a qualidade do consumo de frutas e de hortaliças. “A pessoa pode comer uma folha de alface e uma fatia de tomate por dia e dizer que consome salada todos os dias.”
Barreiras
Flores é membro do Grupo de Pesquisa em Atividade Física e Qualidade de Vida da PUCPR e diz que sete barreiras foram identificadas para favorecer o sedentarismo: o clima, a falta de segurança, a precariedade do entorno onde se pratica o exercício, a distância da academia ou do clube em relação à residência, a falta de tempo, a falta de dinheiro e, por último, o suporte social, que é a desmotivação de parentes e amigos. As barreiras, no entanto, podem ser vencidas.
“Se a pessoa tiver que pegar o carro e atravessar a cidade para ir a uma academia, por exemplo, ela vai desistir com o tempo. Por isso, é importante escolher algo perto de casa. É importante ela chamar um familiar ou um amigo para fazer o exercício, porque aí um ajuda o outro. Muitas pessoas usam a falta de tempo como desculpa, mas às vezes, passam horas em frente a um computador nas redes sociais”, comenta.
Eda lembra que é preciso livrar-se da tentação dos regimes milagrosos. “Eles podem até ajudar, mas sozinhos não mudam nada, é preciso ter uma alimentação bem equilibrada. O emagrecimento tem que ser saudável”, afirma.

Dia Nacional da Matemática



O Dia Nacional da Matemática é comemorado em 6 de maio, de acordo com Lei aprovada pelo congresso Nacional em 2004, de autoria da Deputada Professora Raquel Teixeira. A escolha desse dia tem como motivação a data de nascimento do professor Julio César de Mello e Souza, mais conhecido como Malba Tahan.

Malba Tahan  era o pseudônimo do professor de matemática Julio César de Mello e Souza, nascido no Rio de Janeiro no dia 6 de maio há 110 anos. Ele é o autor de um dos maiores sucessos literários de nosso país, o romance O Homem que Calculava, já traduzido em doze idiomas. 

Embora tenha publicado ao longo de sua vida cerca de 120 livros sobre Matemática Recreativa, Didática da Matemática, História da Matemática e Literatura Infanto-juvenil, atingindo tiragem de mais de dois milhões de exemplares, pouca gente sabe que ele era brasileiro.

Devemos aproveitar essa data para divulgar a Matemática como parte do patrimônio cultural da humanidade mostrando que a Matemática foi criada e vem sendo desenvolvida pelo homem em função de necessidades sociais. Devemos, nessa oportunidade, divulgar a Matemática como área do conhecimento humano, sua história, suas aplicações no mundo contemporâneo, sua ligação com outras áreas do conhecimento e, principalmente, buscar derrubar mitos de que a matemática é muito difícil sendo acessível apenas aos "talentosos". Precisamos erradicar a idéia de que a Matemática é um "bicho-papão", uma disciplina sem vida que só exige dos alunos memorização de fórmulas e treinamento. 

Trabalhando as obras de Malba Tahan  é possível mostrar aos alunos que a Matemática pode ser uma divertida e desafiante aventura podendo ser trabalhada de forma dinâmica e criativa. 

As revistas Nova Escola - maio de 2005 (Editora Abril), Revista Educação - nº95 / março de 2005 (Editora Segmento) e a Educação Matemática em Revista - nº 16 / 2004 (publicada pela SBEM) trouxeram interessantes reportagens sobre Malba Tahan.

O caso dos camelos

Decifre o problema mais famoso de Malba Tahan, retirado do livro "O Homem que Calculava".
Beremiz, o homem que calculava, estava viajando pelo deserto de carona no camelo de seu amigo. A certa altura, encontraram três irmãos discutindo acaloradamente. Eles não conseguiam chegar a um acordo sobre a divisão de 35 camelos que o pai lhes havia deixado de herança. Segundo o testamento, o filho mais velho deveria receber a metade, ao irmão do meio caberia um terço e o caçula ficaria com a nona parte dos animais. Eles, porém, não sabiam como dividir dessa forma os 35 camelos. A cada nova proposta seguia-se a recusa dos outros dois, pois a metade de 35 é 17 e meio. Em qualquer divisão que se tentasse, surgiam protestos, pois, a terça parte e a nona parte de 35 também não são exatas, e a partilha era paralisada. Como resolver o problema?


