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Professor de Língua Portuguesa na Rede Estadual de Ensino - Governo do Paraná

terça-feira, 20 de março de 2012

Aproveite o sabor e os nutrientes de 28 alimentos do outono



Maçã: contém vitaminas B1, B2 e niacina, além de minerais como ferro e fósforo. É rica em pectina, que se liga a toxinas e ao colesterol, expelindo-os do organismo; e em ácido málico, que ajuda o corpo a gastar energia de forma eficiente. A fruta contém quercetina, antiinflamatório que diminui o risco de problemas cardiovasculares. Estimula o fígado e os rins  Foto: Getty Images

O outono chegou e, com ele, os dias se tornam de clima ameno e à noite dá aquele friozinho. Com a mudança da estação, entra uma nova safra de verduras, legumes e frutas - aliás, a estação é considerada a das frutas, devido à grande variedade encontrada nesta época.
A safra nada mais é do que o período em que o alimento é mais produzido e quando ele é mais rico nutricionalmente. "Com o desenvolvimento de novas tecnologias, hoje é possível encontrar alimentos fora de sua época ou estação, mas vale lembrar que eles são inferiores do ponto de vista nutricional, apresentam preços mais elevados e geralmente contêm mais agrotóxicos", afirma a nutricionista Alessandra Paula Nunes, mestre em ciências aplicadas à cardiologia, da Clínica Bem Nutrir, de Santo André.
Veja a seguir uma lista de 28 alimentos da safra elaborada a pedido do Terra pelas seguintes especialistas: Alessandra Paula Nunes; Paula Riccioppo, nutricionista da clínica Be Healthy, no Rio de Janeiro; e Polliana Neves de Sá, nutricionista do Spa Posse do Corpo, também no Rio de Janeiro.
Abacate: rico em gorduras monoinsaturadas e fibras. Ajuda a controlar o colesterol, melhora o sistema circulatório e a pele. Contém ácido fólico, que auxilia na prevenção de efeitos congênitos (que nascem com a pessoa), e potássio, indicado para inchaços, fadiga, depressão, problemas cardíacos e derrames.
Abobrinha: encontrada de março a maio, é fonte de vitaminas do complexo B e possui poucas calorias. Contém também minerais como fósforo, cálcio e ferro.
Agrião: rico em vitamina C e iodo, importantes para a produção de colágeno, cicatrização, metabolismo, além de colaborar na manutenção de peso e emagrecimento.
Almeirão: fonte de cálcio, fósforo, ferro, vitaminas A e B2. Ajuda no metabolismo, auxiliando no emagrecimento, formação de ossos e contração muscular, produção de células sanguíneas.
Banana: repleta de potássio, é importante para a contração dos músculos. A fruta protege contra doenças cardíacas, já que mantém o equilíbrio de líquidos e evita o acúmulo de placas nas artérias. É rica em fibras e, por isso, benéfica para a digestão, aliviando e restaurando o intestino após a prisão de ventre ou a diarreia. Age como antiácido, sendo indicada em casos de azia, gastrite e úlcera.
Batata-doce: é fonte de potássio e cálcio, importantes na formação de ossos, contração muscular e na diurese.
Berinjela: fonte de vitaminas e minerais, tem antocianina, fitoquímico antioxidante que preserva o organismo de doenças crônicas não transmissíveis. É um alimento pouco calórico e proporciona uma sensação de saciedade (devido o seu alto teor de fibras). É rico em proteínas, vitaminas C (poderoso antioxidante), B1 (importante para o metabolismo energético do organismo), B2 (participa na formação de hemácias). Possui também uma boa quantidade de minerais, como cálcio (formação óssea e dentária), ferro (transporte de gases no sangue) e magnésio (atua como relaxante muscular). Estudos recentes apontam que a berinjela ajuda a reduzir o colesterol.
