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Professor de Língua Portuguesa na Rede Estadual de Ensino - Governo do Paraná

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Turismo


Turismo

Quinta-feira, 19/07/2012
Rosa Santos
Rosa Santos / O Parlamento, em Ottawa, e o monumento que comemora a unificação do Canadá: vários países em umO Parlamento, em Ottawa, e o monumento que comemora a unificação do Canadá: vários países em um
INTERNACIONAL

Canadá multiuso

Capitais canadenses em momentos distintos, Toronto, Ottawa, Montreal e Quebec são destinos imperdíveis.
Paisagem colorida é outra coisa. Depois de mergulhar em um cenário branco de neve por cinco meses, os canadenses celebram o verão, em qualquer intensidade. O menor raio de sol é comemorado com camisa sem mangas, chinelos de dedo, vestidos e bermudas, mesmo que o vento gelado sopre forte à beira do Lago Ontário, em Toronto, ou o clima não seja 100% estável. No começo da estação, a temperatura ainda oscila entre 13 e 27ºC e não dá para confiar que o dia que começa sorridente e ensolarado não vá acabar um pouco mais cinza. Mas, é verão no calendário.
Quem mora onde o termômetro não conhece limites negativos na coluna de mercúrio, não pode dar-se ao luxo de colocar o nariz na rua somente quando o tempo permite. Ainda que os canadenses tenham recursos para evitar a exposição ao frio: em Toronto e Montreal, mais de 30 quilômetros de galerias subterrâneas poupam os cidadãos de andar na chuva e no frio durante o inverno. Por baixo da terra é possível sair de casa, chegar ao trabalho, almoçar, acessar serviços e fazer compras sem colocar o pé na calçada a céu aberto. No verão, elas também podem ser úteis, além de imperdíveis pela estrutura arquitetônica e urbanística que proporcionam ao turista. Dá para escapar de chuvas inapropriadas durante alguns passeios, por exemplo. São 1.200 estabelecimentos, entre hotéis, shoppings e lojas de departamento que têm ligação com o PATH e o sistema de metrô, em Toronto. A fórmula se repete no RES, em Montreal. E, mesmo com um bom e caro sistema de transporte – a passagem integrada em Toronto pode sair por CAD$ 10 por dia (quase R$ 20) –, o grande barato do turismo do Canadá é curtir as principais cidades a pé ou de bicicleta. Por cima ou por baixo, o cenário vale cada passo ou pedalada.
Essencial
O que você precisa saber para planejar a sua viagem
• Visto
O Canadá exige visto para turistas. O documento pode demorar até 30 dias para ficar pronto, mas pode ser feito pela internet (www.csc-cvac.com). Custa CAD$ 75 para uma entrada (um ano de validade) e CAD$ 150, para múltiplas entradas (até três anos de validade).
• Moeda
O dólar canadense tem cotação equivalente ao dólar americano (em torno de R$ 2,05). Em Toronto, as compras podem ser feitas em qualquer dólar, na maior parte das vezes sem ágio. Na parte francesa, tem comerciante que despreza o dinheiro americano. Há lojas, como The Bay, que dão desconto para o turista. Basta apresentar o passaporte.
• Como chegar
Passagem de São Paulo a Toronto pela Air Canada a partir de CAD$ 1.200 (para saídas em agosto).
• Pacotes
Toronto a Toronto: Oito noites de hospedagem. A partir de US$ 1.399 por pessoa em quarto quádrulo, somente a parte terrestre. Na Talk Tour. Informações no site www.takstour.com.br.
Canadá de Costa a Costa: 19 dias e 17 noites, a partir de US$ 3.659 por pessoa, somente parte terrestre. Saídas de São Paulo em agosto. Informações no site www.flytourviagens.com.br.
• Sites
Tourism Toronto - www.seetorontonow.com
Visit Ottawa - www.ottawatourism.ca
Tourisme Montreal - www.tourisme-montreal.org
Quebec City Tourism - www.quebecregion.com
St. Lawrence Market - www.stlawrence.com.br
CN Tower - www.cntower.ca
Parque Montmorency -www.sepaq.com/chutemontmorency

