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segunda-feira, 18 de junho de 2012

Temos boa musica no Paraná?


Da coluna Acordes Locais, publicada às quartas-feiras, na Gazeta do Povo (com o acréscimo das opiniões enviadas pelo Facebook):


Antonio More/Gazeta do Povo
Antonio More/Gazeta do Povo / Karol Conká é uma MC que, antes de se iniciar no hip hop, pensava que seria cantora de MPB e atriz de comédia. Agora, começa a ganhar reconhecimento nacionalKarol Conká é uma MC que, antes de se iniciar no hip hop, pensava que seria cantora de MPB e atriz de comédia. Agora, começa a ganhar reconhecimento nacional
Na próxima terça-feira, a Gazeta do Povopromove mais uma edição do Papo Universitário. Será no teatro Paiol e desta vez o tema será a produção musical de Curitiba. Foram convidados os músicos e produtores Paulo Juk (Blindagem), Rodrigo Lemos (A Banda Mais Bonita da Cidade e Lemoskine), Heitor Humberto (Banda Gentileza) e a cantora e compositora Karol Conká. Garanta seu ingresso antecipado e gratuito no Papo Universitário pelo site

Eles debaterão com o público, com base em três perguntas previamente formuladas:
1) As bandas que começam na universidade dão certo?
2) A falta de grandes espaços para shows interfere na produção musical?
3) A música feita no Paraná é de qualidade?
Pois fiz essas perguntas lá no Facebook. A unanimidade veio nas respostas à terceira pergunta. Aqui, como em todo lugar, tem música boa e música ruim. Vamos agora dar uma passada nas outras duas perguntas.
Para mostrar que as bandas que começam nas universidades dão certo, poderia citar a Sabonetes, que nasceu no Centro Acadêmico de Comunicação Social da UFPR e está em carreira ascendente no país. Mas para cada uma que “dá certo”, existem dezenas que não chegam à formatura. O baterista e compositor da banda Terceiro Estado, Clodoaldo Paivalevanta uma questão que deveria ser fundamental a qualquer banda: “O fato de estarem juntos por um único objetivo, que é se divertir e fazer algo que se gosta, já quer dizer que deram certo!”.
No entanto, o próprio Paiva põe outra questão, que é a profissionalização. “Com o passar do tempo, o sonho aumenta e você almeja isso como uma possibilidade de ganhar a vida. Mas aí vem 2 pesos e 2 medidas: largar uma faculdade, seja lá qual for, que você teve o apoio da sua família e vê um caminho de SOBREVIVÊNCIA, ou começar do zero uma nova carreira, sem apoio de ninguém, e iniciar uma CONVIVÊNCIA mais sadia consigo mesmo em primeiro lugar e com pessoas da sua confiança que possam partilhar do mesmo desejo de viver daquilo! O fato é... Quando se faz o que Ama e com verdade, não importa como nem quando nem onde, JÁ DEU CERTO!”
O jornalista, produtor e músico Fernando Tupan vê problemas na sobrevivência de bandas jovens, universitárias ou não: “No Paraná, temos poucos programas para os jovens na rádio e na tv e hoje a internet é a única válvula de escape. O que realmente interfere na formação de novos grupos é a falta de perspectiva profissional.” E ele relata tentativas de criar mercado pela ação de fóruns, cooperativas e da Rádio Música Curitibana.
A cantora Rogéria Holtz arremata: “Acredito que a proporção das que podem dar certo começando em uma universidade e das que não começam lá está ligada aos mesmos fatores de talento, persistência e sorte. Aliás, já esqueci o que é ‘dar certo’.”
Quanto à segunda pergunta, se a falta de grandes espaços para shows interfere na produção musical do estado, há polêmica.
Para a música e poeta Estrela Leminski, “em Curitiba falta espaço no sentido mais amplo da palavra espaço! Falta espaço, bar, teatro, divulgação, crítica e etc. Isso está mudando por conta de várias iniciativas. Mas ainda falta.”
O músico e advogado Andre Wlodarczyk concorda: “Faltam espaços e espaços adequados, que influencia em tudo A difusão ao vivo é elemento fundamental na cadeia criativa e produtiva da música.” Samuel Iago, empresário, produtor e radialista (Radiocaos) faz coro: “A falta de pequenos e médios lugares interferem negativamente.” E o artista plástico e radialista Neri da Rosa também reclama: “Se tivéssemos espaços grandes e estruturados para as bandas locais mostrarem seu trabalho a resposta seria muito mais positiva.”
O músico e jornalista Rafael Moro Martins, põe lenha na fogueira de vaidades: “Se tivéssemos espaços maiores, será que eles seriam destinados a artistas locais? Não defendo reserva de mercado para a arte, mas o fato é que a produção musical mais interessante da cidade sempre esteve nos porões. Então, será que haveria público maior simplesmente com espaços maiores? Já cansei de ver bons artistas tocando pra 5 ou 10 pessoas em lugares que ficam lotados com 50.”
O psicólogo André Alves de Oliveira, afirma que essa falta de grandes espaços pode não influenciar diretamente, mas, para ele, essa falta quebra um ciclo cultural da cidade. “Indiretamente, a maior incidência de shows, grandes festivais e atrações internacionais aumentaria a produção local.”
A discussão continua.
Veja todas as opiniões
Rogéria Holtz
Vou me arriscar...1) Não acredito que tudo ligado a música seja somente dom divino e inspiração. Claro que isso é um primeiro incentivo, mas um bom estudo, boa técnica só podem contribuir para um provável crescimento nesta arte. Acredito que a proporção das que podem dar certo começando em uma universidade e das que não começam está ligada aos mesmos fatores de talento, persistência e sorte. Aliás, já esqueci o que é "dar certo". 
2) Acho que esse fator só desanima os músicos e produtores. Nos sentimos um pouco mais excluídos do que já somos. Não fazemos parte do grande circuito de shows. Se houvesse uma "obrigatoriedade" de artistas locais abrirem os grandes shows, aí interferiria diretamente. 
3) Claro que, como em todo o lugar, temos muitas coisas de qualidade e muitas ruins. O legal é que temos artistas surgindo cada vez mais e em todos os estilos. Acho que a quantidade gera a qualidade. Temos qualidade sim! É só nos mantermos atentos e abertos às novidades.
Angelo Stroparo 
‎1) Elas devem dar tão certo quanto às bandas que não começam na universidade. Dentro de um panorama histórico nacional, elas dão “pouco certo”, acredito...
2) Interfere na mesma medida em que os artistas não se aproximam, de fato – sem conversa fiada -, do público. No meu caso: já pensei inúmeras vezes em montar um show simples e básico, com a finalidade de tocar em qualquer canto, qualquer boteco que se disponha em ceder algum espaço. Definitivamente: grandes espaços possuem sua importância dentro do processo. Não obstante, a origem sempre estará no pequeno, no átomo. Onde está a origem dos músicos autores? Com certeza não começa em um superpalco de um grande evento.
3) Sim e não, talvez... quando diz “qualidade” você toma o quê!?, exatamente, como referência? Essa abordagem deve oferecer muita matéria para discussões intermináveis, sem dúvida, mas, qual é a finalidade?, neste seu apontamento: discutir qualidade musical.
Dartagnan Baggio 
Não acredito que faltem grandes espaços. Simplesmente faltam espaços. Sejam lugares pequenos, mas bons lugares. Uma casa noturna que garanta um som de qualidade, uma boa divulgação ao público interessado em ouvir música autoral e que dê a oportunidade às bandas autorais. Isso pode começar acontecendo uma vez por semana, em um circuito das boas casas noturnas da cidade. Não adianta ter o espaço, e sempre as mesmas bandas tocarem. Precisamos abrir esse espaço e proporcionar o crescimento de outras bandas. As rádios e os jornais que incentivam e divulgam as produções autorais locais, devem estar mais receptivas aos novos sons, buscando levar estas novas informações ao conhecimento de um maior número de pessoas possíveis. Uma matéria no blog, a divulgação da música no programa da rádio, etc... 
Temos muitas bandas e muito som autoral de qualidade em Curitiba, inclusive com músicas gravadas e vídeos clipes, mas muitos destes não conseguem mostrar seus trabalhos na nossa cidade. Sabemos de bandas curitibanas fazendo sucesso na Argentina, EUA, África e que na própria Curitiba é pouco conhecida. Os pequenos concursos e festivais locais precisam ser incentivados. Ex: Kaiser Sound Festival, Concurso Scartaris, etc... Essas ações movimentam a internet, as redes sociais, as casas noturnas e colaboram com a divulgação das bandas e suas músicas, aquecendo e movimentando o cenário local. Isso seria a base para o crescimento e desenvolvimento das bandas. Com incentivo e com o surgimento das oportunidades, aumenta-se o interesse do investimento em produção, (estúdios, produtores, videos-clipes, cds. shows,etc...). Caso contrário, para que sair da garagem? A união de todos esses elos é que realmente importa! Abraços aos amigos da RMC!!!
Estrela Leminski 
‎1) As bandas que começam na universidade dão certo? São raras. Essa pergunta se complica mais em Curitiba, onde temos quatro universidades com cursos de música, que já formaram algumas bandas: Caçarola, Trapobanda, Sicopé. O meu grupo é todo de gente da FAP, embora nem todos tenham começado a tocar juntos ali.
2) A falta de grandes espaços para shows interfere na produção musical? Em Curitiba falta espaço no sentido mais amplo da palavra espaço! Falta espaço, bar, teatro, divulgação, crítica e etc. Isso está mudando por conta de várias iniciativas. Mas ainda falta.
3) A música feita no Paraná é de qualidade? Não toda ela claro, mas temos grandes talentos que são superiores a muito do que é badalado pelas mídias nacionais (mídias independentes ou de majors).
Andre Wlodarczyk ‎
1. Ajuda a dar certo pelo vínculo que se forma na faculdade, mas as bandas em que todos os músicos aprendem a tocar junto e descobrem a música juntos, tem mais chance de prosperar, na minha visão. 
2. faltam espaços e espaços adequados, que influencia em tudo. A difusão ao vivo é elemento fundamental na cadeia criativa e produtiva da música. 
3. Ôoo..e como tem qualidade!!
Rafael Moro Martins ‎
1 - O que é dar certo?
2 - Se tivéssemos espaços maiores, será que eles seriam destinados a artistas locais? Não defendo reserva de mercado pra arte, mas o fato é que a produção musical mais interessante da cidade sempre esteve nos porões. Então, será que haveria público maior simplesmente com espaços maiores? Já cansei de ver bons artistas tocando pra 5 ou 10 pessoas em lugares que ficam lotados com 50.
3 - Temos grandes músicos e grandes bandas por aqui. Sempre tivemos.
Andre Alves de Oliveira 
1 - É ...dar certo realmente é relativo .....mas, por exemplo, A Banda Mais Bonita da Cidade, vários se conheceram na faculdade....
‎2- Com certeza.... não diria diretamente, porém essa falta quebra um ciclo cultural, digamos assim, da cidade.... indiretamente, a maior incidência de shows e festivais grandes e atrações internacionais aumentaria a produçao local
há 20 minutos ·
Rodrigo Ferreira Do Amaral 
‎1- Normalmente, dão certo, pois se transforma em interesse comum. As conversas dentro do campus acabam tendo mais comprometimento. Mas, pode haver conflito de interesses. Entretanto, na sua maioria dão certo sim. 
2 - Não interfere. 
3 - Se for qualidade artística, o caminho sempre estará sendo trilhado, e cabe a cada um decidir o que é melhor para seu ouvido (para quem ouve!). Já a técnica (produtor musical), ha quem diga que está boa. Eu acho que não está. No meu ponto de vista, a qualidade musical sempre estará ligada à dedicação do músico e ao compromisso com ele mesmo. Se a sua verdade está estampada na sua música terá qualidade. Do contrário, será uma cópia de outro.
Alex Gregorio 
‎1) A MPB, o rock dos anos 80 e agora o sertanejo universitário tiveram grande apoio dos universitários, mas não é possível dizer que isso é determinante para o sucesso. Especialmente no Paraná, poucas bandas ou quase nenhuma fez sucesso nacionalmente, mesmo tendo sido criada nos corredores da UFPR.
‎2) Lembro-me que uma das promessas de campanha do ex-Prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi era mudar o nome do bairro Rebouças e criar alí um espaço para apresentações musicais, especialmente o rock ( na mesma época em 1998 a Veja chegou a publicar que Curitiba era uma das cidades que mais tinham bandas de rock no Brasil, considerando-a como a Seattle brasileira). Curitiba merece um grande festival anual para músicas autorais e transformar isso num mega evento. 
‎3) A música feita no Paraná é tão boa quanto a feita do Rio Grande do Sul, No RJ ou em SP...
Luciano J. Reichert Cordoni 
Música feita no Paraná é boa. Mas as rádios não tocam. Existe algo estranho. Ou é jabá ou preferem música estrangeira. Tem algum antropologista por aí para nos explicar?
Gunther Furtado 
Não sou antropologista, sou economista, então: as rádios comerciais não se vêm como veículos de cultura, e, sim como aplicações para o capital. Este capital está lá para ser aumentado, no mínimo, a uma certa taxa desejada, TODAS as decisões dentro da rádio visam alcançar este objetivo, inclusive as "manobras" político/eleitoreiras. O resto, é completamente incerto e dispensável. O que acontece é que é precisamente este resto que nos interessa aqui. Quanto às rádios não comerciais ou semi-comerciais, meu palpite, enquanto esperamos os antropólogos, é que o conteúdo que elas transmitem é menos importante que os arranjos institucionais e interpessoais internos.
Luciano J. Reichert Cordoni 
Mas e no Rio e na Bahia? Como funciona uma lady gaga da vida? Jabá?
Grandes espaços. Acho q precisamos começar com os pequenos espaços. Como nós aqui da Rádio Música Curitibana. Estamos reativando o TUC. Apareçam.
Gunther Furtado 
As decisões são do mesmo tipo, não querem assustar nem ajudar ninguém. Querem tocar o que lhes garanta que ninguém vai mudar de estação só por que um comercial entrou no ar, tudo tem que soar muito parecido, só, talvez, um pouquinho mais alto nos reclames.
Neri Rosa 
‎1 - 90% das bandas universitárias quebram antes da formatura de seus integrantes. Mas geralmente a universidade serve de start para formação se bandas.
2 - Sim, se tivéssemos espaços grandes e estruturados para as bandas locais mostrarem seu trabalho a resposta seria muito mais positiva.
3 - Tem qualidade, sim!