Beterraba: a melhor época para adquiri-las é de março a maio. Sua cor vermelho-arroxeada deve-se à presença da betalaína, um corante que é importante antioxidante. Diferentemente do que muitos pensam, não é fonte de ferro (contém apenas cerca de 0,8 mg) em sua composição. Esta hortaliça contém betacaroteno (um precursor da vitamina A), B1, B2, B5, e apresenta ainda minerais como o cálcio, sódio, fósforo e o silício, que é parte integrante do colágeno; e o zinco, que juntamente com o ferro e o cobre ajuda na formação de glóbulos vermelhos.
Brócolis: começa a ficar bonito em junho. Contém grande quantidade de vitaminas C e A, ácido fólico, potássio e selênio. Também é fonte de fósforo, ferro, cálcio e fibras. Os teores de cálcio são próximos ao do espinafre, com a vantagem de serem mais digestíveis.
Caqui: é rico em fibras e vitaminas A, C, B1 e B2. Possui cálcio e ferro. A fruta é considerada um antioxidante por combater os radicais livres (relacionados ao envelhecimento precoce, a alguns cânceres, entre outras doenças).
Chuchu: fonte de potássio e vitaminas A e C, importantes na boa aparência da pele e visão. É diurético.
Coco: o valor nutritivo da fruta varia de acordo com seu estado de amadurecimento. De maneira geral, apresenta bom teor de sais minerais (potássio, sódio, fósforo e cloro) e fibras, importantes para o estímulo da atividade intestinal, além de ser diurético.
Espinafre: fonte de ferro e tem importante função no trabalho das células sanguíneas.
Figo: possui boa quantidade de magnésio, potássio, cálcio, ferro e fibras. Na fruta, destaca-se a pectina, uma fibra solúvel que ajuda a reduzir o colesterol no sangue. O consumo de figos juntamente com uma fruta cítrica ou outra fonte de vitamina C aumenta absorção de ferro pelo organismo.
Goiaba: rica em vitaminas A, B1 e C, além de possuir cálcio, fósforo, ferro e fibras insolúveis. Não contém muito açúcar, gordura e calorias. Auxilia no combate a infecções e hemorragias; fortifica os ossos, os dentes e o músculo cardíaco; melhora a cicatrização e o aspecto da pele, retardando o envelhecimento; regula o aparelho digestivo e o sistema nervoso; e dá maior resistência física. Auxilia no metabolismo de carboidratos, ajudando no emagrecimento.
Jiló: fonte de cálcio, fósforo e ferro, além de vitaminas A, B e C.
Kiwi: são encontrados facilmente de abril a setembro. É uma fruta rica em vitamina C, E e potássio. Fonte de pectina, uma fibra que ajuda a controlar o nível de açúcar e colesterol no sangue. Tem efeito laxativo. Pode-se utilizá-lo como amaciante de carnes, por sua acidez.
Laranja: rica em vitamina C, cálcio, fósforo e ferro. Melhora a imunidade e apresenta vários antioxidantes, que ajudam a reduzir o colesterol, as inflamações e a bloquear as células cancerígenas. Contém fibras que auxiliam na diminuição dos problemas intestinais, além de dar energia. Também auxilia na produção de colágeno da pele.
Limão: rico em flavonoides cítricos, como a vitamina C, tem importante função antioxidante (combate os radicais livres, relacionados ao envelhecimento precoce e alguns cânceres). Apresenta alto teor de sais minerais. Fortalece a imunidade, ajuda na cicatrização de feridas e fortifica as paredes dos capilares sanguíneos. Por ser antisséptico, é usado para tratar infecções respiratórias. A capacidade de extrair e dissolver ajuda no tratamento de furúnculos e abscessos. Estimula o fígado e pode ser usado como desintoxicante quando ingerido com água. Importante também na produção de colágeno, proporcionando rigidez à pele.
Maçã: contém vitaminas B1, B2 e niacina, além de minerais como ferro e fósforo. É rica em pectina, que se liga a toxinas e ao colesterol, expelindo-os do organismo; e em ácido málico, que ajuda o corpo a gastar energia de forma eficiente. A fruta contém quercetina, antiinflamatório que diminui o risco de problemas cardiovasculares. Estimula o fígado e os rins.