Verão nas capitais do Canadá
A estação do calor é aguardada com ansiedade pelos canadenses, que saem da toca para festivais de rua e atividades ao ar livre
As principais cidades da Costa Leste do Canadá, a primeira a ser ocupada pelos colonizadores franceses, no fim do século 16, mantêm sua importância histórica, cada uma com uma referência distinta. Toronto, porta de entrada para os brasileiros, é a antiga York, capital do Canadá de baixo e hoje o centro financeiro do país. Ottawa é a capital nacional e da província de Ontário, concentra as decisões políticas. Montreal já ocupou o posto de principal cidade canadense, também como capital, em 1840, na unificação da nação. Hoje é polo do conhecimento, com quatro universidades. Quebec City, onde o país começou, no estreito do Rio São Lourenço, mantém o título de capital da província do mesmo nome, e foi a capital do Canadá de cima em 1791.
Conhecer essa região é viver a experiência de visitar diferentes países em um só. A colonização europeia – primeiro francesa, depois inglesa –, a influência da cultura aborígene e a proximidade com os Estados Unidos fazem do Canadá um caldeirão de influências. O idioma é o mais evidente. O inglês é dominante em Toronto, mas divide os falantes em Ottawa, onde o rio de mesmo nome marca a separação entre as províncias de Ontário e Quebec, a parte franco-canadense. Separação não é exagero, mesmo que os habitantes locais insistam em amenizar a diferença entre colonizações. Do outro lado do rio, a França é a referência. Até a sinalização urbana da vizinha Gatineau é primeiro em francês, depois em inglês. O que pode ser uma vantagem para o turista que não domina plenamente a língua inglesa. O pouco uso e a aversão ao idioma fazem com que moradores, comerciantes e guias no lado francês se esforcem para conversar na língua do visitante. Se for impossível e o inglês for a única forma de comunicação, a fala é mais lenta, o que ajuda na compreensão.
O deslocamento entre as capitais é uma diversão à parte. Pelas rodovias com bom pavimento ou de trem, a paisagem se alterna entre casas à beira dos lagos e pequenas fazendas.
Montreal
Capital cultural
Cidade concentra os mais variados festivais
AFP
O título de capital cultural justifica-se pelas quatro universidades e quase uma centena de museus, galerias de arte e centros de cultura. Ainda que a febre de festivais de rua tome conta do país durante o verão, Montreal parece ter inventado esse modelo de manifestação cultural. São centenas realizados a cada temporada. O resultado são ruas lotadas de pedestres e trânsito mais complicado por causa dos bloqueios para acomodação de palcos, barracas de arte, artesanato e comida, em especial na região do Quartier des Spectacles, onde são concentrados os eventos culturais. Também é a cidade-sede do Cirque du Soleil, onde as apresentações fixas custam a partir de CAD$ 80.
Montreal consegue aliar o aspecto histórico da sua colonização franco-inglesa com o desenvolvimento. A cidade velha, onde está a catedral de Notre Dame de Montreal – visita imperdível por CAD$ 5 – , tem também a região portuária e centenas de prédios antigos agora ocupados por escritórios de design e empresas de tecnologia. A fórmula se repete em outros pontos da cidade: bancos históricos e igrejas centenárias desativadas se tornaram caros condomínios residenciais.
As bicicletas são meio de transporte comum e podem ser alugadas no mesmo sistema usado em Toronto, o Bixi. Ciclovias cortam desde o charmoso bairro universitário de Mile End até o Mont Royal, parque urbano que deu nome à cidade localizada às margens do Rio São Lourenço. A colina é o parâmetro para o crescimento vertical de Montreal: nenhum edifício pode ultrapassar sua altitude, de 234 metros acima do nível do mar. Também palco de festivais, caminhadas, corridas, piqueniques no verão, proporciona uma bela vista panorâmica e vira um parque de diversões na neve durante o inverno, com esqui e trakking no meio das árvores.
Se o objetivo for comprar, a Sainte Catherine Street, no centro da cidade, concentra shoppings centers, lojas de marcas de todos os segmentos (de roupa a eletrônicos) e um variado comércio local de rua. A área é cortada por galerias subterrâneas, que interligam os grandes shoppings a estações de metrôs, hotéis e edifícios comerciais, como ocorre em Toronto.
Quebec
Capital histórica
Ruas medievais de contos de fadas
AFP
Do estreito do Rio São Lourenço, por onde os colonizadores franceses chegaram e fundaram Quebec, o visual do Chateau Frontenac é imponente. O hotel, inaugurado em 1893, tem 618 quartos e é símbolo da cidade. A obra marca a divisão entre a parte baixa, onde estão o porto, as ruelas e construções medievais, hoje ocupadas por lojas, restaurantes e cafés, e a cidade alta, parte mais moderna de Quebec, acessada por íngremes escadarias ou um funicular (CAD$ 2 por trecho).
É pela água também que dá para apreciar outros dois belos cenários. O cruzeiro de uma hora e meia no barco Louis Jolliet vai até a ponte entre o continente e a Ile d’Orleans, território de veraneio dos locais, com casas de campo, pequenos criadores, produtores de cassis e frutas silvestres. Perto dalí, dá para ver a queda de Montmorency, com 83 metros de altura, formada pela barragem da usina de energia elétrica que abastecia a indústria de algodão na colonização. Ver de longe, porém, não dispensa a visita. Além do funicular que leva até o restaurante montado em uma casa de 1781, é possível contornar a queda d’água, em uma caminhada entre escadarias e pontes, com paradas estratégicas nos mirantes.