Radiocaos Samuel 
1- Dão certo ou errado igual a aquelas que começam em outros lugares.
2- A falta de pequenos e médios lugares interferem negativamente.
3- Sim , é de qualidade e mais que isso, é de uma diversidade imensa. Diferente de outros locais onde um estilo predomina e dá a "cara" da música local. Acho isso ótimo.
Mickey Fiuza 
Bom dia a todos..ja que falaram de espaço...vão conhecer o teatro HSBC na Rua XV...é bem legal e esta superviável o preço do espaço/som/luz....é só ligar de terça a sexta a tarde no 3777 6525 ou no 7815 3219
Jansen Luiz 
‎1 - já tive uma banda quando estava na Universidade. Não deu certo mas os integrantes tocam em bandas conhecidas na cidade de diversos estilos como o Denis Mariano e o Ariel Mujica. 
2- Acho que sim, apesar de achar que a classe músical deveria ter um teto mínimo de cachê. 
3- Tem qualidade, mas faltam produtores e uma estrutura mais profissional para que os músicos consigam viver apenas de música. Isso seria ótimo. Chega de músico ser tratado como vagabundo. É um trabalho como outro qualquer e precisa ser respeitado como tal. Pela profissionalização da classa artística!
Clodoaldo Paiva 
‎1) O fato de Estarem juntos por um único objetivo que é se divertir e fazer algo que se gosta já quer dizer que deram certo! Mais como dizia minha avó: "A vida não é feita só do que se gosta". Com o passar do tempo, a vontade do sonho aumenta e você almeja isso como uma possibilidade de ganhar a vida. Mais ai vem 2 pesos e 2 medidas, largar uma faculdade seja lá o que for que você teve o apoio da sua família e vê um caminho de SOBREVIVÊNCIA, ou Começar do Zero uma nova carreira sem o apoio de ninguém para uma inicial CONVIVÊNCIA mais sadia com sigo mesmo em primeiro lugar e com pessoas da sua confiança que possam partilhar do mesmo desejo de viver daquilo!
O fato é... Quando se faz o que Ama e com verdade não importa como nem quando nem onde! JÁ DEU CERTO!
2) Não creio que na produção diretamente, quem quer produzir seja no ramo que for, não pode olhar para as dificuldades, você tem um sonho e a ferramenta principal que é você. Então é simples é focar e produzir. Somos brasileiros e demos a habilidade de lidar com poucos recursos, mais erramos ao agir como brasileiros, quando nos preocupamos em achar a dificuldade das coisas. Perdemos muito tempo com a bunda na cadeira tentando criticar os outros e esquecemos de crescer com as qualidades dos outros!
Sofremos na arte de um modo geral um problema mais grave que é a distribuição do que criamos e produzimos isso sim nos afeta diretamente e isso só vai se resolver quando conseguirmos nos unir enquanto classe artística e não ficar discutindo EGOS e sim soluções vivemos em um “democracidio”, onde ninguém consegue ceder quando mexe diretamente no seu EGO!
3) Acho que estamos colhendo os frutos de uma geração passada à nossa! Nos anos 80 tivemos coisas muito ricas e que ajudaram na criação de uma mentalidade que, lógico, tiveram seus lados bons e ruins mas no geral contribuiu muito. Deixamos isso se perder no decorrer dos anos 90 e hoje, de alguns anos pra cá, estamos retomando isso com uma visão mais abrangente. O que se produz aqui independentemente de gosto musical é de altíssimo nível e pode alcançar qualquer lugar do Brasil e do mundo sem fazer feio a ninguém.
Luiz Antonio Ferreira 
1-Bandas boas começam na garagem independentemente da educação de seus integrantes. 
2- acho que o que interfere na produção musical é falta de inspiração, no mais concordo com Neri e Samuel
3- temos boas bandas por aqui sim, nossas bandas têm todas as caras, por isso têm cara de lugar nenhum. Somos a capital das bandas de lugar nenhum.
Fernando Tupan 
‎1 - Nao necessariamente. A maioria das bandas formadas nas universidades não chega ao público. Por diferentes motivos. Banda é que nem casamento. Vc precisa ter tolerância. Na época de faculdade vc tem mais tolerância e isso pode ajudar na longevidade. Como temos problemas estruturais nos meios de comunicação e o nosso atrelamento a São Paulo e Rio de Janeiro é que contribuem para a não consolidação de novos talentos no mercado músical. Por exemplo: no Paraná temos poucos programas para os jovens na rádio e na tv e hoje a internet é a única válvula de escape. O que realmente interfere na formação de novos grupos é a falta de perspectiva profissional. 
2 - Interfere. Por isso músicos paranaenses formaram coletivos no facebook. Para criar uma rede de informações. Hoje temos o Fórum Nacional da Música do Paraná (FPM_PR), o Fórum Aberto da Música do Paraná e a Cooperativa de Música do Paraná que defendem idéias da Economia Criativa. Para tanto organizam apresentações de músicos e grupos paranaenses em diversos pontos da cidade em teatros e espaços alternativos. Também foi criado um local para os músicos se apresentarem três vezes por semana (quartas, sextas e sábados), há shows para grupos de até 50 pessoas. A divulgação ocorre apenas em redes sociais. Essas apresentações mostram a produção contemporânea da capital paranaense. 
Os músicos locais mostram a produção local em praças públicas e ruas da cidade com apoio da rádio web Música Curitibana. Utilizamos geradores para amplificadores e caixas acústicas. Geralmente são para grupos pequenos no final da tarde. Essa é a idéia. Não ficar esperando o público para chegar onde vc toca. A idéia hoje é ir até o público. 
3 - A música paranaense tem qualidade. Muita qualidade e todos os estilos estão contemplados. Temos centenas de bandas na capital e no interior. Curitiba é uma Seattle brasileira e o Paraná, como um todo, uma Califórnia. A partir de agora o que conta são ações. Não adianta querer que a rádio ou a televisão execute a música. Hoje a web é o caminho. Afinal, o importante não é ficar esperando que o sucesso caia do céu. O importante é ir até o sucesso. E basta um grupo de cinco pessoas para tudo acontecer.
Pil Repossíveis 
‎1- Depende muito... o Fato universidade acredito que não é tão relevante assim... da mesma forma que tínhamos bandas formadas no ensino médio... é o vinculo entre os amigos, a dedicação, o prazer e amor pelo que fazem que vai ajudar a banda "dar certo"
2- se você tocar numa banda que escreve sobre protesto... acredito que sim
3- Sim, a música feita no Paraná é de qualidade. Temos muitos artistas no estado, mas não são necessariamente os que estão em foco que são "os bons" do estado...muita coisa boa acaba não ficando tão conhecida e reconhecida.
"Por exemplo: no Paraná temos poucos programas para os jovens na rádio e na tv e hoje a internet é a única válvula de escape. O que realmente interfere na formação de novos grupos é a falta de perspectiva profissional." Certíssimo, Fernando Tupan.
A falta de oportunidade corroe a esperança e o amor que se tem pela coisa ao longo dos anos... e hoje no rádio temos lá uma meia duzia de programas, todos no domingo a noite pra dar "ESPAÇO"
Bernardo Bravo
1) As bandas que começam na universidade dão certo?
Não necessariamente. As que superam a universidade sim.
2) A falta de grandes espaços para shows interfere na produção musical?
Não. A falta de espaços adequados interfere na divulgação dos trabalhos realizados e na aproximação entre artista e público. Grandes espaços (como a pedreira, etc) beneficiarão apenas artistas já consagrados. A produção dos trabalhos não para, mas a distribuição concreta e real (sem levar em conta a internet) esbarra nesse quesito lugar para tocar. A Casinha surgiu por causa dessa lacuna.
3) A música feita no Paraná é de qualidade?
Há no Paraná muita música de qualidade, há trabalhos com escolhas estéticas, fundamentos e cores que a gente só encontra por aqui. Mas também tem muito trabalho cru, que não sai daqui porque ainda é semi-profissional, ainda há muita gente que esquece do pacote completo de um trabalho artístico musical que inclui alem das composições, boas letras, luz, figurino, bons arranjos, boa interpretação, boa argumentação do que defende em entrevistas, assessoria de imprensa antenada, e tudo com uma linha mestra de conceito que deve partir do próprio músico dono do projeto.
É isso. E se você chegou até aqui, merece ver e ouvir um pouco de música paranaense:

