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Professor de Língua Portuguesa na Rede Estadual de Ensino - Governo do Paraná

segunda-feira, 19 de março de 2012

Discordar em sala de aula requer tato de aluno e professor


Felipe Mayerle / Ilustração /
Debates acalorados opondo docentes e estudantes são um risco sempre que há defesas explícitas de pontos de vista que menosprezam opiniões alheias.Os primeiros meses de 2008 foram tensos para a fotógrafa Juliana Fragetti Ribeiro Lima, ex­aluna do curso de Jornalismo na Universidade Nove de Julho, em São Paulo. Católica devota, acostumada a ler livros sobre história da Igreja, ela passou um semestre inteiro de seu curso em debates acalorados com um professor de Sociologia, segundo ela, determinado a desqualificar sua religião durante as aulas. O problema chegou à coordenação do curso, com o professor alegando que não tinha condições de dar aula com as constantes interrupções de Juliana e a estudante afirmando que o professor ofendia sua fé e mentia sobre fatos históricos.
Situações como a de Juliana ocorrem em qualquer turma de faculdade, especialmente nas disciplinas da área de Humanas, onde os temas políticos, ideológicos, morais e religiosos tendem a dividir os colegas. Mas a tensão se agrava quando o professor adota o papel de defensor de uma única linha de pensamento e deprecia explicitamente as demais.
Nem sempre outra opinião é bem-vinda
Depoimento Jônatas Dias Lima, repórter do Vida na Universidade.
"Com frequência discordava dos professores durante o meu tempo de universitário. Duas situações em especial servem para ilustrar como a reação de um aluno pode ter consequências distintas, dependendo de como o professor a recebe.
Numa dessas vezes, o conflito de pontos de vista começou em sala de aula, durante um debate sobre política, e se estendeu à lista de e-mails da turma. Foi um desastre. O professor mudou a estratégia e passou a criticar o que eu defendia de forma indireta e esforçava-se para colocar parte da turma contra mim. Para piorar, minhas respostas em provas dissertativas passaram a ser analisadas com um rigor claramente maior do que o aplicado ao resto da turma, mantendo-me, no máximo, com notas medianas. No fim do semestre fui deixado para prova final e aprovado por dois décimos.
Em outra ocasião, tomei coragem e interrompi a professora que ensinava sobre conceitos de religião que eu conhecia e sabia que estavam expostos de forma errada. Na hora, ela se espantou, pediu fontes de onde eu havia tirado aquela resposta e disse que verificaria. Na aula seguinte conversamos, nos entendemos, ela me elogiou pela iniciativa e a aula dela passou a ser a minha preferida.
Em ambos os casos tentei agir com polidez, sem desrespeitar a autoridade do professor, mas estou convencido de que nem o mais gentil dos questionadores obteria bons resultados sempre. Há professores que, infelizmente, ignoram o dever de ajudar os alunos a pensar e são obcecados em fazer o aluno pensar como ele."
Para a psicopedagoga e doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná 
(PUCPR) Maria Sílvia Bacila Winkler, o docente precisa ser cuidadoso ao defender pontos de vista diante dos alunos. “A sala de aula não é um palco para exibir opiniões. Debates devem ser pautados em fatos e o bom professor sabe acolher o olhar do aluno”, afirma. Maria Sílvia lembra que a caminhada intelectual de alunos e professores é diferente, com leituras e experiências diversas que fizeram cada um deles chegar a defender suas ideias. “É preciso lembrar disso antes de se envolver emocionalmente nessas discussões mais efervescentes. A humildade é o melhor caminho para cada um expor o que pensa”, diz.