Na volta à cidade, vale andar pelas ruas, em especial a Saint Jean, que começa em um bairro gay e concentra lojas sofisticadas de objetos, roupas e móveis. Tem até uma de temática medieval, do vestuário à decoração. Não faltam barracas de artesanato e cafés com mesas na calçada. Em direção à parte baixa, a Rue du Trésor é uma travessa estreita com as paredes forradas de gravuras e quadros de artistas locais.
Do outro lado, pela Saint Louis, a dica é um passeio pelo Parque do Campo de Batalhas, uma das áreas verdes ocupadas por festivais de verão. De lá é possível chegar ao Terrasse Dufferin, uma larga passarela de madeira entre a parte alta e a parte baixa, que proporciona outro belo panorama do rio e a cidade de Lévis, na margem oposta.
Ottawa
Capital política
Rio divide povo franco-inglês
AFP
A capital política do Canadá tem um clima mais descontraído. Adolescentes circulam nos arredores do Byward Market, região com lojas e cafés, além de produtores locais de ervas, flores e hortifruti orgânicos e alta concentração de pubs, lojas de suvenires, móveis, objetos e moda. A área é cheia de artistas de rua e barraquinhas de bugigangas nas calçadas.
Perto dali, um tour guiado gratuito no Parlamento, edifício de estilo gótico, leva visitantes à sua biblioteca original, única estrutura que não sucumbiu ao incêndio que destruiu o prédio, em 1916. Da torre do relógio, a vista panorâmica do Rio Ottawa convida para cruzar a ponte Alexandra ou pegar um táxi aquático – CAD$ 5 pela travessia em 15 minutos – e conhecer o Museu da Civilização, na vizinha Gatineau, já na província de Quebec. O museu merece um dia inteiro de visitação: a área dos aborígenes – com totens originais –, as mostras permanentes sobre a colonização, com instalações cenográficas e réplicas perfeitas, ajudam a comprender a diversidade canadense.
O relevo acidentado de Ottawa desencoraja os passeios de bicicleta e exige bom fôlego para o sobe e desce a pé. Mas os jardins e ciclovias do Rideau Canal, considerado Patrimônio Mundial da Unesco, convidam às pedaladas. Construído em 1832, conecta o Lago Ontário e o Rio São Lourenço a Ottawa. Usado no inverno (para hóquei e patinação) e no verão (para canoagem e esportes aquáticos), é um dos recintos dos festivais ao ar livre realizados nos dias mais quentes.
Toronto
Capital financeira
Paisagem de aço e concreto
Anna Paula Franco e Karlos Kolbach
O verão não chega a colorir Toronto. Sem o branco-neve, a cidade fica cinza-prédio, com muitas obras nas ruas e reflexos nas fachadas espelhadas. Porta de entrada para os brasileiros (voos diretos para o Canadá são via Toronto), a capital financeira do país impressiona pela arquitetura. A CN Tower, com 533 metros de altura, é o símbolo da cidade, localizada às margens do Lago Ontário. A torre pode ser explorada por dentro e por fora: o restaurante gira 360º e o visitante ainda pode fazer uma volta panorâmica pelo lado de fora.
A orla do Lago Ontário é a praia dos locais. Além da faixa de areia, há passeios de barco com almoço e bar a bordo. As bicicletas do sistema Bixi, alugadas em estações espalhadas pela cidade por CAD$ 5 a partir de 30 minutos, são boa alternativa para explorar toda sua extensão. Também dá para ir de bike até o Destilary History District, área industrial que foi totalmente revitalizada e hoje concentra lojas de objetos, moda, restaurantes, livrarias, cafés e obras de arte.
Com 2,5 milhões de habitantes e 200 etnias diferentes, o turista pode ter um pouco de dificuldade para escolher qual cozinha internacional experimentar. A cidade tem pontos étnicos (chineses, italianos, gregos, indianos), onde a culinária é um dos referenciais mais marcantes. Se o sabor brasileiro estiver fazendo falta ao paladar, a dica é provar o Cajú, restaurante do mineiro Mario Cassini, instalado há dez anos na Queen Street West, região de bares e lojas descoladas.
St. Lawrence
Mas festa de sabores mesmo é no St. Lawrence Market, o mercado municipal de Toronto, eleito em 2012 o melhor do mundo no setor de alimentos, pela revista National Geographic.
O lugar conta a história da cidade, em dois edifícios distintos. O prédio da ala norte foi construído em 1803 e reformado depois de um incêndio. Ali ficam os hortifrutigranjeitos, onde donos de restaurantes locais também buscam especiarias raras, temperos e ingredientes para compor seus cardápios. O prédio da ala sul é de 1845. Até 1899, foi sede da prefeitura de Toronto. No subsolo, funcionava a prisão da cidade. É nesta área que estão os restaurantes, uma grande variedade de produtos alimentícios, lojas de suvenires e uma galeria de arte.
Entre as lanchonetes, destaque para a Carousel Bakery, padaria instalada no local há mais de 30 anos e dona da receita do sanduíche mais tradicional de Toronto, o imperdível peameal bacon, um bacon tipicamente canadense misturado ao fubá servido num pão português. Custa CAD$ 5,75 e vale uma refeição. Atenção às mostardas para acompanhamento: a mais picante faz arder os olhos e descongestiona todas as vias áreas.
Cada um dos 50 estandes do St. Lawence oferece um novo sabor. O Rube`s Rice Shop, por exemplo, é uma loja especializada em arroz. São mais de 50 tipos. Há estandes com vinhos canadenses e o icewine, produzido por uvas que são colhidas congeladas durante o inverno, na região de Niagara. O preço médio de uma garrafa é de CAD$ 100.
A proximidade do país com o Alasca garante frutos do mar gigantes e de alta qualidade. Camarões com mais de 15cm, enormes lagostas e lulas ficam expostos, provocando os paladares. O mercado também tem uma grande variedade de carnes de caça, queijos e condimentos, como a mostarda, cuja produção é referência no Canadá.
Os jornalistas viajaram a convite do Turismo de Toronto e da Comissão Canadense de Turismo.