Mamão: a fruta é rica em propriedades terapêuticas e possui benefícios à saúde devido à enzima papaína, encontrada em maior quantidade no fruto verde. Tem um importante papel no bom funcionamento do aparelho digestivo e está associada como um acelerador do processo de cicatrização, muito utilizado em tratamentos de úlceras. É excelente fonte de vários sais minerais como cálcio, ferro, sódio, potássio e fósforo, que auxiliam na construção dos músculos e no crescimento do corpo, no combate à anemia, na formação de ossos e dentes. Contém grandes quantidades de vitaminas A e C e fibras. Age ainda como antiinflamatório e combate várias doenças como a diabete, úlcera péptica e gota, e ainda ajuda na prevenção contra o câncer.
Maracujá: possui alto valor nutritivo. Rica em vitamina C e vitaminas do complexo B (B2 e B5), a fruta contém também quantidades razoáveis de sais minerais como ferro, cálcio e fósforo. Funciona como um calmante suave. As suas sementes são poderosos vermífugos. A vitamina C dá resistência aos vasos sanguíneos, evita a fragilidade dos ossos e má formação dos dentes, age contra infecções e ajuda a cicatrizar os ferimentos. As vitaminas do complexo B têm como função evitar problemas de pele, do aparelho digestivo e do sistema nervoso, além de serem essenciais ao crescimento e evitarem a queda dos cabelos. Cálcio e fósforo são os minerais que participam da formação de ossos e dentes, da constituição muscular e da transmissão normal dos impulsos nervosos. Já o ferro contribui para a boa formação do sangue.
Melancia: contém alto teor de água, o que ajuda na hidratação. Apresenta vitaminas do complexo B e sais minerais, como cálcio, potássio, fósforo e ferro. Tem propriedades diuréticas e ainda ajuda na produção de células sanguíneas, formação de ossos e atua no metabolismo de carboidratos, auxiliando no emagrecimento.
Nabo: encontrado de março a maio é fonte de fibras com poucas calorias. Apresenta vitamina C, cálcio e potássio. As folhas de nabo, que muitos jogam fora, são mais nutritivas que as raízes. Uma xícara de folhas cozidas fornece 40 mg de vitamina C, aproximadamente 200 mg de cálcio e quase 300 mg de potássio. Além disso, ao contrário das raízes, as folhas são uma excelente fonte de betacaroteno, um antioxidante que o organismo transforma em vitamina A.
Pera: rica em vitaminas A, B1, B2 e C, sódio, potássio, cálcio, fósforo, enxofre, magnésio, silício e ferro, niacina, sódio e fibras. Pode ser utilizada para prisão de ventre, inflamação intestinal e na bexiga, além de auxiliar o sistema nervoso e na formação dos ossos e dentes. Atua também no metabolismo de carboidratos, auxiliando no emagrecimento.
Repolho: fonte de antocianinas, vitamina A e C. Auxilia no emagrecimento, produção de hormônio, cicatrizante, bom para reumatismo, previne câncer, antioxidante, estimula o sistema imunológico. A melhor época para comprá-lo é de março a abril. Trata-se ainda de um alimento pouco calórico e rico em fibras.
Rúcula: tem grande quantidade de vitaminas C (é responsável pela redução do risco de câncer e ataques cardíacos e aumento da resistência a viroses) e vitamina A. Dentre os minerais, podemos destacar o potássio e o ferro, e por isso auxilia na prevenção da anemia. Exerce também uma função especial sobre o funcionamento dos intestinos, atuando como antiinflamatório.
Tangerina: fonte de vitaminas A, B e C, e em menor grau, de sais minerais como cálcio, potássio, sódio, fósforo e ferro. A vitamina C, junto com o cálcio e o fósforo, são essenciais para o desenvolvimento de dentes e ossos, e para a vitalidade dos vasos sanguíneos. A vitamina C também ajuda a combater infecções, a aumentar a resistência do organismo e a absorver o ferro de outros alimentos.