Livro da semana - A segunda parte do "Quixote"


Gustave Doré/Reprodução /
“Todo leitor reconhece que a diferença entre as duas partes de Dom Quixote é que todos os personagens mais importantes na parte dois são ou explicitamente creditados como tendo lido a parte um ou sabem que foram personagens dela.” A frase é de Harold Bloom, o crítico canônico, em seu Cânone Ocidental, em que dedica um capítulo inteiro ao Quixote.
(Para ele, Cervantes é o único páreo possível para os dois escritores que considera o “centro” do cânone da literatura ocidental: Shakespeare e Dante. E os personagens do Quixote, o próprio Dom e seu amigo Sancho só teriam equivalentes de profundidade em uns poucos personagens shakespearianos. Não é pouco elogio.)
O fato é que a primeira parte do Quixote, lançada em 1605, havia sido um tremendo sucesso de público. E a continuação da história era muito aguardada. Tanto é que houve, antes que Cervantes publicasse sua sequência “verdadeira”, a edição de pelo menos uma continuação não autorizada. Mas lógico que não chegou aos pés do original, tanto é que ninguém hoje lê a falsa quixotada.
E Bloom fala de um fato capital na exposição da segunda parte. Cervantes brinca de ser “pós-moderno”, como chamaríamos hoje. E bota os próprios personagens da história como conscientes de que são personagens de um outro livro. Em cada lugar que vão, as pessoas dizem a eles que se divertiram muito lendo suas aventuras.
É claro que não se trata de uma metaficção tão arriscada: Quixote e Sancho, no volume dois, continuam acreditando que são de carne e osso. Apenas ficam sabendo que alguém narrou sua história e ficam interessados por isso.
Mas o livro não está interessado meramente em técnicas narrativas, muito pelo contrário. Cervantes, no prólogo, diz que “cortou” o seu segundo Quixote do mesmo pano que o primeiro. Isso quer dizer, entre outras coisas, que à primeira vista tudo fica igual: é uma longa história das conversas de Sancho e de Quixote enquanto os dois saem pelo mundo em busca de aventuras de cavaleiro andante e escudeiro.
Algumas das histórias mais belas do Quixote estão no segundo volume (há quem prefira o primeiro, quem goste mais da continuação). Uma delas é o conto de Sancho Pança como governador, de que falo no post da próxima semana. Outra é a história do Mestre Pedro, que aparece como um contador de histórias e fornece uma bela metáfora a Cervantes.
O mais importante é que tudo flui como no primeiro volume. O mesmo Harold Bloom diz que não é possível perceber nenhum cansaço em Cervantes. Bloom diz que só percebe uma certa tristeza no autor ao encerrar seu imenso livro. “O que acontece com Cervantes nesta parte me comove mais, porque muda a relação com seu texto. Encaminha-se para a morte, e alguma coisa sua (como ele sabe) morrerá com Dom Quixote, enquanto outra coisa, talvez mais profunda, continuará vivendo em Sancho Pança.”
Ao final do volume, Quixote morrerá. Cervantes, ele próprio, só viveria mais um ano, depois de publicar um único livro a mais. Na morte, Quijano, o personagem que depois de embirutar vira Quixote, cai em si, percebe que estava fazendo insanidades, se confessa, vê agora qual é o mundo real, e só então sai de cena.
Mas, antes disso, passa por mais de 700 páginas de aventuras, diversão e de descoberta do humano. Que é o que vamos ver ainda aqui nas próximas semanas.