"É muito simples", atalhou Beremiz, que dominava muito bem os números. Pedindo emprestado o camelo do amigo, propôs uma divisão dos agora 36 camelos. Sendo assim, o mais velho, que deveria receber 17 e meio, ficou muito satisfeito ao sair da disputa com 18. O filho do meio, que teria direito a pouco mais de 11 camelos, ganhou 12. Por fim, o mais moço em vez de herdar 3 camelos e pouco, ganhou 4. Todos ficaram muito felizes com a divisão. Como a soma 18 + 12 + 4 dá 34, Beremiz e o amigo ficam com dois camelos. Devolvendo o camelo de seu amigo, o homem que calculava ficou com aquele que sobrou. 

Pergunta-se: Como Beremiz resolveu o problema dos irmãos e ainda saiu
ganhando um camelo?

domingo, 6 de maio de 2012

Fora da zona de conforto


Divulgação / Pondé escreveu ensaios para atacar o pensamento comum sobre o politicamente corretoPondé escreveu ensaios para atacar o pensamento comum sobre o politicamente correto
ENSAIOS

Luiz Felipe Pondé desabafa, questiona e ataca os costumes da sociedade civilizada em Guia Politicamente Incorreto da Filosofia.

Defender o (aparentemente) indefensável – ou vice-versa, condenar o aparentemente incondenável – parece ser a predileção dos textos do filósofo pernambucano Luiz Felipe Pondé. Essa predileção lhe rendeu as pechas de polemista e pessimista, não negadas pelo autor de Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, lançado agora pela editora Leya. Pondé volta nesta obra a temas caros à sua linha de pensamento, como os costumes da sociedade civilizada, o feminismo e outros movimentos sustentados pelo que ele chama de “a praga do Politicamente Correto” ou “praga PC”, objeto central de seus pequenos ensaios.
Antes de mais nada, é importante dizer: o título de O Guia Politicamente Incorreto da Filosofia – que segue, segundo a editora Leya, a série de livros “politicamente incorretos” iniciados por Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil e Guia Politicamente Incorreto da História da América Latina, de Leandro Narloch – está, para dizer o mínimo, impreciso. Não é, como o nome pode sugerir, um guia para acompanhar a linha de pensamento de vários filósofos sem a veneração comumente prestada pelos acadêmicos ou uma análise nua e crua de Platão a Sartre, mas sim, ensaios livres, levemente embasados ou corroborados por algumas ideias iluministas, classicistas e contemporâneas, entre outras.
 / Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, Luiz Felipe Pondé. Leya, 224 págs., R$ 39,90. EnsaiosAmpliar imagem
Guia Politicamente Incorreto da Filosofia, Luiz Felipe Pondé. Leya, 224 págs., R$ 39,90. Ensaios
Dessa forma, por exemplo, Pondé usa A República de Platão para defender a ideia de que poucos carregam o mundo nas costas, e a grande maioria serve simplesmente para obedecer – contextualizando assim, a aristocracia baseada em méritos, ou refuta a ideia romântica do selvagem superior por estar em contato pleno com a natureza. Talvez Guia Filosófico do Politicamente Incorreto fosse um título mais acertado, embora perdesse o apelo comercial que a leva dos livros de Narloch confere ao novo volume da “série”.
Mas Pondé não se prende muito a correntes filosóficas. A grande maioria de seus textos é justificada com base na observação e em análises históricas. Atesta, dessa maneira, que o politicamente correto nasceu da nova esquerda norte-americana. Segundo ele, era preciso criar uma ilusão igualitária para suportar a ascensão social dos negros e dos gays, dois grupos influentes a partir da década de 1960. Outros, nem isso. Em seu capítulo, “Viajar Jamais”, o escritor mais faz um desabafo do que uma crítica ou insight sobre a infiltração do “zé povinho” em espaços até então considerados exclusivos, como a Europa e os aeroportos.
De maneira que Guia Politicamente Incorreto da Filosofia é um livro solto e, por isso mesmo, irregular. Indo do mais tradicional ensaio para leigos até o criticismo puro e simples, Pondé acaba por, de certa forma, dinamitar o que seria uma argumentação sólida sobre um assunto que merece ser discutido em favor de um desejo implacável por polemizar sobre tudo. E por mais que o livro mantenha seu tom leve e divertido de ler, perde um pouco da seriedade potencial e necessária ao tema.
Porém, como diz em sua introdução, Pondé quer mesmo é incomodar, tirar da zona de conforto o homem politicamente correto que não questiona a validade de seu pensamento. E isso pode-se dizer que o filósofo alcançou. Cada aspecto do pensamento politicamente correto foi questionado, embora nem sempre da maneira mais completa possível. E ainda que afirme com todas as letras que questionar a igualdade não seja motivo para discriminar, não há de faltar quem o interprete mal para esse mesmo fim. Será esse um risco que o Brasil pode correr?