Governo garante que HU não vai parar


Secretário Alípio Leal afirmou que a solução para os contratos temporários que expiram em 12 dias será prioridade para governo

 

O secretário da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti)Alípio Leal, garantiu que o Hospital Universitário (HU) de Maringá não fechará em 12 dias. Ele afirmou que o caminho para que o HU não pare no final do mês é a possibilidade que a lei abre quando o assunto gera “risco a vida”. “Vamos buscar a solução porque é uma questão emergencial. O hospital vai continuar”, afirmou.
Segundo Leal, a situação dos 141 servidores temporários começou a se agravar porque eles foram contratados em 1º de abril de 2010, com possibilidade de extensão contratual de um ano. O acordo foi firmado para mais um ano e se encerra em 31 de março de 2012. Porém, o secretário afirmou que a lei impossibilita que os temporários renovem o contrato mais uma vez.
“Temos esse assunto como perspectiva emergencial. Temos duas situações: a primeira é que não podemos prorrogar mais o contrato e, a segunda, é que não existe um plano de carreira para que um concurso público seja realizado”, disse Leal. Apesar das circunstâncias, o secretário da Seti afirmou que o governador Beto Richa (PSDB) trabalha pessoalmente no caso.
“Temos uma defasagem absurda de funcionários, então é impossível tocar o hospital se esses funcionários saírem”, analisou o superintendente do HUJosé Carlos Amador, em entrevista para RPC TV Maringá, ainda em fevereiro.
De acordo com dados passados pelo hospital, a cada seis funcionários um deles é temporário. O fato faz com que o governo trabalhe para que a falta de profissionais não ocasione a paralisação do hospital. “Nossa prioridade é a saúde e a educação. No caso, falamos dos dois, porque é um hospital universitário, então vamos solucionar”, comentou Leal.
O secretário não informou uma data em que o caso seja solucionado, no entanto, afirmou que em 12 dias o plano será traçado para que o hospital não pare.

Prêmio Gestão Escolar 2012 está com inscrições abertas


 

O Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) está realizando o Prêmio Gestão Escolar 2012. O prêmio visa incentivar o aprimoramento da gestão escolar nas escolas estaduais e municipais de todo o país. As inscrições podem ser feitas até o dia 1º de junho pelo site http://pge.consed.org.br/pge/index.php?pg=home.

PREMIAÇÃO
As escolas vencedoras do prêmio “Destaque Estadual” receberão R$ 6 mil, as escolas que receberem “Destaque Nacional” (finalistas) receberão R$ 10 mil e a escola vencedora do concurso receberá R$ 30 mil (os prêmios em dinheiro não são cumulativos). Além disso, receberão diplomas que certificam o bom desempenho no concurso. Os diretores das escolas de destaque em cada estado farão uma viagem de intercâmbio aos Estados Unidos. 