TUF Brasil define finalistas; Serginho substitui o lesionado Sarafian


Divulgação / UFC / Vencedores do TUF Brasil serão conhecidos no dia 23 de junhoVencedores do TUF Brasil serão conhecidos no dia 23 de junho
A primeira grande investida do UFC no Brasil terminou com saldo positivo. O último episódio do reality show "The Ultimate Fighter (TUF)", exibido nesse domingo (17), definiu o último finalista do programa.
O peso médio Cezar Mutante venceu Thiago Bodão por nocaute e se junta a Daniel Sarafian, e aos pesos pena Rony Jason e Godofredo Pepey como os finalistas da edição de estreia. Responsável pela popularização do MMA nos Estados Unidos, o reality - que já está na 15.ª temporada no exterior - conseguiu repetir a dose no Brasil.
Por motivo de lesão, no entanto, a grande decisão dos médios não contará com a participação de Sarafian. O paulista será substituído pelo campeão mundial de jiu-jítsu Serginho Morais no próximo sábado (23), no UFC 147, em Belo Horizonte. O combate entre os cearenses Jason e Pepey está confirmado
Além das finais, o programa de despedida também elegeu a melhor luta (Bodão x Massaranduba), nocaute (Mutante) e finalização (Jason) do TUF. Cada um levou R$ 45 mil de bônus.

Divulgação / UFC
Divulgação / UFC / Galeto e Vina vão se enfrentar no UFC 147Galeto e Vina vão se enfrentar no UFC 147
Além de Wanderlei Silva, que irá encarar o americano Rich Franklin no main event da noite, o Paraná terá outros dois representantes no UFC 147.Vinícius Vina, da Striker's House, e Wagner Galeto, da Gile Ribeiro, irão se enfrentar no Mineirinho.
Confira o card do UFC 147
Card principal
Wanderlei Silva vs Rich Franklin
Cezar Mutante vs Serginho Morais (Final TUF médio)
Rony Jason vs Godofredo Pepey (Final TUF pena)
Mike Russow vs Fabricio Werdum
Yuri Alcantara vs Hacran Dias
Card preliminar
Rodrigo Damm vs Anistávio Gasparzinho
Delson Pé de Chumbo vs. Francisco Massaranduba
John Macapá vs Hugo Wolverine
Thiago Bodão vs Leonardo Macarrão
Vinícius Vina vs Wagner Galeto
Felipe Sertanejo vs Miltinho Vieira

IBGE traça o retrato do desmatamento no Brasil


Os indicadores revelam que estão preservados apenas 12% da área original da Mata Atlântica, o bioma mais devastado do país.
A dois dias do início da cúpula da Rio+20, em que mais de cem chefes de Estado discutirão o futuro do planeta, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta segunda-feira a pesquisa Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2012. Entre outros dados, traça o retrato do desmatamento no país. Pela primeira vez o IBGE apresenta os dados de devastação de todo o território, para além da Amazônia.
Os indicadores revelam que estão preservados apenas 12% da área original da Mata Atlântica, o bioma mais devastado do país. De 1 8 milhão km², sobraram 149,7 mil km². A área desmatada chega a 1 13 milhão km² (88% do original) - quase o estado do Pará e mais que toda a região Sudeste. Os dados se referem ao ano de 2010. Depois da Mata Atlântica, o Pampa Gaúcho é o mais desmatado: perdeu 54% de sua área original, de 177,7 mil km² até 2009.
A devastação do Cerrado, segundo maior bioma do país, chegou a 49,1% em 2010. Na edição anterior dos IDS, divulgada há dois anos, o IBGE havia apontado devastação de 48,37% do Cerrado. Em dois anos, foram desmatados 52,3 mil km² - quase o estado do Rio Grande do Norte.
Caatinga perdeu 45,6% de seus 826,4 mil km² originais. O Pantanal é o menor e mais preservado bioma: perdeu 15% da área total de 150,4 mil km². As informações referem-se a 2009.
O IBGE apresentou os índices de desmatamento de todos os biomas extra-amazônicos, já que a Amazônia tem um monitoramento específico, mais antigo e mais detalhado.
Biomas são territórios com ecossistemas homogêneos em relação à vegetação, ao solo, ao clima, à fauna e à flora. O Brasil é dividido em seis biomas. A pesquisa do IBGE chama atenção para o fato de que o desmatamento, além dos danos ao solo, aos recursos hídricos e às espécies de fauna e flora, aumenta as emissões de gás carbônico na atmosfera.
"O monitoramento dos biomas brasileiros torna-se indispensável não só para sua preservação como para qualquer tipo de intervenção ou lei que pretenda regular o uso dos recursos naturais no Brasil. A partir dos levantamentos de desmatamentos e áreas remanescentes, o Brasil saberá onde estão as áreas que precisam ser recuperadas e as que poderão servir às atividades econômicas, sem abertura de novas áreas", diz o estudo.
Por ser o bioma mais devastado, a Mata Atlântica também tem o maior número de espécies da fauna extintas ou ameaçadas de extinção: cerca de 260. No total, o IBGE apontou nove espécies extintas, 122 espécies criticamente em perigo, 166 em perigo e 330 vulneráveis.
Amazônia legal
Embora o ritmo de desmatamento da Amazônia Legal (área de 5,2 milhões de km², que vai além do bioma Amazônia e inclui uma parte do Cerrado) venha diminuindo ano a ano desde 2008, a perda de vegetação original chegou a 14,83% em 2011, segundo estimativa divulgada na IDS 2012, do IBGE. Na pesquisa anterior, o índice estava em 14,6% em 2009. Em 1991, a devastação total da Amazônia Legal era de 8,38%. Entre 2009 e 2011, a área desmatada passou de 741,6 mil para 754,8 mil km². São 13,2 mil km² _ mais que a cidade de Manaus - em vegetação nativa perdida.

Doenças
Além da destruição da vegetação nativa, as más condições de moradia, as desigualdades raciais e regionais e o aumento na emissão de gases do efeito estufa na atmosfera afastam o Brasil do caminho do desenvolvimento sustentável, que pressupõe crescimento com preservação ambiental, qualidade de vida e inclusão social. Por outro lado, a diminuição da pobreza, da desnutrição infantil e do uso de substâncias nocivas à camada de ozônio são indicadores positivos de sustentabilidade.
O PIB per capita aumentou 21% em 14 anos, mas ainda existem 2,5 milhões de domicílios em condições inadequadas de moradia no país e as internações hospitalares decorrentes de saneamento precário são preocupantes. Apesar da redução das internações a menos da metade em 17 anos, houve muitas oscilações e aumento dos casos entre 2009 e 2010. Entre as doenças transmitidas por insetos, como dengue, febre amarela, malária e doença de Chagas, os resultados são alarmantes: aumentaram de 36,4 por cem mil habitantes em 1993 para 54 por cem mil em 2010.
Nas moradias brasileiras, o maior problema é o saneamento básico deficiente ou inexistente em três de cada dez domicílios brasileiros. Em 1992, o índice era o dobro. O total de internações por doenças ligadas ao saneamento caiu de 732,8 por cem mil em 1993 para 320,6 por cem mil em 2010. Em 2009, porém, a taxa era menor, de 281,1 por cem mil. Cresceram as doenças transmitidas por mosquitos e decorrentes de contaminação de água e alimentos.
"O desmatamento e as condições sanitárias inadequadas de parte da população, aliados ao alto índice pluviométrico e à extensão da rede de drenagem, estão entre os fatores que favorecem a transmissão de doenças transmitidas por insetos vetores na Região Norte", diz a pesquisa do IBGE, lembrando que 99,5% dos casos de malária ocorrem na Amazônia Legal. No entanto, o estudo chama atenção para o fato de que "o fluxo migratório dessa região para Ceará, Bahia e Rio de Janeiro tem levado surtos de malária a esses Estados". O estudo destaca também o aumento dos casos de dengue nos últimos anos.