Universidade multinacional tem até cota para estrangeiros


Na imagem, um grupo de estudantes colombianos com reitor da universidade, Hélgio Trindade. Foto: Divulgação
Na imagem, um grupo de estudantes colombianos com reitor da universidade, Hélgio Trindade
Foto: Divulgação


Aulas ministradas em mais de um idioma e com alunos e professores de diferentes nacionalidades são as principais características de instituições que promovem a integração entre os países da América Latina a partir da educação. É o caso da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), instituto transnacional que busca a convivência multicultural e o desenvolvimento solidário dos países latino-americanos.
Localizada em Foz do Iguaçu (PR), na região Trinacional (fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai), a Unila tem, por determinação, metade do quadro de estudantes formado por brasileiros, com a outra metade sendo preenchida por alunos provenientes das demais nações da América Latina. A mesma regra vale para o corpo docente, selecionado por meio de concurso público e aberto a profissionais estrangeiros.
As aulas na instituição são ministradas em português e espanhol. Para lidar com o bilinguismo, muitos professores frequentam aulas de língua estrangeira oferecidas pela própria universidade. Além disso, a Unila busca valorizar os idiomas indígenas da região. Há atividades curriculares e extracurriculares sobre o guarani, além de projetos que envolvem línguas bolivianas e peruanas.
A questão da integração latino-americana está presente também no conteúdo dos cursos oferecidos pelo instituto. "Há disciplinas voltadas à discussão e reflexão dessa integração, que abrange as mais diversas esferas como economia, sociologia, política, relações externas, cultura e antropologia. Elas ficam agrupadas no que chamamos Módulo Unila, e a proposta é de que as turmas desse módulo sejam compostas por alunos de diferentes cursos, o que ainda não acontece", explica Nilson Araújo de Souza, professor de Ciências Econômicas da Unila.
Criada em janeiro de 2010, a universidade tem cerca de 1,2 mil alunos. Além dos brasileiros, há estudantes da Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador e El Salvador. A Unila disponibiliza 16 cursos, e a meta é que esse número seja ampliado para 30 graduações. Entre os mais procurados, conforme o último processo seletivo, estão Engenharia de Energias Renováveis, Engenharia Civil de Infraestrutura, Relações Internacionais e Integração e Ciências Biológicas - Ecologia e Biodiversidade.
A seleção de alunos brasileiros ocorre a partir da nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o que permite acesso a estudantes de todas as regiões do Brasil. De acordo com levantamento realizado em 2011, há alunos oriundos de 21 estados e do Distrito Federal. No caso de acadêmicos estrangeiros, são firmados acordos com os ministérios de educação nacionais, que ficam responsáveis pelo processo seletivo, obedecendo a critérios como ter idade superior a 18 anos e não ter outras graduações.
Escola virtual para desenvolver economia digital
Além das instituições tradicionais, com aulas presenciais, existem também aquelas que dispõem de cursos on-line igualmente focadas em América-Latina. No final do ano passado, por exemplo, foi lançada a Escola Virtual do Mercosul, uma rede de formação e capacitação virtual sobre temas relacionados à sociedade da informação e comércio eletrônico. O objetivo é desenvolver a economia digital e promover a integração econômica dos países pertencentes ao bloco, mas também entre nações da União Europeia, que apoia a iniciativa. Com aulas ministradas em português e espanhol, os cursos são voltados para micro, pequenos e médio empresários, centros de pesquisas e organizações, dos setores privado e público, e atores da sociedade civil.