Mercadante diz que idade é obstáculo para plena alfabetização


Mercadante participou do lançamento oficial da 3ª Olimpíada de Língua Portuguesa, em São Paulo. Foto: Fernando Borges/Terra
Mercadante participou do lançamento oficial da 3ª Olimpíada de Língua Portuguesa, em São PauloFoto: Fernando Borges/Terra
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, afirmou que a idade de quem não sabe ler e escrever é um empecilho para a plena alfabetização. Segundo o ministro, especialmente em zonas rurais, a média de idade de quem não sabe ler e escrever é de 53 anos, o que torna necessária uma "motivação especial". São pessoas que trabalharam a idade toda na fábrica ou na enxada e que agora precisam e uma atenção especial", disse o ministro.HERMANO FREITAS
Direto de São Paulo
A afirmação foi feita durante o lançamento oficial da 3ª Olimpíada de Língua Portuguesa, em São Paulo, uma iniciativa do MEC em parceria com diversas entidades privadas. Ele afirmou que o ministério deve criar uma avaliação para o aprendizado das letras em crianças até os 8 anos. "Estamos preparando o Programa de Alfabetização na Idade Certa, para alfabetizar até 8 anos e avaliar essa alfabetização", disse Mercadante.
O ministro afirmou ainda que o reajuste do piso nacional para professores, que coloca o salário dos educadores em R$ 1.451,00, é uma medida "necessária" de valorização do profissional de ensino, mas ainda não torna a profissão competitiva na comparação com outras. "Se queremos os melhores profissionais em sala de aula, temos de remunerá-los melhor", disse Mercadante.
Olimpíada de Língua Portuguesa
As inscrições para a terceira edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro começam nesta segunda-feira e vão até 25 de maio. Durante a olimpíada, estudantes de escolas públicas da educação básica e seus professores de língua portuguesa vão trabalhar textos de quatro gêneros literários, todos sobre o tema "O lugar onde vivo". Alunos do quinto e sexto ano do ensino fundamental vão desenvolver a poesia; sétimo e oitavo ano, textos no gênero memória; nono ano do ensino fundamental e primeira série do ensino médio, crônica; segunda e terceira séries do ensino médio, artigo de opinião.

As inscrições serão feitas na página eletrônica Comunidade Virtual, criada para a Olimpíada de Língua Portuguesa, http://www.obmep.org.br. O processo tem duas etapas: a primeira é a adesão das secretarias de educação dos 26 Estados e do Distrito Federal e dos 5.565 municípios. A segunda é a inscrição da escola. São objetivos da olimpíada estimular a leitura e o desenvolvimento da escrita entre estudantes da educação básica pública.