A coordenadora do curso de Pedagogia nas Faculdades Integradas do Brasil (UniBrasil), Paulla Helena Silva de Carvalho, opta por admitir abertamente desde o início do contato com a turma a linha que segue, mas sem cair no proselitismo. “Eu tenho uma base marxista, mas não a defendo como verdade absoluta. É preciso conhecer todas as correntes de pensamento existentes e saber o que dizem, nem que seja para criticá­las”, explica. Segundo Paulla, uma boa maneira de o professor conhecer a turma e dar espaço para visões diferentes é criar oportunidades frequentes para que os alunos se expressem durante as aulas.
Alunos
Assim como os docentes, alunos também precisam respeitar limites na hora de expor opiniões ou contradizer o professor. O filósofo e colunista da Gazeta do Povo Carlos Ramalhete considera que o foco das críticas e o equilíbrio ao fazê­las é o que separa o bom aluno daquele que questiona apenas para provocar o professor. “Se o estudante é movido apenas pela agressividade, atacando elementos alheios à aula, ele quer bater boca, não quer discutir. Deve ser impedido de atrapalhar”, defende.
Entretanto, uma honesta demonstração de discordância é o sinal mais claro de que o estudante se importa com o assunto e a consideração deve ser valorizada. “O aluno que questiona pontos sobre a matéria pode aprendê­la melhor do que alguém que só decora o suficiente para a prova. Nesse caso, o professor deve ajudá­lo a formular corretamente suas críticas e incorporar o debate à explanação do conteúdo”, diz.
Você já enfrentou alguma dificuldade para expor sua opinião a um professor? Como foi? Deixe seu comentário.

Cofrinho cheio para investir em conhecimento


Felipe Rosa / Gazeta do Povo / Para economizar, a psicóloga Patrícia dos Anjos levava para a faculdade lanche de casa e evitava sair para barzinhos ou showsPara economizar, a psicóloga Patrícia dos Anjos levava para a faculdade lanche de casa e evitava sair para barzinhos ou shows
Com R$ 900 é possível tirar visto de estudante para a Austrália.
R$ 400 é o valor da parcela para um programa de intercâmbio de um mês em Nova York para estudar inglês. O custo total do pacote fica em torno de R$ 4 mil.
Com R$ 3 mil é possível pagar um curso de inglês completo nas principais escolas de Curitiba. O equivalente a cinco meses de economia conforme o quadro abaixo.
De R$ 200 a R$ 700 é o valor da mensalidade da maioria dos cursos de especialização em faculdades privadas no Paraná.
Controle rigoroso dos gastos
A psicóloga Patrícia dos Anjos, 26 anos, se formou em 2011 e passou todo o tempo de faculdade em um constante esforço para economizar. Como estudava em uma instituição privada, a Faculdade Evangélica do Paraná, e não contava com nenhum tipo de bolsa, conseguir arcar com as mensalidades por conta própria, sem sobrecarregar a família, era o principal desafio de Patrícia. “Levava lanche de casa para não gastar no intervalo, evitava sair para barzinhos ou shows e até na compra de roupas eu economizava”, lembra.
Concluído o curso de Psicologia, ela não se arrepende da postura rigorosa com os próprios gastos e afirma ter atingido seu objetivo. “Consegui bancar o curso inteiro, todas as despesas da minha colação de grau, o baile de formatura e ainda sobrou dinheiro. Agora estou formada e não tenho nenhuma dívida”, conta satisfeita.