sábado, 5 de maio de 2012

As 10 companhias que controlam basicamente tudo o que consumimos

http://www.mdig.com.br/


As 10 companhias que controlam basicamente tudo o que consumimos
O que ridiculamente nos vendem como um exercício existencial de livre arbítrio, dentro do qual temos a radiante autonomia para decidir se vamos lavar nosso cabelo com um produto da L'Oreal ou com um da Pantene, se vamos começar nosso dia com bolachas da Nestlé ou com sucrilhos da Kelloggs, ou inclusive para escolher se vamos celebrar nossa decadência gastronômica com uma pizza ao final do dia, na verdade é que esta virtual liberdade está delimitada à colossal gama de produtos que derramam no mercado apenas dez grandes companhias.


As 10 companhias que controlam basicamente tudo o que consumimos

Vivemos em uma época na qual é quase possível definir nossa identidade a partir dos produtos que consumimos. No entanto e de acordo com o parágrafo anterior, há dois fenômenos particularmente significativos na construção da sociedade contemporânea. Por um lado o fato de que o mercado, ou melhor dito a mercadotecnia, conseguiu penetrar no grau mais íntimo de nossa existência, o da auto-percepção. Que a maioria das pessoas, de forma consciente ou inconsciente, assuma como principal diferenciador o grupo de objetos que nos rodeia e em conseqüência das marcas que respaldam estes produtos, nos indica que no momento de perceber nossa própria identidade, dificilmente desassociamos nossa vida de nossos hábitos de consumo.

O seguinte fenômeno refere-se a esta liberdade simulada que nos sugerem as grandes corporações, um cenário repleto de logotipos, paletas de cores, slogans, e construções coletivas em torno das marcas. E se analisarmos objetivamente, não só não estamos gozando de uma liberdade -pois a margem de uma identidade social para além do que consumimos é mínima- senão que nem sequer existe uma diversidade real, pois aquelas pequenas marcas que pretendiam oferecer "algo diferente", são absorvidas pelos grandes conglomerados comerciais.

Este infográfico que ilustra esta nota, que pode ser consultado em um formato muito maior dentro deste link ou simplesmente clicando sobre a imagem, nos sugere que a Coca Cola, Pepsico, Kelloggs, Nestlé, Johnson & Johnson, P&G, Mars, Unilever e General Mills, possuem dezenas de marcas que impregnam a cotidianidade de milhões de pessoas ao redor do mundo.

Curiosamente este mesmo fenômeno, o monopólio de praticamente todas as opções dentro do mercado por parte de monumentais corporações, replica-se em outros itens, por exemplo o dos meios de comunicação ou no caso dos bancos, um setor que nos últimos anos reduziu pelo menos em uns 30% as empresas controladoras depois de múltiplas fusões nas quais as maiores entidades corporativas terminaram engolindo as menores. E o que dizer das cervejas no nosso país? Os tomadores das principais marcas não podem nem mais gozar um à cara do outro já que quase todos tomam o mesmo "mijo" (17 marcas) da Ambev.

Um bom exercício, depois de analisar este infográfico, seria analisar a espetacular dispersão de marcas e produtos que buscam te consagrar como um ser pseudolivre na próxima vez que for fazer compras. Mais que sobretudo é bom recordar que nossa identidade não é definida pelas bifurcações virtuais que protagonizam Microsoft-Apple, Coca Cola-Pepsi, ou Phebo-Palmolive, senão que esta vai configurando-se pela forma que recebe, processa e compartilha informação que resultam de suas experiências pessoais.

Bebês dão pistas sobre as origens do conhecimento


The New York Times / Elizabeth Spelke, pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre Desenvolvimento da Universidade de HarvardElizabeth Spelke, pesquisadora do Laboratório de Estudos sobre Desenvolvimento da Universidade de Harvard
PSICOLOGIA

Pesquisadora de Harvard realiza experimentos para descobrir o que o ser humano já nasce sabendo e chega a conclusões impressionantes.