Último ano para a velha escrita


Ilustração: Felipe Mayerle /
REFORMA ORTOGRÁFICAProfessores e alunos ainda trabalham as novas regras para assimilar as mudanças trazidas pelo acordo firmado entre os países de língua portuguesa.
A partir de 1.º de janeiro de 2013, quem escrever “idéia”, “vôo” ou “mini-saia” estará oficialmente cometendo um erro de ortografia. No Brasil, o prazo de adaptação às novas regras trazidas pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa acaba neste ano e, embora apenas 0,5% do vocabulário usado pelos brasileiros tenha sido afetado, as mudanças ainda não foram completamente assimiladas por estudantes e professores.
O documento foi assinado em 1990 por Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Mo­­çambique e São Tomé e Prín­cipe, com adesão de Timor-Leste em 2004. Modificações posteriores e a falta de consenso entre os países adiaram a promulgação definitiva das mudanças em 17 anos. Quando a última versão do acordo foi finalmente aprovada, em 2008, o governo brasileiro estabeleceu o período de quatro anos para que a sociedade se habituasse à nova ortografia e todos os livros didáticos da rede pública de ensino fossem atualizados.
Reação europeia
“Abrasileiramento” gera críticas
Em Portugal, embora o prazo para adaptação à nova ortografia seja mais extenso – até 2015 –, as críticas ao acordo por parte de editoras e escritores são notoriamente mais intensas. A Associação Portuguesa de Editores e Livreiros já manifestou publicamente sua preocupação quanto ao possível enfraquecimento das editoras portuguesas nos países africanos e acusa o Brasil de fazer pressão pela unificação.
Outra entidade relevante no setor, a Associação Portuguesa de Linguística, chegou a pedir por meio de nota a suspensão do acordo, alegando que o documento não foi “objeto de análise técnica rigorosa”.
Expressão
Articulistas contrários à mudança difundiram nos meios de comunicação a expressão “abrasileiramento da escrita” para se referir ao acordo ortográfico, argumentando que o número de vocábulos alterados em Portugal (1,6%) é maior do que no Brasil (0,5%), deixando o idioma unificado mais próximo da versão brasileira.
A modificação mais polêmica entre os portugueses foi a abolição das consoantes mudas em palavras como “óptimo” ou “facto”, usadas em grande quantidade de termos comuns ao vocabulário do cotidiano. (JDL)
Escolas de todo o país trabalham as mudanças ortográficas desde a promulgação, mas a falta do hábito de consultar dicionários e outras fontes gramaticais parece ser uma das causas do pouco domínio das novas regras. “A maior dificuldade dos meus alunos está no uso do hífen. Isso só se aprende checando a forma certa a cada vez que surge a dúvida”, diz a professora de Produção de Texto do Colégio Acesso Suzelei Carvalho Rosales. Ela conta que ainda vê a grafia de algumas palavras com estranheza e precisa ser cuidadosa ao corrigir redações. “Eu sinto falta do trema e do acento circunflexo para diferenciar palavras. Alguns detalhes ainda não são naturais para mim.”
O professor Élio Antunes, do Curso Expoente, reforça a tese de que o grande vilão do acordo ortográfico é o uso do hífen. “Num ditado, a cada cinco palavras que digo, meus alunos erram três por não saber se vai ou não hífen”, conta. Segundo Antunes, é mais comum os vestibulandos optarem por escrever outras palavras que não precisem de hífen do que se empenhar em aprender a norma de uso.
O impacto da mudança tem mais efeito sobre alunos do 5.º ao 9.º ano do ensino fundamental. Alfabetizados com a ortografia antiga, eles tiveram de deixar para trás as normas que haviam aprendido há pouco tempo e aderir às novidades ainda no tempo escolar, usando alguns livros atualizados e outros com edições anteriores ao acordo.
Rede pública
De acordo com a prefeitura de Curitiba, professores, educadores e secretários que trabalham na rede municipal de ensino recebem capacitação específica para as novas regras ortográficas há três anos. “Em 2009, promovemos cursos com carga horária [total] de 12 horas sobre ortografia, todos os dias da semana, nos três períodos do dia”, conta Simone Müller, coordenadora de Língua Portuguesa no Depar­­tamento de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Edu­cação. Em 2010 e 2011, os cursos continuaram em menor frequência. Neste ano, nenhum encontro ocorreu, mas oportunidades de­­vem ser abertas no segundo se­­mestre.
Na rede estadual, a Secretaria de Estado da Educação informou que o tema é tratado em todos os encontros de formação para professores desde 2009 e que equipes para orientação metodológica são mantidas nos Núcleos Regionais de Educação.
Serviço
No site www.portugues.seed.pr.gov.br há uma seção específica sobre o acordo ortográfico, com as principais mudanças e ferramentas para trabalhar o assunto em sala de aula.
Falta de prestígio da língua motivou o acordo
Embora defensores do acordo ortográfico listem uma série de benefícios que justificam a unificação do português usado em todos os países lusófonos, especialistas envolvidos no debate afirmam que a motivação principal seria o aumento do prestígio da língua portuguesa diante de instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas. Mesmo sendo a sexta língua com o maior número de falantes no mundo, as traduções de documentos internacionais frequentemente deixam a versão portuguesa em segundo plano, privilegiando idiomas como francês, alemão ou italiano – todas com número de falantes inferior ao português.
Duas grafias
Segundo a doutora em Estudos Linguísticos e professora do curso de Letras na Pontifícia Univer­sidade Católica do Paraná Angela Mari Gusso, essa discriminação ocorre porque a língua portuguesa é até hoje a única no mundo ocidental com duas grafias oficiais diferentes. “Isso gera uma série de problemas porque todo texto traduzido para o português, na verdade, precisa ser traduzido duas vezes: uma para o português europeu e outra para o português brasileiro”, considera.
A professora explica que o surgimento de duas versões distintas do mesmo idioma ocorreu porque, no passado, Brasil e Portugal fizeram modificações por conta própria, sem acordos que mantivessem a unidade linguística. “Quando o Brasil adotou o trema, por exemplo, Portugal não o fez. E os países africanos acompanharam a versão europeia”, conta. Na opinião de Angela, logo que a unificação for concluída, as traduções para o português tendem a se tornar mais frequentes.