  • Faculdade custa caro – e essa afirmação não se aplica só a quem paga mensalidade em uma instituição particular. Mesmo quem estuda em universidade pública não tem como fugir dos gastos com fotocópias, livros, transporte, alimentação, entre outros. O desafio de arcar com as despesas é ainda maior para os alunos mais aplicados – aqueles que sabem da importância de participar de congressos e simpósios ou que veem o período na universidade como o momento certo para fazer cursos de extensão e correr atrás de experiências acadêmicas no exterior. Tudo isso, claro, custa mais dinheiro. Com a ajuda dos professores de Finanças Amilton Dalledone, dos cursos de Administração e Economia do FAE Centro Universitário, e Fábio Tadeu Araújo, do curso de Ciências Econômicas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a Gazeta do Povo elencou uma série de dicas e exemplos sobre como e por que economizar na faculdade. É hora de tomar nota e passar a guardar as moedinhas:
Veja outros números de quanto você economizaria com a mudança de hábitos.
LEITURAS
Certamente alguns livros são essenciais à formação acadêmica e vale a pena tê-los em casa para consultas futuras, mesmo depois da formatura, mas boa parte das leituras exigidas durante a faculdade será útil apenas para trabalhos específicos, nem sempre sendo necessário comprar livros. Há alternativas gratuitas, como os empréstimos na biblioteca do campus ou as consultas a bibliotecas virtuais; ou opções mais baratas, como as tradicionais fotocópias.
DIVERSÃO
Baladas são tentações difíceis de resistir quando se sabe que os amigos de turma estarão todos reunidos, mas, em geral, são ocasiões de interação que podem ser substituídas por alternativas mais baratas, como um churrasco na casa de alguém. Dependendo da balada, é possível gastar uma fortuna em apenas uma noite e esse dinheiro certamente fará falta na hora de arcar com despesas prioritárias. As sessões de cinema não precisam ser completamente dispensadas, mas é possível planejar melhor o dia, horário e local onde assistir ao filme. Entre as sessões noturnas do fim de semana e as matutinas em dias úteis, a diferença de preço pode chegar a R$ 10 em Curitiba.
HÁBITO
O professor Fábio Tadeu Araújo é enfático ao afirmar que nenhuma orientação financeira funciona se o estudante não mudar seus hábitos. Quem deseja investir o dinheiro na vida acadêmica e profissional, especialmente se tem um rendimento mensal baixo – situação típica de universitários que dependem de bolsas de estágio ou ajuda dos pais –, deve entender que o primeiro passo para fazer o dinheiro sobrar é assimilar a ideia de que qualquer quantia é importante e passar a tratar a própria renda com mais cuidado. A sugestão pode parecer óbvia, mas Araújo exemplifica como é comum a relativização do valor dado ao próprio dinheiro. “Quando temos uma nota de R$ 100, a mantemos na carteira por um bom tempo porque, se você a perder, a noção de prejuízo é bastante clara. Mas, assim que você troca essa nota por outras menores, resultando em R$ 99, você gasta esse dinheiro num instante”, diz. Por isso, acima de qualquer outra estratégia, o sucesso em economizar não depende tanto de contas, mas sim de comportamento.
TRANSPORTE
Outra despesa pesada aos estudantes, especialmente aos que moram longe do seu campus, é o valor gasto em combustível. Segundo cálculos do professor Dalledone, um universitário que dirige 20 quilômetros diariamente, 20 dias no mês, chega a gastar R$ 310 em gasolina e estacionamento. Usando o transporte público, com a passagem a R$ 2,60, a despesa cai para R$ 104. No entanto, para o professor Araújo, antes mesmo do cálculo dos prejuízos com gasolina, um universitário deve se perguntar se é mesmo necessário possuir um automóvel nessa época da vida. “Ter um carro envolve pagar seguro, manutenção, iPVa, revisões e eventuais batidas”, lembra. Portanto, para um aluno com renda comprometida, sacrificar o conforto de um automóvel pode ser extremamente benéfico para os investimentos acadêmicos.
ALIMENTAÇÃO
Apontada pelos especialistas como uma das principais causas de gastos desnecessários, a cantina é “a inimiga número um” das economias universitárias. Aparentemente inofensiva, a dupla coxinha com refrigerante, sempre presente nos intervalos, pode consumir valores espantosos no fim do mês – dinheiro que dificilmente os universitários estariam dispostos a pagar se sempre fizessem as contas. Quem almoça na universidade está sujeito a gastos ainda maiores. O professor Amilton Dalledone mostra que numa comparação com o preço médio das redes de fast food, onde um combo básico custa em torno de R$ 17, o aluno interessado em economizar pode deixar de gastar até R$ 15,70 se optar pelos restaurantes universitários (RUs), como os da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde a refeição custa R$ 1,30. No fim de um mês, contando apenas os dias úteis, essa diferença pode resultar em R$ 314, o preço de uma mensalidade de pós-graduação ou o suficiente para passagens aéreas de ida e volta de São Paulo, onde frequentemente ocorrem congressos acadêmicos.