ESTILO DE VIDA | 3:20

Canadá: emoção e frio na barriga a 533 metros do chão

O repórter Karlos Kolbach encarou o desafio de dar uma volta panorâmica pelo lado de fora da CN Tower, em Toronto. A aventura exige coragem, mas a recompensa é uma vista inigualável da cidade.

Falta de pesagem destrói asfalto em rodovias federais


Vida e Cidadania

Quinta-feira, 19/07/2012

Marcelo Andrade/Gazeta do Povo / Buraco no Contorno Sul de Curitiba: operações tapa-buraco não dão conta do problemaBuraco no Contorno Sul de Curitiba: operações tapa-buraco não dão conta do problema
ESTRADAS

Falta de pesagem destrói asfalto em rodovias federais

Suspensão da licitação para montagem de balanças em BRs prejudica fiscalização de caminhões com excesso de carga.
Quase um ano após um relatório da Controladoria Geral da União (CGU) motivar a suspensão da licitação da segunda fase do Plano Nacional de Pesagem nas rodovias federais, as estradas administradas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) começam a sentir os efeitos do sobrepeso dos caminhões. Muitas delas estão esburacadas e cheias de ondulações.
O plano audacioso do Dnit previa a instalação de 238 postos de pesagem fixos e móveis, que seriam colocados nas principais rotas de tráfego de carga do país. A primeira fase, licitada em 2007 ao custo de R$ 262 milhões, pôs em funcionamento 77 balanças. Mas a segunda e derradeira etapa, para a colocação dos outros 161 postos, acabou suspensa após a CGU apontar uma série de equívocos no edital, que vão desde a falta de controle em repasses para elaboração do projeto básico até o sobrepreço no orçamento. A varredura ocorreu em 2011, após denúncias da imprensa sobre contratos do Ministério dos Transportes.
Outro lado
Dnit não se manifesta sobre ações do Ministério Público Federal
Sem querer se manifestar especificamente sobre as ações movidas pelo Ministério Público Federal, o Dnit se limitou a informar que o edital para instalação de balanças foi revogado, sem prazo para ser refeito, e que responde às ações somente depois que é notificado, quando há decisão judicial.
O departamento, porém, ressaltou o investimento realizado na instalação dos 77 postos de pesagem que estão em funcionamento. De acordo com o Dnit, os postos foram instalados com base em pesquisas de origem e destinação de veículos de modo que as principais cargas do país passem por eles, seja perto da origem ou antes do destino final.
Justiça
MPF aponta descaso com trechos de estradas federais no Paraná
Após entrar com a ação cobrando a instalação de balanças nas BRs 163 e 272 na Região Oeste do Paraná, o Ministério Público Federal (MPF) também ingressou na Justiça contra a União, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) cobrando melhorias em trechos de rodovias federais no estado.
Segundo a promotora Monique Cheker de Souza, a ação foi movida devido às condições de abandono da BR-163, no trecho entre a ponte sobre o Rio Iguaçu, em Marmelândia, e a BR-277, em Cascavel.
Abandono
Ainda de acordo com a denúncia, a BR-163 era de responsabilidade do DER-PR e foi transferida ao patrimônio da União em outubro de 2010. Na ação, o MPF alega que durante todo o período de tramitação do processo de transferência e até um ano após a sua conclusão, a rodovia teria permanecido sem manutenção. Com isso, o trecho de Marmelândia estaria com buracos e ondulações, falta de sinalização e ausência de acostamentos.
No primeiro semestre deste ano, segundo estatísticas da Polícia Rodoviária Federal repassadas ao Ministério Público Federal, foram registrados 77 acidentes na BR-163, com oito mortos e 51 feridos. (RM)
Culpa
Motoristas acusam transportadoras por sobrecarga nos fretes
Caminhoneiros ouvidos pela Gazeta do Povo afirmam que algumas transportadoras obrigam motoristas a trafegar acima do limite de peso e dizem temer pelos colegas que se submetem a essa situação, já que o risco de acidente na estrada se torna ainda maior devido ao desgaste excessivo de componentes como freio e suspensão.
Rosário Teixeira Duarte, 65 anos, nascido em Campo Mourão (Centro do Paraná), trabalha nas estradas brasileiras há 40 anos e diz que não se sujeita a dirigir com sobrecarga. O motorista, porém, admite que essa afronta à lei é comum Brasil afora. “Já vi motorista trafegar com excesso de 13 toneladas. Eles saem pelos morros, nas rotas alternativas, e o risco de tombar o caminhão é grande.”