Aniele Nascimento/ Gazeta do Povo / No Aeroporto Afonso Pena são executadas as obras de ampliação da pista e do pátio de aeronaves. O aumento do terminal de passageiros e a reestruturação do sistema viário ainda aguardam projetosNo Aeroporto Afonso Pena são executadas as obras de ampliação da pista e do pátio de aeronaves. O aumento do terminal de passageiros e a reestruturação do sistema viário ainda aguardam projetos
INFRAESTRUTURA

Sem projetos, obras não engrenam

A reestruturação dos aeroportos é uma das principais demandas para a Copa de 2014. Nenhum dos terminais brasileiros tem todos os planos de reforma prontos.
Parceria tenta padronizar processos
Modernizar as técnicas de gerenciamento dos projetos pode ser um dos caminhos para otimizar as obras nos aeroportos brasileiros. Com essa ideia, foi firmada recentemente uma parceria entre a Infraero e a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE). Por meio desse trabalho, um grupo de técnicos da organização acompanhará os processos que envolvem as obras de infraestrutura em 15 aeroportos, com o intuito de propor uma metodologia única a ser aplicada em todos os projetos.
“Como existem unidades de engenharia em cada um dos aeroportos, não existe uma padronização dos projetos. Com isso, enquanto em uns as obras caminham bem, em outros elas têm problemas”, diz o diretor-superintendente do FDTE, Nilton Nunes Toledo, ao citar uma das razões para a demora na elaboração de projetos. Ele aponta que, em muitos casos, a falta de critérios técnicos claros faz com que empresas sem condições de projetar as obras vençam os processos licitatórios. “Mais tarde, isso irá ocasionar problemas”, acrescenta.
Diagnóstico
Com duração de dois anos, o trabalho da FDTE será executado por 40 técnicos, que primeiramente farão um diagnóstico sobre todos os projetos, da elaboração à execução. A partir desse diagnóstico, serão apontadas as práticas necessárias para aprimorar e agilizar o processo. “Nossa intenção é que, ao final do trabalho, seja estabelecida uma metodologia uniforme, que possa ser aplicada em todas as obras dos aeroportos”, conclui Nilton. A Infraero acredita que, com a parceria, seja possível centralizar o controle das operações e assegurar mais eficiência e economia nas obras. (AG)
Alternativa
Concessões podem diminuir entraves
Um dos caminhos apontados por especialistas para reduzir os entraves na reestruturação de aeroportos é a concessão dos terminais para a iniciativa privada. Esse processo já foi deflagrado em algumas unidades. Na última quinta-feira, foram assinados os contratos de concessão dos aeroportos de Guarulhos, Campinas (ambos em SP) e Brasília. Sem a necessidade de se submeter a algumas exigências do poder público, como as que envolvem processos licitatórios, a expectativa é de que as obras possam ser desenvolvidas mais rapidamente nesses locais.
“Por ser um investimento privado, ele terá mais flexibilidade, não estará submetido às amarras que envolvem licitações e outras burocracias”, avalia Eduardo Leal Medeiros, professor da USP. Apesar disso, ele defende que haja uma fiscalização efetiva por parte do governo federal, a fim de que o usuário não seja prejudicado com a má qualidade na prestação dos serviços. Jaime Sunye Neto, presidente do IEP, também acredita que a terceirização tende a acelerar as obras, o que não diminui a responsabilidade do governo federal. “A Infraero também precisa ter mecanismos melhores de gestão, até porque tem uma grande demanda pela frente.”
Os aeroportos concedidos na última semana serão fiscalizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que também é gestora dos contratos. Os prazos das concessões são diferenciados por aeroporto: 30 anos para Viracopos (Campinas), 25 anos para Brasília e 20 anos para Guarulhos. Após a celebração do contrato, cada aeroporto será administrado por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), isto é, uma nova empresa formada pelo consórcio vencedor do leilão, em sociedade com a Infraero, que detém 49% de cada SPE. (AG)
A pouco mais de dois anos para o pontapé inicial da Copa do Mundo no Brasil, a incerteza não atinge apenas a preparação dos estádios que vão abrigar as partidas ou o desempenho da seleção brasileira comandada por Mano Menezes. Fora dos gramados, há uma estrutura necessária para comportar o maior evento esportivo do planeta que permanece, em grande parte, impalpável. Considerada uma das principais demandas para 2014, a reestruturação dos aeroportos nas cidades-sede ainda está no papel na maioria delas. Em alguns casos, o atraso nas obras começa nos projetos, que avançam a passos lentos e fora do cronograma.
Segundo o último relatório das obras da Copa de 2014, divulgado pelo Ministério dos Esportes em maio, dos 13 aeroportos que vêm sendo preparados, oito ainda estão na fase de elaboração dos projetos. De um total de dez obras, apenas quatro tiveram concluídos seus projetos básicos, aqueles que contêm apenas os elementos necessários para dimensionar sua execução. Depois disso, é necessária a elaboração dos projetos executivos, nos quais se apresenta o detalhamento da obra. Até março, nenhum dos aeroportos estava com esses projetos finalizados.
A ampliação do terminal de passageiros e a reestruturação do sistema viário do Aeroporto Afonso Pena, na Grande Curitiba, ainda aguardam os dois projetos. Enquanto o plano básico deveria ter sido concluído em maio, o projeto executivo está previsto para novembro. A principal razão da demora está na licitação da empresa responsável por fiscalizar o serviço. Como a primeira concorrência foi revogada, foram necessários mais dois meses até que se definisse a titular dos trabalhos. Por enquanto, no terminal são executadas as obras de ampliação da pista e do pátio de aeronaves.
O edital de licitação para contratação da empresa responsável pelos projetos foi lançado em dezembro de 2010, com a abertura do processo em janeiro de 2011. Pelo contrato, a empresa teria 15 meses para concluir os trabalhos – 12 para execução dos serviços e três para possíveis ajustes. Se o contrato tivesse sido assinado no início de 2011, as obras já poderiam ter sido iniciadas. Procurada, a Infraero informou apenas que tais atrasos não devem comprometer o cronograma das obras.
Reestruturação
O presidente do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Jaime Sunye Neto, ressalta que obras de infraestrutura mais complexas, como as que envolvem os aeroportos, demandam um tempo maior para elaboração dos projetos. Ainda assim, ele estima que três meses seria um prazo suficiente para conclusão do projeto básico. “O problema é que há muito tempo não se faz esse tipo de obra no Brasil. As empresas estavam desmobilizadas, tinham de se reestruturar para conseguir dar conta do trabalho”, avalia.
Para o professor Eduar­do Leal Medeiros Neto, do De­partamento de Engenharia de Transportes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), a demora na execução dos projetos reflete a incapacidade do poder público em fazer frente à demanda dos aeroportos brasileiros. “A demanda nos aeroportos explodiu nos últimos anos sem que a Infraero se preparasse para isso. O que vemos agora são projetos feitos em cima da hora, com licitações duvidosas e uma série de problemas que vão se arrastando”, critica.
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De que forma a população poderia estar mais envolvida com as obras para a Copa de 2014 e cobrar mais agilidade do poder público?