Primeiro dia de OUTONO



     O outono (AO 1945: Outono) é a estação do ano que sucede ao Verão e antecede o Inverno. É caracterizado por queda na temperatura, e pelo amarelar das folhas das árvores, que indica a passagem de estações (excepto nas regiões próximas ao equador).
O Outono do hemisfério norte é chamado de "Outono boreal", e o do hemisfério sul é chamado de "Outono austral". O "Outono boreal" tem início, no hemisfério norte, a 22 ou 23 de Setembro e termina a 21 ou 22 de Dezembro. O "Outono austral" tem início, no hemisfério sul, a 20 de Março e termina a 20 ou 21 de Junho.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Provinha Brasil vai mudar para permitir avaliar a alfabetização


 
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou nesta segunda-feira em encontro com empresários em São Paulo que irá mudar o atual modelo da Provinha Brasil, para que sirva de instrumento para aferir a alfabetização de crianças até 8 anos de idade. A avaliação é aplicada desde 2008 aos alunos do segundo ano do ensino fundamental e serve como diagnóstico para o próprio professor identificar o nível de alfabetização dos estudantes. Mas, até hoje, os resultados do exame não são divulgados e o MEC não tem controle sobre esse indicador.
A nova Provinha Brasil será ponto central do programa Alfabetização na Idade Certa, que o ministério pretende lançar em breve. De acordo com o Mercadante, o objetivo é garantir que todas as crianças sejam alfabetizadas até os 8 anos. Para isso, será necessário estabelecer parcerias com as rede municipais de ensino, responsáveis pelas escolas de educação básica. Mercadante disse que as mudanças serão aplicadas na edição de 2013.
Iniciativa semelhante já foi feita pelo Movimento Todos pela Educação que, em 2011, aplicou a primeira edição da Prova ABC. Em caráter amostral, o exame apontou que mais de 40% dos alunos que concluíram o terceiro ano do ensino fundamental não tinham a capacidade de leitura esperada para esse nível de ensino.

Apesar das falhas, ex-presidente do Inep diz que Enem foi exitoso


Malvina presidiu o Inep de janeiro de 2011 até janeiro de 2012. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Malvina presidiu o Inep de janeiro de 2011 até janeiro de 2012