Duarte afirma que a fiscalização do excesso de peso beneficia não só o asfalto. “Com o peso dentro do limite, sobra mais carga para todos os colegas trabalharem.”
Já o curitibano Jairo Emílio Puka, 52 anos, caminhoneiro há 25, critica a busca desenfreada pelo lucro das transportadoras. “Todos querem ganhar e é até natural que a transportadora não queira perder um frete por uns quilos a mais na carga. Mas vai da consciência de cada um.”
Com a suspensão do edital das balanças, o Dnit agora é alvo do Ministério Público Federal (MPF). No início deste mês, a Procuradoria de Umuarama ingressou com uma ação civil pública contra o órgão governamental cobrando a instalação de postos de pesagem nas BRs 163 e 272 no Paraná, estado cujas rodovias federais não têm balanças e que deveriam receber quatro desses postos caso a licitação tivesse sido levada ao fim.
Na ação movida pelo MPF, uma fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF) é utilizada como argumento para a instalação das balanças nas duas rodovias. De acordo com a PRF, uma operação no ano passado resultou na autuação de 35 motoristas que trafegavam com sobrepeso que somava mais de 200 toneladas.
Abuso
De acordo com o Plano Diretor Nacional Estratégico de Pesagem, 77% dos caminhões trafegam com excesso de peso e apenas 10% de excesso de peso por eixo já reduzem em até 40% a vida útil do asfalto. Trecho do mesmo documento publicado no site informa ainda que o excesso de carga “acarreta redução da velocidade e da capacidade de frenagem, o que coloca em risco a vida de motoristas, além de acelerar o desgaste de veículos”.
Além de acarretar mais gastos aos cofres públicos para a recuperação das estradas, o sobrepeso de cargas impacta no mercado privado. A Organização pa­­ra Cooperação e Desen­vol­vimento Econômico (OCDE) estima que até 2% do PIB de uma nação pode ser desperdiçado em consequência dos danos causados às rodovias pelo excesso de peso.
“A distribuidora acaba dando um tiro no próprio pé, porque o custo com manutenção decorrente das péssimas condições das estradas será maior do que o lucro do frete e isso encarece nossos produtos”, diz a economista Maria Lucia Filardo, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Uni­versidade de São Paulo (FEA-USP).
O Dnit estabelece limites de carga para cada modelo de caminhão ou carreta que trafega no país. Em caso de descumprimento dessas regras, as sanções previstas no Código Brasileiro de Trânsito vão desde advertência até a cassação do direito de dirigir. Em caso de cargas acima de 5% do limite, o motorista é obrigado a fazer o transbordo antes de prosseguir a viagem.
Estado usa balança móvel para fiscalizar os excessos
A ausência de locais de pesagem nas rodovias federais também traz consequências para as vias administradas pelos estados. Isso porque o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) não conta com postos fixos de fiscalização. Segundo o engenheiro Nilton Merlin, do DER-PR, o órgão tem uma malha rodoviária de pouco mais de 10 mil quilômetros pavimentados e a fiscalização é realizada com equipamentos móveis. “Não conseguimos fazer uma fiscalização em todas as rodovias, por isso construímos pistas de pesagem para trabalharmos com sistema de rodízio, em caráter de blitz e com equipamentos volantes”, explica. No total, o DER-PR diz manter cinco equipes, cada uma com uma balança móvel, para fiscalizar abusos dos caminhoneiros.
Apesar de admitir que a fiscalização nas rodovias estaduais não é realizada em sua totalidade, Merlin critica a administração do Dnit, que passou a gerenciar o posto de pesagem da BR-163. “Sempre operamos a balança da BR-163 e a rodovia se mantinha num estado de regular para bom. Depois que o Dnit assumiu a rodovia, a balança nunca mais entrou em operação.”
Concessões
Se a fiscalização nas rodovias federais e estaduais não engloba toda a malha rodoviária, nas vias sob concessão da iniciativa privada essa realidade é bem diferente. No Brasil são mais de 15 mil quilômetros de rodovias concedidas, nas quais há 126 balanças – 24 delas no Paraná.
Em 2011, nos trechos sob concessão, foram autuados 73.271 veículos com sobrepeso enquanto no primeiro semestre deste ano 27,8 mil foram flagrados nessa irregularidade. “Nossos operadores já flagraram uma carreta com mais de 19 toneladas de excesso”, conta o engenheiro civil Márcio Agulham Martins, coordenador de operações da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias.