Sono incontrolável merece cuidados


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DIAGNÓSTICO

A narcolepsia tem picos de incidência na adolescência e aos 35 anos. É preciso atenção para chegar ao tratamento correto.Por 23 anos, Maria J. Vaccarelli não pôde assistir a nem um filme inteiro. E não foi por falta de vontade. O problema é que ela só conseguia manter os olhos abertos por 10 minutos depois que se apagavam as luzes. Nesse período, que durou dos 14 aos 37 anos, ela não teve nenhum emprego formal. Tentou, com muito esforço, fazer a faculdade de Matemática, mas teve de desistir porque não conseguia ficar acordada durante as aulas. Aos 20 anos, desistiu de estudar. Teve de aprender a viver com o apelido de preguiçosa até 2004, quando descobriu, finalmente, que tinha narcolepsia, um distúrbio do sono pouco comum, o que leva as pessoas a desconfiarem dos sintomas e dificulta o diagnóstico.

Em função disso, narcolépticos frequentemente são diagnosticados com depressão ou outros distúrbios do sono, mas, para muitos, eles aparentam ser apenas “preguiçosos”. “Na maioria dos casos, do ponto de vista neurológico, é bem claro que é um caso de narcolepsia. Só que, às vezes, as pessoas confundem os sintomas com outros problemas”, conta o neurologista Rubens Reimão, coordenador do Grupo de Pesquisa Avançada em Medicina do Sono do Hospital das Clínicas da USP.
Exames
Para o paciente que apresenta alguns dos sintomas da narcolepsia, dois testes são essenciais a fim de confirmar o diagnóstico clínico. Saiba mais sobre eles:
Polissonografia
O exame acontece durante a noite e realiza um estudo completo sobre o sono. Além da narcolepsia, a polissonografia é utilizada para diagnosticar diversos distúrbios, como apneia e insônia, por exemplo. O paciente dorme com sensores, e seu sono é monitorado por um técnico.
Teste de latências múltiplas do sono
Realizado no período diurno seguinte ao exame de polissonografia, este teste consiste em cinco oportunidades para a pessoa cochilar por 20 minutos, a cada duas horas. É feito um cálculo da média de tempo que o paciente levou para dormir e entrar em sono REM para definir o grau de sonolência. Se a média é maior do que dez minutos, a pessoa não tem sonolência; se a média fica entre 5 e 10 minutos, existe a sonolência diurna. Para ser caracterizada a sonolência excessiva, é necessário que essa média seja menor que cinco minutos.
Fonte: Doutora Márcia Pradella-Hallinan, neurologista e responsável pelo ambulatório de sonolência diurna excessiva da Unifesp.
Cataplexia
É a perda súbita de tônus muscular, que pode acontecer em um grupo de músculos específico ou de forma generalizada, levando a pessoa a cair. A cataplexia é um dos sintomas mais importantes da narcolepsia e está associada às emoções. Essa reação geralmente é desencadeada por fatores emocionais, como riso, choro ou medo. Os ataques podem durar de poucos segundos a minutos. A cataplexia é um sintoma que só aparece na narcolepsia, mas existem pessoas narcolépticas que não apresentam esses ataques.
Sintomas
O sono excessivo diurno é o principal sintoma e aparece em todos os casos de narcolepsia. Mas há outras características comuns como a cataplexia (leia mais ao lado), a paralisia do sono (o paciente acorda, mas não consegue se movimentar) e as alucinações hipnagógicas – que acontecem logo após se deitar.
A diferença entre pessoas saudáveis e quem apresenta o distúrbio está no tempo que cada uma leva para chegar à fase do sono chamada REM – sigla para Rapid Eye Movement, ou seja, movimentos rápidos de olho. Pessoas sem narcolepsia demoram cerca de 90 a 120 minutos para chegar lá. Já os narcolépticos entram nesse estado quase que imediatamente após deitarem. “Em geral, a pessoa não dorme mal, ela apenas tem esse sono excessivo. Por isso que exames como a polissonografia ajudam a definir se é um caso de má qualidade de sono ou de narcolepsia”, explica a chefe do serviço de Neurologia do Vita Batel, Ester London.
Causas
A doença é causada pela falta de um neurotransmissor estimulante, a orexina ou hipocretina, mas ainda não se sabe o que causa esse déficit. “A hipótese é a de que ocorreu uma alteração no sistema imunológico, que causou uma alteração ou morte dessas células que controlam a vigília, localizadas no hipotálamo”, explica a neurologista Márcia Pradella-Hallinan, responsável pelo ambulatório de sonolência excessiva diurna da Universidade Federal de São Paulo.
O distúrbio tem um pico de incidência na adolescência e outro aos 35 anos, mas o diagnóstico não costuma ser feito facilmente, leva em torno de dez anos. Maria teve de esperar 23, mas hoje se sente melhor com o tratamento e já está empregada. “Digo que nasci em 2004 [quando a doença foi diagnosticada]. No começo foi difícil até aceitar que tenho uma doença crônica. Precisei de ajuda terapêutica. Depois de passado esse tempo de aceitação, voltei a estudar”, conta.
Não há cura, mas dois tipos de tratamento ajudam o paciente a lidar com o problema. “São utilizados estimulantes para evitar esses ataques de sono e antidepressivos para diminuir os sintomas, como a cataplexia”, explica Ester.
Há também a possibilidade de se desenvolver a orexina. “Laboratórios já estão procurando sintetizar o neurotransmissor, para que o paciente possa tomar. Esse desenvolvimento está na fase de utilização em animais e servirá como novo medicamento”, diz Reimão.

sábado, 16 de junho de 2012

Enem bate recorde com 6,4 milhões de inscritos

No ano passado, cerca de 6 milhões de estudantes se inscreveram no Enem, mas pouco mais de 5 milhões pagaram a taxa e se habilitaram para fazer a prova
O número de inscritos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012 chegou a 6.497.466. Segundo balanço publicado no site do Ministério da Educação, foram registradas 275.769 inscrições a mais que a edição do ano passado. O processo foi encerrado às 23h59 desta sexta-feira (15).
Os estados que tiveram maior número de candidatos foram São Paulo (1.068.517), Minas Gerais (723.644), Rio de Janeiro (474.046), Bahia (458.101) e Rio Grande do Sul (394.641).
De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), a confirmação da inscrição só ocorre após o pagamento da taxa de R$ 35, que pode ser feito até 20 de junho. Alunos que estão cursando o terceiro ano do ensino médio em escola pública são isentos do pagamento.
As provas serão aplicadas nos dias 3 e 4 de novembro, a partir de 13h (horário de Brasília). No primeiro dia, os participantes terão quatro horas e meia para fazer as provas de ciências humanas e da natureza. No segundo, será a vez das provas de matemática e linguagens, além da redação, com um total de cinco horas e meia de duração.
No ano passado, cerca de 6 milhões de estudantes se inscreveram no Enem, mas pouco mais de 5 milhões pagaram a taxa e se habilitaram para fazer a prova. Desde 2009, o exame ganhou mais importância porque passou a ser usado por instituições públicas de ensino superior como critério de seleção em substituição aos vestibulares tradicionais.
A participação no exame também é pré-requisito para quem quer participar de programas de financiamento e de acesso ao ensino superior, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Ciência sem Fronteiras. O Enem será aplicado nos dias 3 e 4 de novembro. A divulgação do gabarito está prevista para 7 de novembro, e o resultado final deve ser divulgado em 28 de dezembro.