Analfabetismo está erradicado em 18 municípios do Paraná



Segunda-feira, 19/03/2012
Josué Teixeira / Gazeta do Povo
Josué Teixeira / Gazeta do Povo / Perto de completar 60 anos, a zeladora Maria das Graças aprendeu a ler e escrever: Perto de completar 60 anos, a zeladora Maria das Graças aprendeu a ler e escrever: "Agora fico muito emocionada toda vez que leio a Bíblia"
EDUCAÇÃO

Universalização do ensino público e alfabetização de jovens e adultos ajudam a tirar 2 milhões de brasileiros do limbo educacional.

Dois milhões de brasileiros aprenderam a ler e escrever na década passada, segundo o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2000, o contingente de analfabetos somava 16 milhões de indivíduos. Dez anos depois, caiu para 14 milhões. No período, os indicadores de mais de 200 cidades do país evoluíram a ponto de serem consideradas livres do analfabetismo.
Desde 2007, o Ministério da Educação (MEC) reconhece como municípios livres desse mal aqueles que conseguem atingir uma taxa inferior a 4% de pessoas não alfabetizadas na população com 15 anos ou mais de idade. Ao todo, segundo o Censo 2000, o país tinha 64 cidades que conseguiram erradicar o analfabetismo, três delas no Paraná: Quatro Pontes, Entre Rios do Oeste e Curitiba.
Lições
Persistência e motivação são chaves para o sucesso no ensino de adultos
A zeladora Maria das Graças Juste, de 59 anos, descobriu a Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Pon­­ta Grossa há pouco mais de dois anos. Ela já cursou todo o primeiro seg­­mento (1º a 5º ano do ensino fun­damental) e está no segundo (6º a 9º). Maria foi estimulada pelos filhos e também pela empresa onde trabalha. “Fico muito emocionada toda vez que me lembro disso, da sensação de poder ler a Bíblia. No começo, tive difi­culdades, mas segui em fren­­te”, conta.
A professora que ajudou Maria a re­­to­­mar os estudos, Eliane Stadler, tra­­balha com EJA há 11 anos na Es­­cola Municipal Prefeito Plauto Miró Gui­­marães. “O nosso principal papel, en­­quanto educadores, é a motivação. Nós vamos atrás dos alunos que dei­­xam de frequentar as aulas, insistimos para voltarem. Não tem ninguém nes­­ta sala de aula que não quer nada com nada”, diz.
Mas nem todas as pessoas dão prosseguimento aos estudos. Tam­­bém em Ponta Grossa, Rosenilde de Fá­­tima dos Santos, de 31 anos, chegou a começar duas vezes os estudos na EJA da Escola Municipal Prefeito Ama­­deu Puppi, que já não oferece ma­­is o serviço. No entanto, nas duas oca­­siões, há três anos, ela fez apenas um mês de aulas. “Tenho problemas por não saber ler nem escrever”, conta. Mesmo assim, Rosenilde afir­­ma que a criação dos filhos e o trabalho a impedem de voltar a estudar. “Também não tenho mais vontade. Para mim é difícil sair à noite.” (DK)
Título estadual
29 cidades não mantêm status
O Paraná já chegou a ter 34 cidades declaradas territórios livres do analfabetismo. A concessão do título foi feita pelo próprio governo do estado, durante a gestão de Roberto Requião, mas adotava padrões distintos dos adotados pelo Ministério da Educação (MEC). As cidades de Japira, Flórida e Itaipulândia, por exemplo, foram algumas das que receberam o título. O Censo 2010, porém, registrou índices de analfabetismo de 11%, 9,1% e 7,7%, respectivamente, nos três municípios.
Segundo João Carlos de Oliveira, da Secretaria de Estado da Educação, apenas cinco dessas 34 cidades podem ser consideradas livres do analfabetismo pelos padrões do MEC. “O que a gente notou é que, na maioria das 29 cidades que não confirmaram o título com o MEC, o único agente de alfabetização era o próprio governo estadual. Por isso, estamos incentivando a criação e a ampliação da EJA nas cidades”, explica.
Os municípios do Paraná com as piores taxas de analfabetismo no Censo 2010 são Rosário do Ivaí (19,53%), Itaúna do Sul (19,28%) e Corumbataí do Sul (19,22%). (DK)
Já no último levantamento do IBGE, em 2010, o número de cidades brasileiras livres do problema au­­mentou mais de quatro vezes, pas­­sando para 283. No Paraná, mais 15 cidades se somaram à lista: Bom Sucesso do Sul, Nova San­­ta Rosa, Mallet, Maringá, Maripá, Pi­­nhais, São José dos Pinhais, Rio Ne­­gro, Araucária, Paulo Frontin, Ponta Grossa, Pato Bragado, São Mateus do Sul, Marechal Cândido Rondon e Paranaguá.
Para especialistas, um fator que contribuiu diretamente para a queda do índice foi a universalização do ensino público nos últimos anos. Cada vez mais crianças estão en­­­­trando em sala de au­­la ainda em idade es­­colar e, como con­­sequência, cresce a quan­­ti­­dade de jo­­vens que completam 15 anos de idade alfabetizados, ain­­da que al­­guns não estejam mais estudando. Outro fator é que mui­­tas pessoas só conseguem voltar a estudar, ou mesmo começam seus estudos, já na juventude ou na idade adulta. Nesse aspecto, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) nos municípios e os programas de alfabetização ainda têm um papel fundamental.
Avanço