Vinhos franceses: reinado garantido


Divulgação /
ESPECIAL

Vinhos franceses: reinado garantido

Mesmo vendendo menos que os sul-americanos, os rótulos franceses estão mais acessíveis e não perderam o glamour. Conheça as características da bebidas produzidas em Bordeaux, Borgonha e Rhône.
Que o mercado de vinhos no Brasil está em franca expansão não é novidade. Beber vinho se torna algo cada vez mais brasileiro e muitos países disputam uma fatia do mercado tupiniquim. Com a quantidade vem a qualidade e os tradicionais rótulos franceses também estão neste páreo superdisputado. A vantagem deles é a tradição e o savoir faire (experiência), além do preço, que ficou mais competitivo nos últimos anos.
Os franceses ganharam mais espaço entre os brasileiros nos últimos anos, apesar de ainda representarem em torno de 5% da importação de vinhos do Brasil – desconsiderando os espumantes, que hoje dominam o mercado. Os tintos e brancos franceses acompanharam o crescimento do consumo da bebida, mas ainda perdem em volume para os chilenos, argentinos, italianos e portugueses, segundo dados do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).
Divulgação
Divulgação / Por  ficarem  nas encostas e em maior contato com o sol, os vinhos na região do Rhône são mais potentesAmpliar imagem
Por ficarem nas encostas e em maior contato com o sol, os vinhos na região do Rhône são mais potentes
Números
3,4 milhões de litros de vinhos franceses foram comercializados no Brasil em 2011, representando 5% do mercado de importação no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). Perdem em volume para os chilenos, argentinos, italianos e portugueses.
Para o colunista de vinhos do Bom Gourmet, Guilherme Rodrigues, são vários os fatores que fizeram os vinhos franceses ganhar um espaço maior no mercado. “Atualmente os franceses de preço mais acessível estão bem mais redondos e bem acabados. Além de que, com as crises, os franceses precisaram vender mais e vêm baixando os preços, começando a ficar mais competitivos. Com isso, passamos a ter no Bra­sil acesso a vinhos franceses bem palatáveis, sem doer demais o bolso”, avalia.
Nos últimos anos, os preços caíram e a partir de R$ 50 pode-se comprar vinhos franceses. Mesmo assim algumas garrafas facilmente passam de dezenas de milhares de reais, como o Grand Cru borgonhês Romanée-Conti. Além do preço mais acessível, os produtores passaram a desenvolver rótulos de fácil degustação. Mesmo assim não perdeu em qualidade. Guilherme Rodrigues explica que os vinhos são classificados em três qualidades: baixa, média e alta. “Dentro da alta, cerca de 80% [dos vinhos produzidos no mundo] são vinhos franceses”, afirma.
Para o sócio proprietário da WineStock, Douglas Andreghetti, os produtores da França ao longo dos séculos desenvolveram um marketing próprio que virou sinônimo de vinho. “Produtores do Novo e Velho mundo plantam até as mesmas uvas com o objetivo de ter ótimos vinhos”, diz. A importadora existe há três anos e tem 400 rótulos exclusivamente franceses.
Regiões
A produção do país está dividida entre microrregiões. Algumas das mais emblemáticas são: Bordeaux, Borgo­nha, Rhône, Alsácia, Vale do Loire e claro, Champagne. Cada região utiliza uvas específicas como a Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Syrah e Sauvignon Blanc – também vistas no Chile e na Argentina. Ou seja, engana-se quem associa vinho francês a tinto. O próprio champagne é um exemplo de que os brancos também fazem sucesso.
Diversos fatores caracterizam os rótulos. O clima de cada região tem impacto direto no resultado. Seja na potência de um Bordeaux, nos aromas mais frutados de um Borgonha, ou mesmo na mineralidade de um Veuve Clicquot brut. A única característica inerente a todos é que independente da safra ou da cave, o vinho francês ainda não perdeu o reinado.
E para mostrar este universo de glamour o Bom Gourmet convidou um time muito especial, de grandes conhecedores de vinhos, para escrever sobre o tema. Além do nosso colunista de vinhos, Guilherme Rodri­gues, os jornalistas Luiz Carlos Zanoni e Luiz Augusto Xavier, e o fotógrafo Jomar Brustolin.
Bordeaux, o rei dos tintos
Guilherme Rodrigues, colunista de vinhos da Gazeta do Povo
O vinho tinto da região francesa de Bordeaux é o soberano inconteste do mundo de Baco. Possui rivais de peso, dentre eles os celestiais vinhos da Borgonha. Contudo, nenhuma outra região do planeta é capaz de produzir a quantidade colossal de vinhos tintos qualificados que Bordeaux edita a cada safra. De lá saem os famosos Châ­teaux Pétrus, Che­­­val Blanc, Haut Brion, Lafite Rothschild, entre tantas outras celebridades.
A região é o terroir natural e perfeito da casta mais importante do mundo, a Cabernet Sauvignon. Assim como para a Merlot e a Cabernet Franc. Também a Petit Verdot, que entra nos lotes com proporção menor. A qualidade não se limita aos grand cru classés, de rótulos sonantes. Hoje em dia é encontrada bem disseminada em todas as gamas de preços, com vinhos bem acabados, com a personalidade regional bem apresentada, mostrando frutado maduro, frescor, profundidade e a classe única, imitada em todo mundo.
Bordeaux possui diversas sub-regiões, sendo as mais notáveis: Médoc, Graves, St. Emillion e Pomerol. Na primeira, os vinhos costumam ser mais austeros, com predomínio da Cabernet Sauvignon no lote, o Bordeaux “clássico”. A presença da Merlot e maciez do vinho vão aumentado em direção a Pomerol, onde, juntamente com St. Emillion, a Merlot é preponderante.