Excesso de açúcar prejudica o cérebro

 / Pesquisa

Excesso de açúcar prejudica o cérebro

A glicose, embora seja um combustível essencial para o raciocínio, pode gerar um efeito deletério quando presente em grande quantidade nas células

Vai fazer prova, prestar concurso, participar de um trabalho que exige grande concentração? Evite os doces antes e durante as tarefas, ao menos os industrializados, como chocolates, refrigerantes e outras guloseimas ricas em açúcar refinado. Em compensação, pode caprichar no salmão, no óleo de linhaça e nas nozes no almoço ou no jantar.
Uma pesquisa realizada na Universidade da Califórnia (Ucla) e divulgada no último dia 15 na publicação americana Journal of Psicologhy mostra que ingerir grandes quantidades de açúcar pode dificultar a comunicação entre os neurônios e deixar o cérebro lento. Por outro lado, o ômega 3 presente em peixes e em algumas sementes pode minimizar os “estragos”.
O que comer
Para manter o raciocínio ágil, a nutricionista Eda Scur dá as seguintes dicas de alimentação:
Evite: alimentos que contenham glicose em excesso e que sejam absorvidos de forma muito rápida pelo organismo, gerando um pico muito alto de açúcar no sangue. Portanto, evite ingerir muito chocolate, balas, tortas, doces e refrigerantes, que contêm muito açúcar refinado. Prefira frutas, pois, além de terem menos frutose (que depois é transformada em glicose), são ricas em fibras, que tornam a absorção do açúcar mais lenta.
Consuma: alimentos ricos em ômega 3, como peixes de águas frias (salmão, atum, sardinha), e em sementes como nozes, lichia e linhaça. São três os tipos de ômega 3 – o DHA (ácido docosaexaenóico) e o EPA (ácido eicosapentaenóico) são de origem animal, presente em peixes. Já o ALA (ácido alfalinolênico), de origem vegetal, é encontrado nas sementes.
Equilíbrio
A glicose é o único combustível do cérebro – devido à barreira hematoencefálica, que permite apenas a passagem desse monossacarídeo. Nesse caso, todo o carboidrato que ingerimos precisa se transformar em glicose antes de chegar ao cérebro.
Ausência ou deficiência: sem glicose, o cérebro simplesmente morre. Caso haja deficiência, a pessoa pode perder a consciência, entrar em coma, ter tremores, alucinações, estresse e fome.
Excesso: provoca secreção exagerada do neurotransmissor glutamato, que provoca estresse oxidativo dos neurônios, dificultando as sinapses e até mesmo matando as células.
Fonte: Hudson Famelli, Eda Scur e Renato Puppi Munhoz.
O estudo, feito com camundongos, mostrou a relação entre a ingestão de alta dose de açúcar e o comprometimento das sinapses, ligações entre as células cerebrais que possibilitam o raciocínio. Os animais, divididos em dois grupos, foram alimentados durante seis semanas com xarope de milho com alta concentração de frutose (seis vezes mais doce do que a cana-de-açúcar) e apenas um dos grupos recebeu ômega 3.
Os resultados mostram que a glicose (a frutose transforma-se em glicose no fígado, antes de cair na corrente sanguínea e chegar ao cérebro), embora seja um combustível essencial para o cérebro, pode gerar um efeito deletério quando presente em excesso nas células. Após as seis semanas, os pesquisadores puseram os ratos em um labirinto para que realizassem uma atividade que haviam aprendido antes de ingerirem frutose em excesso: encontrar a saída.
Os animais alimentados apenas com açúcar não conseguiram. Mostraram-se desorientados, sem coordenação e não acharam a saída. Já os que ingeriram DHA, um tipo de ácido graxo do ômega 3, também apresentaram dificuldades em realizar a tarefa, mas acabaram encontrando a única saída existente, embora tenham demorado mais do que a primeira vez.
Radicais livres
Tal “apagão” começa a ser desvendado pela ciência e o que já se sabe é que, se a glicose é importante para manter o motor do cérebro funcionando, uma overdose da substância não fará com que tenhamos um supercérebro. Pelo contrário: ela pode estimular a secreção acelerada do neurotransmissor glutamato, que aumenta o estresse oxidativo cerebral, gerando radicais livres que “atacam” os neurônios.
“Esses radicais livres causam pequenos danos funcionais no cérebro e até microlesões estruturais, o que faz com que o raciocínio e o funcionamento cerebral de modo geral fiquem comprometidos”, explica o chefe do Setor de Neurologia do Hospital Cajuru e professor de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Renato Puppi Munhoz.
O médico afirma que o metabolismo desacelera e até mesmo o oxigênio – outro combustível importante para manter as células vivas e em amplo funcionamento – fica com seu suplemento comprometido, já que a glicose interfere negativamente na vascularização e impede que o órgão seja plenamente irrigado. “Isso é notado em pessoas que têm diabete, por exemplo”, diz Munhoz.
Ômega 3 “compensa” malefícios
A pesquisa feita na Uni­versidade da Califórnia é uma comprovação de que a glicose em excesso pode fazer mal, algo que já é observado em pacientes com diabete ou aqueles que, mesmo sem ter a doença, têm o índice glicêmico elevado – acima de 270 dl/mg, o nível já é considerado alto. Além disso, o estudo também mostra que o ômega 3, conhecido por promover o rejuvenescimento celular, realmente faz bem à saúde.
“Há uma hipótese de que o ômega 3 ajude na reconstituição das membranas celulares. Isso porque ele é uma espécie de lipídio [gordura], e uma parte da membrana externa é feita de lipídio”, explica o neurologista do Hospital Vita Hudson Famelli. Ou seja, o ômega 3 presente em peixes de águas frias, como o salmão e a sardinha, é o principal fornecedor do material que forma as membranas, por onde a corrente elétrica do cérebro se propaga.
Mesmo quem ingere alimentos que contenham gran­de concentração desse tipo de ácido graxo, no entanto, não está liberado para exagerar naqueles ricos em glicose, como os que possuem açúcar refinado, pois a ingestão de um não compensa a do outro. A longo prazo, o hábito pode levar à obesidade, que também contribui para a “lentidão” cerebral. “O tecido adiposo libera adipocitocinas, substâncias inflamatórias que também são capazes de gerar os mesmos radicais livres e promover o envelhecimento e a morte das células”, explica a nutricionista Eda Scur.

Atividade física é remédio natural para doenças crônicas

Jonathan Campos/ Gazeta do Povo / Gabriel Luiz Dodl, aposentado Gabriel Luiz Dodl, aposentado Recuperação

Atividade física é remédio natural para doenças crônicas

Exercícios são receitados para enfartados e pacientes com problemas pulmonares, oncológicos, diabete e hipertensão. Atividades devem ser realizadas em centros de reabilitação
Quem sofreu um ataque cardíaco pode ter receio de voltar – e até mesmo começar – a realizar uma atividade física. Isso acontece porque poucas pessoas sabem que cardiologistas definem que os exercícios devem ser receitados como qualquer outro remédio. As atividades físicas e a melhora dos pacientes não estão relacionadas apenas quando se fala em problemas cardíacos. Médicos afirmam que mexer o corpo com orientação profissional beneficia qualquer pessoa que sofra de doenças crônicas, como doenças pulmonares, oncológicas, diabete e hipertensão.
A prescrição da atividade física segue a mesma lógica da de medicamentos. A dose do treinamento é específica para cada problema. “Assim como o remédio, fazer atividade física demais ou de menos pode trazer problemas”, explica a fisioterapeuta da Clínica Paranaense de Cardiologia (Clinicor) Eloísa Dias Hanna.
“Coração de atleta”
O aposentado Gabriel Luiz Dodl (foto), 69 anos, sempre praticou esportes diariamente, como natação e kung fu, e tinha o que os cardiologistas chamam de “coração de atleta”. Entretanto, há dez anos, levou um susto quando descobriu que tinha problemas cardíacos. A partir dali foram três intervenções e vários stents – um tubo perfurado que ajuda a impedir a constrição do fluxo por conta do entupimento de artérias. Em 2004, ele voltou a se exercitar três vezes por semana, agora numa clínica especializada e com acompanhamento médico, além de sempre se manter ocupado em casa. Gabriel destaca que o trabalho feito é principalmente nas pernas, já que elas são a sustentação do corpo, e que aproveita esse tempo para meditar. “O exercício físico é fundamental, parece que a gente rejuvenesce”, conta.
Cronograma
Melhor horário para as atividades é dúvida frequente entre pacientes
Uma pergunta constante dos pacientes para os médicos é: qual o melhor horário para fazer o exercício físico? Segundo os cardiologistas, não há muita importância se a atividade é feita de manhã ou à tarde. “É melhor escolher horários em que o sol está mais tranquilo, mas dificilmente o paciente decide fazer ao meio dia”, comenta o presidente da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), Marcelo Queiroga.
O cirurgião cardiovascular e diretor clínico do Hospital Vita Batel, Luiz Fernando Kubrusly, afirma que um estudo publicado chegou a mostrar que exercícios no período da manhã eram mais perigosos por causa de risco de enfarte, mas que não houve comprovação dessa relação. “Mas, pela experiência que temos, os pacientes que se exercitam pela manhã são os que menos desistem, pois à tarde somos mais vulneráveis a pedidos de amigos e familiares”, afirma.
Intensidade
Frequência cardíaca máxima é aquela que o paciente consegue atingir rapidamente, mas com a qual não deve permanecer por muito tempo. O cálculo é feito com base em uma constante, 220, menos a idade do paciente, explica o cirurgião cardiovascular e diretor clínico do Hospital Vita Batel, Luiz Fernando Kubrusly. Para a pessoa que faz um exercício curativo, a frequência cardíaca deve ficar entre 60% e 70% desse número. Essa conta não vale apenas para quem teve problemas cardíacos, mas para qualquer pessoa que esteja retomando as atividades físicas.
Por isso, a avaliação médica é essencial, assim como o acompanhamento multiprofissional. Eloísa afirma que na Clinicor há, inclusive, uma mini-UTI, preparada para a eventualidade de alguém passar mal durante o treino. A Academia Americana de Cardiologia recomenda que o tempo de atividade física seja de cerca de 180 minutos por semana, distribuídos da forma mais homogênea possível.
Outra variável da dose de atividade é o tempo de internação, mas todos passam pelas mesmas etapas. “A programação é feita entre exercícios aeróbicos, como bicicleta ou esteira, caminhada em ambiente aberto e musculação”, explica o chefe do serviço de Reabilitação Cardíaca do Instituto Nacional de Cardiologia, Daniel Kopiler.
Para começar os exercícios, o problema apresentado também é levado em consideração. No caso da cirurgia cardíaca, os exercícios aeróbicos são indicados para o começo da reabilitação, passando para a musculação depois da cicatrização do esterno (osso que une as costelas na região do peito e que é cortado durante a cirurgia cardíaca). Já no caso de enfarte, as atividades variam conforme a extensão do ataque. Em alguns casos, o enfartado pode buscar um centro de reabilitação logo após a alta.
O tempo do tratamento por meio de exercício não é programado, já que deve acompanhar a pessoa pela vida toda. “A atividade física é benéfica para todos, não apenas os cardíacos, já que é uma forma de prevenir as doenças vasculares. Para quem já as tem, é uma forma de melhorar”, diz o cardiologista Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI).
Centros de Reabilitação
O paciente que faz exercício para se recuperar precisa de um acompanhamento multiprofissional, não apenas de um educador físico. Para isso, existem os centros de reabilitação, que orientam quem passa por lá em áreas como cardiologia e fisioterapia. Daniel Kopiler destaca que os centros de reabilitação ainda são poucos e que pessoas de poder aquisitivo menor não têm o mesmo acesso. “Nos Estados Unidos, sabe-se que apenas 15% a 20% das pessoas que tiveram enfarte têm acesso a esses centros. No Brasil, não se tem dados, mas pode-se prever que o número é ainda menor.”