A cidade de Ponta Grossa (Campos Gerais), por exemplo, em dez anos, conseguiu reduzir de 5,71% para 3,3% a sua taxa de analfabetismo. Em 2006, as atividades da EJA na cidade foram intensificadas. “Naquele ano, nós fizemos um minicenso educacional e ouvimos mais de 30 mil pessoas, cerca de 10% da população de Ponta Grossa, para saber quais comunidades mais precisavam ter acesso à EJA. Começamos com turmas em 45 escolas e hoje temos apenas 16 turmas, cada uma com 15 alunos em média. Mas isso é um processo natural. É um trabalho feito para se extinguir, além de sinalizar que temos cada vez menos pessoas analfabetas na cidade”, afirma a secretária de Educação do município, Zélia Marochi.
Ela explica que a alfabetização é apenas uma parte do programa de aprendizado. Em dois anos, os alunos podem cursar do primeiro até o quinto ano do Ensino Fun­damental. “Eles também podem fazer uma prova durante o curso e, se aprovados, passam direto para o módulo seguinte, entre o sexto e o nono ano do fundamental”, explica. Segundo Zélia, o município já investiu cerca de R$ 1,8 milhão na EJA desde 2006. Cerca de 4 mil pessoas já se alfabetizaram por meio do programa. As aulas são realizadas todas as noites da semana em algumas escolas municipais.
Analfabeto funcional ainda é um problema
Apesar do crescimento do nú­­mero de municípios livres do anal­­fabetismo, outro problema per­­siste: o analfabetismo funcional. Integram esse grupo as pessoas que conseguem ler, mas não com­­preendem o sentido de um tex­­to e tampouco se expressar com a escrita. A Pesquisa Nacio­­nal por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2009, do IBGE, mostra que 20% da população brasileira com 15 anos ou mais de idade não chegaram a completar quatro anos de estudos e, por esse critério da pesquisa, são considerados analfabetos funcionais.
Para a professora da Facul­dade de Educação da Univer­sidade de São Paulo (Feusp), Ma­­ria Clara di Pierro, esse é um qua­­dro que não pode ser ignorado. “Os números da erradicação do anal­fabetismo podem até ser co­memorados, mas isso não pode dar a sensação de que o problema foi superado, porque ele aparece, depois, na forma do analfabetismo funcional”, ressalta.
Para ela, uma solução possível são políticas públicas que deem prioridade à Educação de Jovens e Adultos (EJA) para que os alunos se interessem em prosseguir no processo de escolarização. Maria Clara defende que isso comece a ser feito na própria sala de aula. “Alguns educadores, pela falta de uma formação adequada, baseiam-se no mesmo modelo da educação infantil para ensinar os adultos. Eles precisam entender que essas pessoas não têm obrigação de estar ali e, por isso, precisam se sentir continuamente estimuladas”, orienta.
Projeto Paraná Alfabetizado reforçou ações
Cidades que apostaram na Edu­­cação de Jovens e Adultos (EJA) ou em modelos parecidos também con­­seguiram reduzir significativamente seus índices de analfabetismo. Em Maringá (Norte), por exem­­plo, a taxa caiu de 5,39% para 3,3%. O serviço foi criado em 2005 e já alfabetizou quase 900 alunos. Só no ano passado, sem contar a fo­­lha de pagamento, o município in­­vestiu R$ 300 mil no programa. A secretária de Educação de Marin­­gá, Edith Carvalho, diz que a cidade se tornou livre do analfabetismo também devido a uma parceria com o governo do estado, por meio do programa Paraná Alfa­betizado. “Foi a união dessas forças que proporcionou a erradicação”, assinala.
O programa estadual conta com­­ equipes de educadores voluntários em mais de 380 cidades do Paraná. Parte dos recursos vem do Mi­­nistério da Educação (MEC). Di­­ferentemente dos programas de EJA, em que os professores recebem o salário da categoria no mu­­nicípio, as equipes do Paraná Alfa­betizado contam com bolsas-auxílio que variam entre R$ 280 e R$ 540. Segundo o técnico pedagógico da Secretaria de Estado da Edu­cação, João Carlos de Oliveira, desde que foi implantado, em 2004, o pro­­grama já alfabetizou cerca de 140 mil pessoas.
Desejo de mudar
O Paraná Alfabetizado também te­­ve papel importante na erradicação do problema em Quatro Pontes (Re­­gião Oeste), que detém o menor ín­­dice de analfabetismo do estado: apenas 1,2%, segundo o Censo 2010. Como a cidade tem pouco mais de 3,7 mil habitantes, apenas 40 pessoas não sabem ler nem es­­crever no município. “São apenas aquelas que não têm condições ou não querem se alfabetizar”, ressalta a diretora do Departamento de Edu­­cação da Prefeitura de Quatro Pon­­tes, Clotilde Rossato.
Quatro Pontes foi um dos três pri­­meiros municípios paranaenses declarados livres do analfabetismo. Segundo Clotilde, as iniciativas da própria cidade, junto com o programa estadual, foram essenciais para o sucesso. “Outra ação que também contribuiu foi o projeto ‘Alfabetizando com Criati­vidade’”, conta. Em três anos, fo­­ram investidos R$ 40 mil na fo­­lha de pagamento das professoras.
Segundo ela, o foco, a partir de agora, é manter e até melhorar o índice investindo na educação infantil. “Hoje não tem nenhuma criança em idade escolar fora de uma sala de aula em Quatro Pontes”, ressalta Clotilde.