>>>Confira a degustação às cegas de vinhos Bordeux
Borgonha, paixão e fidelidade
Luiz Carlos Zanoni, especial para a Gazeta do Povo
Tome cuidado com a Borgonha se você gosta de vinhos, mas não aprecia riscos. A região é a secular concorrente da também francesa Bordeaux pelo título mundial de mais prestigiosa província vinícola, uma o avesso da outra. Enquanto os tintos de Bordeaux exibem, como traço comum, o jeitão sisudo e uma consistência que os qualifica para longos períodos de guarda nas adegas, os bons borgonhas são etéreos, ariscos, amadurecem em menos tempo e nem sempre se revelam ao primeiro gole.
O vermelho clarinho, quase transparente da cor, pode criar a expetativa de um vinho ralo, ligeiro, mas, quando a taça sobe ao nariz, explodem os aromas – ora frutas vermelhas como morango, pitanga e cassis, ora alcaçuz, couro, cogumelos, e não raro tudo isso junto. O paladar é a surpresa seguinte. Texturas sedosas revestem um corpo potente, elegante, cheio de frescor e vivacidade. Pena que nem sempre seja assim. O entusiasta de vinhos tintos não tem vida fácil na Borgonha. Já no caso dos brancos, curiosamente, acontece o oposto, tudo se ajusta para a satisfação garantida do consumidor.
A chamada Borgonha vinícola estende-se, num percurso de 250 quilômetros, de Chablis, ao norte, até Lyon, ao sul. A quintessência dos tintos e brancos, entretanto, ocupa as suaves colinas que avançam por 100 quilômetros rumo ao sul, a partir de Dijon – a chamada Côte d’or. Em 1395, por um édito real, apenas duas uvas foram permitidas nessa região, a tinta Pinot Noir e a branca Chardonnay. Até hoje continua assim. A província tem clima frio, com geadas frequentes no outono. Uva que amadurece cedo, a Pinot se expõe menos às geadas, mas em anos rigorosos não escapa.
Esse é um problema. Outro é ser a úni­­ca cepa permitida. Nas demais regiões, como Bordeaux, os vinhos associam diferentes variedades de uvas, o que permite ao enólogo compensar, agregando na mescla as que se deram melhor.
Já para o consumidor a dificuldade es­­tá na escolha. O predomínio das pe­­quenas propriedades torna a região um intrincado mosaico. E muitos produtores usam denominações semelhantes, o que confunde ainda mais. A regra nú­­­mero um, portanto, é saber quem produz.
Mesmo com tantos problemas, os tintos da Borgonha são os vinhos que provocam as mais arrebatadoras paixões e fidelidades. Pois nada se compara a um Pinot Noir nos trinques. São aveludados, complexos; na taça, os sabores e aromas mudam aos poucos, dá para conversar por horas com a garrafa. E tem um particular, a Pinot pegou esse limão que é o frio da Borgonha e com ele fez uma limonada. Sob baixas temperaturas, as uvas não atingem picos de maturidade, e preservam uma boa taxa de acidez, qualidade que está se tornando rara em razão de fenômenos como o aquecimento global, responsáveis pelos vinhos alcoólicos e pesadões tão frequentes por aí.
Borgonhas que se prezem nunca são assim. E o estilo fluido, equilibrado faz deles parceiros ideais para um leque imenso de harmonizações à mesa. Entre os bons produtores presentes em nosso mercado destacam-se Dugat-Py, Pacalet, Dujac, Armand Rousseau, Li­­ger-Belair, Denis Mortet, Faiveley, Vo­­güe, Prieuré Roch, Simon Bize, Jadot, Mon­­­tille, Ambroise, e, estrela maior, o Domaine de Romanée-Conti. A escala de preços é elástica, vai por exemplo, de um Magnien Croix Violette a R$ 95, até os R$ 7.500 de um Romanée-Conti.Uma boa notícia, a propósito, é que estão chegan­do as garrafas da safra 2009, tida como uma das melhores dos últimos vinte anos.
Mas, quando se fala em Borgonha, não dá para se esquecer dos brancos. Logo abaixo de Beaune, a Chardonnay reina, soberana, em vinhedos como os de Puligny e Chassagne-Montrachet, Volnay, Meursault e Aloxe-Corton. São vinhos estupendos, temperados pelo estágio em carvalho, de corpo untuoso, amanteigado e uma rica paleta aromática – mel, amêndoas, frutas tropicais ma­duras. Entre os melhores produtores, estão Coche-Dury, Ramonet, Leroy, Drouhin, Michel Bouzereau, Lafon, Leflaive, Dauvissat e Sauzet. Valem o preço e com estes não há riscos.
A diversidade do Rhône
Jomar Brustolin, especial para a Gazeta do Povo
A região do Rhône é famosa pela sua variedade ícone, a Syrah, muito embora seja uma injustiça associar somente esta uva a uma região de grande diversidade. Primeiramente, devemos entender as diferenças entre o Rhône do norte e do sul. O norte é dominado pela Syrah, mas também é berço de variedades brancas de apelo único, como a Viognier, a Marsanne e a Roussanne. No sul do Rhône encontramos uma cultura multivarietal, com destaque para a Grenache, mas também com forte presença de Syrah, Mourvèdre, Carignan e Cinsault.
O clima do Rhône é marcado pela influência do vento Mistral, que funciona como um regulador de temperatura, resfriando os vinhedos e proporcionando maturação lenta para as uvas. A parte norte tem um clima continental, com invernos frios e verões quentes. Por sua vez, o sul é mais mediterrâneo, com verões mais quentes e invernos amenos.