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As atividades físicas contribuem para a recuperação e

Curitiba pretende vacinar mais de 108 mil crianças contra poliomielite

Cesar Brustolin / Secreatia Municipal de Comunicação Social de Curitiba / Divulgação / A partir de sábado, Curitiba deve vacinar mais de 108 mil crianças de até cinco anos contra a paralisia infantil ou poliomielite A partir de sábado, Curitiba deve vacinar mais de 108 mil crianças de até cinco anos contra a paralisia infantil ou poliomielite Campanha nacional

Curitiba pretende vacinar mais de 108 mil crianças contra poliomielite

Campanha nacional contra a doença começa no próximo sábado (16) em todo o país

A Secretaria de Saúde de Curitiba pretende vacinar, no mínimo, mais de 108 mil crianças de até 5 anos contra a paralisia infantil ou poliomielite a partir do próximo sábado (16) até o dia 6 de julho. Ao todo, as duas gotinhas com a imunização contra a doença serão distribuídas gratuitamente em 267 locais da capital. Pela primeira vez, em 33 anos da campanha, o Ministério da Saúde decidiu que, neste ano, a dose será ofertada em apenas uma etapa. Até o ano passado, a campanha abrangia duas etapas, em geral realizadas em junho e em agosto.
A partir deste fim de semana, a dose contra a pólio pode ser encontrada em qualquer uma das 109 unidades básicas de saúde de Curitiba. A meta é atingir pelo menos 95% do total da população de crianças de até 5 anos, estimada em 114,2 mil pessoas.
No ano passado, a campanha de vacinação contra a paralisia infantil imunizou na capital 122,1 mil crianças na primeira fase, o equivalente a 106,9% da cobertura total, e 114,2 mil na segunda (103,5%). Os dados indicam que crianças de outras cidades se vacinaram na cidade, segundo a Secretaria de Saúde de Curitiba.
A doença não registra casos no Brasil desde 1989, no Paraná desde 1986 e em Curitiba desde 1985. Mesmo assim, as campanhas continuam na agenda do Ministério da Saúde porque o vírus ainda circula no mundo e é a doença é considerada endêmica pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no Afeganistão, na Nigéria e no Paquistão. A Índia saiu recentemente dessa lista. Porém, Angola, Chade e Congo, que já estiveram livres da doença, voltaram a registrar casos em 2012.
Carteira de vacinação
A diretora do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, Karin Luhm, lembra os pais a levarem as crianças para tomar a vacina contra a poliomielite e não esquecer a carteira de vacinação. O documento é importante para que os agentes de saúde verifiquem se alguma vacina deixou de ser aplicada. “Não deixem de levar a Caderneta de Saúde da Criança para os vacinadores conferirem todas essas informações”, falou em entrevista a Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba.
Uma das doses que a criança pode receber é a complementação da imunização contra a gripe. Karin diz que a data é favorável para quem tem crianças de 6 meses a 2 anos incompletos, no caso da vacina contra a gripe. “Esse é o caso somente das que não tomaram nenhuma dose na campanha do ano passado.”

Especialistas do InCor vão orientar médicos do SUS

 Christian Rizzi/ Gazeta do Povo / Renato e a esposa, Carla. Apesar do salário baixo, ele considera válida a experiência do programa
O projeto pretende agilizar o início do tratamento, tendo em vista que 5% das mortes ocorrem na primeira hora da manifestação da doença e 80% em até 24 horas, segundo dados do Ministério da Saúde
Especialistas do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas de São Paulo vão ajudar a diagnosticar doenças cardiovasculares em até 200 unidades de saúde do país. A orientação será dada à distância por meio de videoconferência. O projeto pretende agilizar o início do tratamento, tendo em vista que 5% das mortes ocorrem na primeira hora da manifestação da doença e 80% em até 24 horas, segundo dados do Ministério da Saúde.
O convênio entre o ministério e o InCor, assinado na sexta-feira (15), começa a vigorar em um mês, com uma fase piloto nos prontos-socorros da zona oeste de São Paulo. De acordo com ministério, em 2009, as doenças cardiovasculares representaram 31% das mortes no Brasil, sendo a principal causa de incapacidade e de mortalidade. “Nossa intenção é que a expertise [conhecimento e experiência] do Incor chegue aos lugares mais remotos do país, ajudando a democratizar o acesso dos brasileiros aos avanços científicos”, explicou Roberto Kalil, diretor da Divisão Cardiologia do instituto.
Uma equipe estará disponível 24 horas por dia para prestar a orientação à distância. A expectativa dos órgãos é que, em até dois anos, 200 unidades do sistema público de saúde se credenciem para participar do projeto. “Quando falamos da inclusão do InCor no programa, muitas unidades manifestam grande interesse em participar”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Somos uma instituição que serve ao Brasil, não só a São Paulo. Recebemos milhares de pacientes do país e também da América Latina”, complementou Kalil.
Serão usados recursos de imagem, som e transmissão de dados. De acordo com o InCor, a central de telemedicina é composta por equipamento portátil de eletrocardiograma, microcomputador com monitor de alta resolução, câmera de vídeo para internet, microfone e fone de ouvido. O ministério disponibilizou R$ 991 mil para a primeira fase do projeto, que integra o Programa Telessaúde Brasil Redes, que já chegou a 1.733 unidades de saúde do país.
Padilha avalia que, além de ajudar no diagnóstico das doenças do coração, o projeto vai contribuir para o avanço da pesquisa médica. “Os profissionais vão vivenciar como é tratar, no cotidiano, pessoas em diferentes localidades do país. Teremos, certamente, mais estudos e mais pesquisas a partir de diversas realidades”.
Na assinatura do convênio, também foi anunciado o investimento de R$ 8 milhões na modernização tecnológica do InCor. Serão adquiridos aparelhos de tomografia, ultrassom e ecocardiograma, além de monitores e centrais de monitoramento de pacientes em estado crítico. Os novos equipamentos serão destinados, principalmente, para os tratamentos intensivos.