Sentada numa sala de monitoramento alegre e apinhada no Laboratório de Estudos sobre Desenvolvimento da Universidade de Harvard, Elizabeth S. Spelke, professora de psicologia e uma pesquisadora proeminente da lista de ingredientes básicos sobre os quais se constrói todo o conhecimento humano, lança um olhar cheio de expectativa, enquanto seus alunos preparam uma menina de 8 meses de idade, de cabelo escuro e enrolado e cheia de energia, para a tarefa onerosa de ver desenhos animados.
O objetivo dos pesquisadores, como em meia dúzia de outros projetos semelhantes no laboratório, era explorar o que as crianças pareciam compreender sobre grupos e expectativas sociais.
Cognição
Para Elizabeth Spelke, linguagem humana é “ingrediente secreto”
Mais recentemente, Elizabeth Spelke e outros colegas começaram a identificar algumas das configurações básicas da inteligência social infantil. Katherine D. Kinzler, agora da Universidade de Chicago, e Kristin Shutts, agora da Universidade de Wisconsin, descobriram que bebês com apenas algumas semanas de vida demonstram um gosto evidente por pessoas que usam padrões de fala aos quais os bebês já foram expostos, e isso inclui sotaques regionais, entonação e erres carregados (ou não).
Na orientação dos primeiros aprendizados sociais, o sotaque é mais forte do que a raça. Um bebê americano branco preferiria aceitar comida de um adulto negro falante de inglês do que de um parisiense branco, e uma criança de 5 anos preferiria fazer amizade com uma criança de outra raça que soasse como uma criança local, do que com uma da mesma raça com sotaque estrangeiro.
Elizabeth propôs que a linguagem humana seja o ingrediente secreto, o catalisador cognitivo que permite que nossos módulos numéricos, arquitetônicos e sociais juntem forças, troquem ideias e nos levem a horizontes distantes. “O que é especial sobre a linguagem é seu produtivo poder combinatório”, ela disse. “Podemos usá-la para combinar qualquer coisa com qualquer coisa”.
Ela aponta para o fato de que as crianças começam a integrar o que elas sabem sobre o formato do ambiente, seu senso de direção, com o que sabem sobre os pontos de referência – cognição de objetos – justo na idade em que começam a dominar a linguagem espacial e palavras como “direita” e “esquerda”. Ela reconhece, porém, que suas ideias sobre a linguagem como o consolidador central da inteligência humana ainda não foram provadas e permanecem um objeto de disputa.
Mesmo antes do processo começar, o objeto de pesquisa de quase 6 quilos deixou bastante claro o escopo de seu cérebro social. Ela acompanhava as conversas, encarava quem chegava e queimava nossos olhares adultos com o brilho de seu sorriso. Elizabeth, que veio à sua posição de proeminência por delinear como as crianças aprendem sobre objetos, números e território, balançou a cabeça num gesto de assombro e autoironia.
Elizabeth Spelke, de 62 anos, é alta e magra e divide seu longo cabelo no meio, como uma aluna universitária. Quando fala, ela se inclina para frente e planta os braços nas coxas, com as mãos uma na outra, parecendo, ao mesmo tempo, profundamente envolvida e pronta para partir.
“Quando as pessoas perguntam a Liz, ‘O que você faz?’, ela lhes responde, ‘Eu estudo bebês’”, disse Steven Pinker, colega professor de Harvard e autor de Como a Mente Funciona (Companhia das Letras), entre outros livros. “É engraçadinho, mas ela dá a impressão de que faz pouco caso”.
O que Elizabeth está fazendo mesmo, segundo Pinker, é o que os filósofos Descartes, Kant e Locke tentaram fazer. “Ela está tentando identificar as categorias fundamentais do conhecimento humano’.”
Elizabeth estuda bebês não por eles serem bonitinhos, mas porque são a base de tudo. “Eu sempre fui fascinada por questões de cognição humana e organização da mente humana”, ela disse, “e o porquê de sermos bons com algumas tarefas e ruins com outras”.
Elizabeth é pioneira em utilizar o olhar dos bebês como uma chave para sua mente – isto é, identificar as expectativas inerentes de bebês com até uma semana ou duas de idade, medindo quanto tempo eles encaram uma cena na qual essas assunções são desafiadas ou frustradas. “Mais do que qualquer cientista que eu conheço, Liz combina a perspicácia teórica com um gênio experimental”, disse a colega Susan Carey.
De acordo com o laboratório de Elizabeth Spelke, os bebês em geral sabem, antes de completarem 1 ano de idade, o que é um objeto: uma unidade física distinta, em que todas as partes se movem mais ou menos como uma só e com alguma independência dos outros objetos.
“Se eu esticar a mão e pegar o canto de um livro, eu espero que o resto do livro venha junto, mas não um pedaço da mesa”, disse Phil Kellman, o primeiro aluno de pós-graduação de Elizabeth, agora na Universidade da Califórnia, em Los Angeles.
“O sistema visual vem equipado para dividir uma cena nas unidades funcionais de que nós precisamos para a sobrevivência”, disse Kellman. Se você perguntasse a um bebê se o seu saco com quatro laranjas lhe põe além do limite para o caixa rápido do mercado, ele diria, “Você pega o saco, as partes ficam juntas, logo é um item só, então, entre na fila”.
Os bebês também sabem que os objetos não podem atravessar limites sólidos ou ocupar a mesma posição que outros objetos, e que os objetos em geral viajam pelo espaço numa trajetória contínua. Se você alegasse ter inventado uma teletransportador como o de Jornada nas Estrelas, um bebê não iria acreditar.
O laboratório de Elizabeth descobriu ainda que crianças pequenas não são boas em utilizar pontos de referência ou a decoração para se orientar. Só depois dos 5 ou 6 anos que elas começam a otimizar suas estratégias de busca com pistas como “Ela escondeu meu brinquedo num canto cuja parede à esquerda é vermelha em vez de branca”.