Grosso modo, podemos dizer que o terroir do Rhône favorece os vinhos potentes, de grande concentração, ricos em sabores. Infelizmente não é sempre isso que vemos. Não espere encontrar a exuberância típica dos grandes vinhos do Rhône em qualquer garrafa rotulada como Côtes du Rhône. Vale lembrar que a denominação de origem (ou AOC, como preferem os franceses) Cotês du Rhône é a mais genérica e abrangente, sendo assim, é utilizada para vinhos simples, que podem ser bons ou desprezíveis, dependendo do produtor.
Para realmente conhecer o Rhône é preciso provar um vinho de suas melhores AOCs, como de Hermitage e Cotê-Rôtie. Nessas duas microrregiões encontramos alguns dos melhores vinhos do mundo feitos com a Syrah. Em Hermitage, a Syrah encontra condições ideais para desenvolver toda a sua personalidade. Na sua melhor forma são vinhos ricos e expressivos, com aroma intenso de especiarias e defumados, um traço típico da Syrah.
Os melhores exemplares são feitos pelos négociants Colombier, JL Chave, Paul Jaboulet Aîné, Delas Frères, M.Chapoutier, E.Guigal e Jean-Luc Co­­lombo. Cotê-Rôtie apresenta um estilo semelhante ao do Hermitage, porém mais redondo e acessível, com a peculiaridade de poder utilizar até 20% da uva branca Viognier. Essa mistura com a Viognier pode proporcionar um charme a mais, muito embora os melhores produtores prefiram misturar quase nada de Viognier. A lista de produtores é a mesma de Hermitage, com destaque para E.Guigal, que é um especialista em Cotê-Rôtie.
O problema de Hermitage e Côte-Rôtie é o preço dos seus vinhos. São invariavelmente caros, mesmo quando não atingem a sua melhor expressão – dificilmente são encontrados por menos de R$ 300 e podem ultrapassar a marca de R$ 1 mil. Uma alternativa mais acessível é procurar pelos vinhos de Crozes-Hermitage, St-Joseph e Cornas – com boas opções entre R$ 100 e R$ 200. A qualidade é bastante irregular, mas os mesmos négociants de Hermitage fazem bons vinhos nessas AOCs vizinhas. Vale muito a pena o Alain Graillot Crozes-Hermitage La Guiraude, um dos melhores da região, superior a muitos Hermitage.
No sul do Rhône a AOCs mais conhecida é Châteauneuf-du-Pape, que na sua melhor forma oferece vinhos encorpados e sedosos, marcados por insinuantes aromas de couro e chocolate. Alguns dos produtores já citados também fazem o seu Châteauneuf-du-Pape, embora o time de elite seja formado por Chateau de Beaucastel, Domaine du Vieux-Télégraphe, Domaine du Pegau e Clos de Papes.
Harmonizações imbatíveis
Luiz Augusto Xavier, especial para a Gazeta do Povo
Harmonização é palavra da moda no meio gastronômico. Está presente em todas as conversas, cardápios, eventos e encontros à mesa. Já se foi o tempo em que vinho branco casava com peixe, vinho tinto com carne e estava tudo conversado. Hoje as combinações são ilimitadas, graças ao desenvolvimento do paladar do brasileiro, que também se rendeu aos encantos sugeridos por Baco.
Claro que tem muito a ver com o paladar de cada um, mas algumas regrinhas básicas são seguidas, permitindo excelentes resultados. Mais ainda com os incomparáveis vinhos franceses. Afinal, a França é o maior país vinícola do mundo.
O primeiro destaque é para a região de Bordeaux, com vinhos de altíssima qualidade. A combinação mais clássica entre os Bordeaux (basicamente os da uva Cabernet Sauvig­non) é com o carneiro. Mas os tintos também vão muito bem com miúdos, carne de caça, carne de porco assada, queijos envelhecidos e massas com molho de carne.
Como a gama de vinhos da região é grande, não podem ser desconsiderados alguns brancos secos, que se dão muito bem com peixes (de rio e de mar) e ostras. E alguns brancos doces, com sobremesas cremosas. O mais famoso branco doce de Bordeaux, o Sauternes, é bom parceiro para sobremesas cremosas. Mas é imbatível para escoltar um bom naco de foie gras, justamente pela maneira como se complementam o açúcar de um e a gordura do outro. Também se dá bem com o queijo roquefort, que invariavelmente passa por cima dos demais vinhos.
A Borgonha, com seu clima mais frio, vem a seguir, com uma saborosa combinação de vinhos nos pratos e nas panelas em duas de suas principais referências à mesa: o Boeuf Bour­guignon e o Coq au vin. Carne de boi num caso, de galo (na origem, pois hoje se faz com galinha caipira) no outro, cozidas no vinho tinto (feito com a uva pinot noir), resultando em pratos encorpados e de acordo com a temperatura local. 

Outras regiões que poderiam ser consideradas em uma primeira seleção são a de Champagne, onde estão os espumantes mais famosos do mundo, que, segundo seus aficionados, harmonizam com tudo, do início ao término da refeição; a de Côtes du Rhône, de tintos robustos, e a de Proven­ce, pródiga na produção dos vinhos brancos, mas especialista em rosés. Inclusive para harmonizar com um dos pratos mais conhecidos de sua maior cidade, Marselha, que é a Bouillabaisse, um ensopado de peixes e frutos do mar com um toque dourado de açafrão.
Isso para ficarmos apenas entre os principais, pois a França toda renderia ainda muita conversa saborosa, com uma harmonização para cada cantinho do país.