domingo, 18 de março de 2012

Spartacus - Locadora FAMA - Almirante Tamandaré , Domingos scucato próximo ao Terminal




Descrição: Todo mundo já ouviu falar de Spartacus, o famoso escravo que se tornou gladiador e liderou a mais célebre revolução da Roma Antiga. Sua história já foi narrada em diversos livros, telefilmes, games e foi imortalizada pelo cineasta Stanly Kubrick em seu filme estrelado por Kirk Douglas. Agora, é a vez dos produtores Joshua Donen e Sam Raimi (diretor da trilogia Homem Aranha) contarem a jornada do ícone histórico na série Spartacus: Blood and Sand.A série foi filmada na Nova Zelândia, local onde Raimi trabalhou em sua produções anteriores, Hércules: A Jornada Lendária e Xena: A Princesa Guerreira, e apresenta uma estética reminiscente do filme 300.
Para tentar contornar os problemas que envolvem uma adaptação histórica, os produtores optaram por tomar liberdades para contar a enredo da série. Desta forma, a trama acompanha o soldado romano Spartacus (Andy Whitfield) que é sentenciado a morte em uma arena após desafiar o comando de Claudis Glaber (Craig Parker, O Senhor dos Anéis). No entanto, ele surpreende a todos e vence a disputa, matando quatro gladiadores.