O caipira criado por Monteiro Lobato


Experiência do escritor com a roça o levou a inventar em 1914 o personagem Jeca Tatu, um caipira preguiçoso que mais tarde se tornou representante do povo sofrido.

Presente em diversas obras de José Bento Monteiro Lobato, o famoso personagem Jeca Tatu dificilmente desperta no autor somente ira ou complacência. O incômodo do escritor com a figura de um homem pobre que vive no Vale do Rio Paraíba do Sul e não se interessa por buscar conhecimento ou melhorar de vida tem, como pano de fundo, uma certa afeição. Em 2012, ano do centenário do cineasta que levou Jeca para a telona (Amácio Mazzaroppi), o primeiro registro do personagem completa 98 anos.
No artigo Velha Praga, publicado em 1914 no jornal O Estado de S. Paulo, Jeca Tatu aparece pela primeira vez nos escritos de Lobato. Sem poupar “acidez”, o escritor fala do seu assombro com a figura do caboclo, a quem ele define como “parasita da terra”. “À medida que o progresso vem chegando com a via férrea, o italiano, o arado, a valorização da propriedade, vai ele [o caboclo, ou jeca] refugindo [recuando] em silêncio, com o seu cachorro, o seu pilão, a [espingarda] picapau e o isqueiro, de modo a sempre conservar-se fronteiriço, mudo e sorna [preguiçoso]. Encoscorado numa rotina de pedra, recua para não adaptar-se”, salienta Lobato no artigo.
Turismo
Fazenda onde viveu escritor está aberta à visitação
A Fazenda São José do Buquira, onde viveu o escritor, está aberta à visitação. Ela fica na cidade de Monteiro Lobato (SP), nas proximidades de São José dos Campos e Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira. Ao chegar à cidade de Monteiro Lobato, pela rodovia SP-050, é preciso pegar a “Estrada do Livro”, cujos oito quilômetros levam da cidade até a fazenda, onde há um museu sobre a vida do literato. O local fica aberto, todos os dias, das 9 às 17 h e a entrada custa R$ 5 por pessoa. O visitante ainda pode almoçar no local, mas a reserva deve ser feita com, no mínimo, dois dias de antecedência. O valor é de R$ 35 por pessoa. Mais informações: (12) 9711-2748.
Mudança
Evolução do Jeca: quando o preconceito dá lugar à análise social
O sociólogo e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Pedro Bodê de Moraes, que também analisou a figura do Jeca Tatu na obra de Monteiro Lobato, afirma que o próprio escritor deu uma contribuição para que o personagem atingisse o apreço do público em suas outras representações, inclusive na versão cinematográfica e mais ingênua proposta por Mazzaroppi. “Ao conhecer melhor a realidade do povo caipira, Lobato vai revelando a realidade dura que atrapalha o desenvolvimento deles e da região onde vivem”, explica.
Segundo ele, algo parecido aconteceu com Euclides da Cunha ao escrever Os sertões. O sociólogo explica que, ao contrário do caso de Lobato, o preconceito contra o povo sertanejo não vinha do escritor, e sim das elites. “Só quando ele vai até a região de Canudos, acompanhar de perto o conflito que se vivia por lá, é que os demais brasileiros percebem o sofrimento a que aquele povo era submetido, suas condições precárias de vida”, recorda.