sábado, 17 de março de 2012

Universidades privadas criticam mudanças nas regras do Enade


17 de março de 2012  11h27  atualizado às 11h29

"Enade" - Mudanças no exame não agradou as universidades particulares do Brasil.

Mudanças no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade)anunciadas pelo Ministério da Educação não agradou as entidades privadas de ensino superior no Brasil.
De acordo com MEC a partir da edição deste ano, participarão da prova também os alunos que estiverem no penúltimo semestre – antes apenas os ingressantes e concluintes eram avaliados.
A medida foi publicada em portaria e tem como objetivo evitar fraudes no exame que é responsável por avaliar a qualidade dos cursos superiores do país.
O Ministério da Educação recebeu denúncias sobre uma possível manipulação da participação dos alunos no Enade por parte da Universidade Paulista (Unip). A faculdade supostamente reteria os “maus alunos” no penúltimo semestre para que eles não fizessem parte da amostra da prova. Assim, só os alunos mais preparados participariam da avaliação, elevando as notas dos cursos.
Mas para os representantes das universidades privadas a mudança é injusta, pois o aluno do penúltimo semestre teria cumprido uma parcela pequena da grade curricular e seria prejudicado na avaliação por não ter visto todo o conteúdo.
Representantes de diversas entidades do ensino superior privado se reuniram esta semana em Brasília e redigiram uma carta criticando as mudanças no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) anunciadas pelo Ministério da Educação (MEC). Os alunos que estiverem no penúltimo semestre também participarão da prova a partir da edição deste ano - antes apenas os ingressantes e concluintes eram avaliados.
A medida publicada em portaria na quinta-feira, dia 15, tem como objetivo evitar fraudes no exame que é responsável por avaliar a qualidade dos cursos superiores do Ppaaís. O MEC recebeu denúncias sobre uma possível manipulação da participação dos alunos no Enade por parte da Universidade Paulista (Unip). A faculdade supostamente reteria os ¿maus alunos¿ no penúltimo semestre para que eles não fizessem parte da amostra da prova. Assim, só os alunos mais preparados participariam da avaliação, elevando as notas dos cursos.
O Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular reclama que a lei que institui o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) prevê apenas a participação de alunos ingressantes e concluintes na prova e, portanto, qualquer mudança deveria ser feita na própria legislação e não por meio de portaria. "Essa é uma regra geral que as instituições de educação superior e toda a comunidade acadêmica incorporaram ao seu planejamento e gestão, confiando na segurança jurídica da medida", diz a carta que foi encaminhada ontem ao ministro Aloizio Mercadante.
Os representantes das instituições particulares defendem que a medida afetará principalmente os cursos técnicos que têm duração de dois anos. Neste caso, o aluno do penúltimo semestre teria cumprido uma parcela pequena da grade curricular e seria prejudicado na avaliação por não ter visto todo o conteúdo. "Esses alunos não terão cursado, no mínimo, 25% do conteúdo curricular. Além de punir os estudantes dessa faixa do penúltimo semestre letivo, pune, ainda, as instituições cujos cursos estejam incluídos no exame deste ano e que confiaram nas regras estabelecidas (anteriormente)", defendem os representantes das instituições.
O fórum pede ao MEC que a portaria seja refeita e considere as regras anteriores do Enade, além de declarar que "não endossa as estratégias que algumas instituições vêm adotando para elevar seus indicadores". Procurado, o ministério informou que não irá comentar o assunto.