Moraes também afirma que o Jeca, ao longo da obra de Lobato, vai amadurecendo e acaba se tornando o “Zé Brasil”, que dá nome a um folheto publicado em 1947, um ano antes da morte do autor. As características ainda são as mesmas do personagem original, mas Lobato mostra uma visão ainda mais complacente, destacando a dureza do dia dia do brasileiro caipira e uma visão afinada com o comunismo, especialmente com a figura de Luís Carlos Prestes.
A inspiração provém da vivência, desde a infância, no ambiente das fazendas da família: São José do Buquira (do avô do escritor, Visconde de Tremembé, na cidade de Monteiro Lobato, estado de São Paulo) e Paraíso (do pai, em Taubaté, também em São Paulo). É justamente nessa segunda propriedade rural que Lobato se depara com o “verdadeiro” Jeca, como lembra o sociólogo Márcio Malta, pesquisador da obra do autor brasileiro. Ele conta que Lobato, ainda menino, conheceu uma senhora, “nhá” Gertrudes, que sempre falava muito bem de um neto, a quem chamava Jeca. Após estimular a curiosidade de quem ouvia as histórias sobre o rapaz, ela levou o garoto até a fazenda Paraíso, para que os moradores pudessem conhecê-lo.
“O próprio escritor define esse rapaz, Jeca, como um homem magro, mas ao mesmo tempo barrigudo e desajeitado. Mesmas características apresentadas pelo seu personagem”, relata Malta. Ele afirma que o posicionamento polêmico de Lobato fez com que, por um bom tempo, o escritor fosse perseguido e visto com maus olhos. “As obras dele só podem ser analisadas se for considerado o contexto em que aparecem e as relações com as outras, anteriores ou posteriores”, destaca.
O sociólogo lembra que o “Jeca Tatu” reaparece em 1918, no livro Urupês, ainda acompanhado por uma visão bastante dura contra o caboclo do Vale do Paraíba. “O cenário muda em 1924, apenas seis anos depois, com o lançamento do livro Jeca Tatuzinho, em que Lobato começa a mostrar sua afeição pela figura do jeca, que passa a ser visto por ele como vítima de uma sociedade e de um governo desinteressados no desenvolvimento desse povo pobre e faminto. Ele toca muito, por sinal, na questão da fome, sem deixar de tecer duras críticas às classes mais abastadas”, afirma Malta.
A caricatura da caricatura
Além de analisar a obra de Lobato, o sociólogo Márcio Malta, que também é cartunista profissional, analisou as charges do Jeca Tatu publicadas da extinta revista Careta, que parou de circular em 1960. No trabalho intitulado Jeca na Careta – Charges e Identidade Nacional, ele relata que as primeiras representações na publicação aparecem em 1919 (um ano depois do lançamento de Urupês), por ocasião do lançamento da candidatura à Presidência da República de Rui Barbosa, que havia citado o Jeca Tatu em seus comícios como um representante do povo sofrido.
Segundo Malta, apesar de abordarem outras temáticas, as charges, na maioria das vezes, retratam a pobreza do Jeca. “Mesmo sendo uma figura de características particulares, como a vestimenta simples, o jeitão do ‘homem da roça’, é interessante notar que as charges retratam, por meio do Jeca Tatu, os sentimentos de todos os brasileiros, não apenas do caipira. O Jeca só atinge esse status de representante do povo porque o povo o aceita, identifica-se com ele”, avalia.