Em janeiro de 2011, quando deixou a reitoria da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UniRio) para atender ao convite do então ministro Fernando Haddad para assumir o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Malvina Tuttman sabia que tinha um desafio pela frente. A professora chegava ao cargo máximo de um dos órgãos mais importantes da educação brasileira, responsável, entre outras tarefas, pela aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), justamente - e principalmente - para recolocar nos trilhos a prova criada para ser um dos porta-bandeiras da política de ensino do governo.
Um ano depois, ao deixar o cargo sob a justificativa da troca de ministros - saiu Haddad e entrou Aloizio Mercadante -, Malvina manteve no discurso a convicção de que o Enem é exitoso, ainda que, assim como o antecessor Joaquim Soares Neto, tenha sido expurgada da função devido aos erros na aplicação do exame.
Sétima presidente da instituição em nove anos, Malvina falou com exclusividade ao Terra. Negou que a saída tenha tido relação com, por exemplo, o vazamento de questões do Enem, e fez um balanço do período em que esteve no Inep. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.
Terra - A senhora é a sétima presidente a deixar o cargo em nove anos. Isso não fragiliza o Inep como instituição?
Malvina Tuttman -
 Toda gestão precisa de um tempo para implementar suas propostas, e a instituição, para cada vez se fortalecer mais, precisa dar continuidade. Se as mudanças de gestão permitem a continuidade, se a proposta tem consequências, se segue a mesma linha, não interfere significativamente. Se isso se der de forma diferente, se a cada gestão mudarem os objetivos, afeta a instituição como um todo.
Terra - Quais eram suas principais metas à frente do Inep? Foi possível concluir alguns dos programas e ações que a senhora iniciou nesse curto período?
Malvina -
 Em primeiro lugar, com a Associação dos Servidores do Inep (Assinep), tivemos um fórum para repensar o instituto. Em março de 2011, discutimos as bases do Inep e definimos que ele precisava fortalecer os estudos e as pesquisas. O Inep já tem muitos procedimentos importantes de levantamentos quantitativos, que são fundamentais, e precisava dar o passo seguinte, para a análise em relação a esses dados. Ao final do ano, fizemos um segundo fórum, justamente para apresentar a totalidade do trabalho e definir uma minuta de reestruturação a ser apresentada ao ministro Haddad. Uma das coisas importantes feitas também foi a criação de uma unidade de operações logísticas no Inep. Nós não tínhamos controle da aplicação do Enem. Tínhamos controle até o momento em que fazíamos as provas, a matriz de referência, a capacitação dos profissionais, a elaboração dos itens, dos exames, mas não havia uma unidade no Inep de operações logísticas. Credito a essa unidade de operações logísticas o êxito do Enem na sua aplicação durante o ano de 2011.
Terra - A senhora falou sobre a implementação da unidade de operações logísticas. Que mudanças foram feitas?
Malvina -
 Tivemos uma aproximação com as instituições de educação superior, principalmente as públicas, com reuniões que definiam e implementavam ações. Anteriormente, os itens do exame eram elaborados somente por uma chamada pública, onde cada profissional das instituições se apresentava voluntariamente e era selecionado por critérios do Inep. Mantivemos essa medida, mas acrescentamos uma que consideramos bastante importante e que já era uma reivindicação dessas instituições, que foi o lançamento de um edital para a elaboração de itens não mais somente em caráter voluntário, mas com "o selo" das universidades. Para isso, houve uma capacitação de cerca de 900 colaboradores, de quase 60 instituições de educação superior públicas. Por que nós fizemos isso? Por conta do número ainda insuficiente de itens no Banco Nacional de Itens (BNI), pois o Enem é um exame recente e ainda não tem itens em quantidade suficiente, e para que pudéssemos capacitar profissionais das universidades para a elaboração de itens. Fizemos isso em 2011, com previsão de continuidade neste ano. A previsão é de termos cerca de 28 mil itens até o fim de 2012, se continuar nessa progressão e com essa proposta.
Terra - A ampliação desses itens contribui para estabelecer um padrão de prova?
Malvina -
 Quanto maior o banco de itens, maior a garantia de sigilo. A Teoria de Resposta ao Item (TRI) necessita que um percentual de questões de cada uma das quatro áreas do exame seja pré-testado para haver a calibração, ou seja, saber se é uma questão fácil, média ou difícil. Quanto mais itens tivermos, qualificaremos mais a utilização da TRI.
Terra - No início do ano foi feito o anúncio de que haverá apenas uma edição do Enem e não duas, como estava previsto para 2012. A senhora defendia a realização de mais edições ao longo do ano. Isso é viável? Por que não acontecerá agora?
Malvina -
 Continuo defendendo com a mesma veemência e repetiria o que disse assim que assumi o Inep: temos que fazer mais de uma edição do Enem. Quando nós discutimos isso, e não foi uma ação isolada, foi uma definição de grupo, havia a hipótese da realização de dois exames no ano. Um exame seria em outubro, como foi realizado, e o outro em abril. Como foi noticiado, uma das ações do Ministério da Educação foi a contratação de uma empresa de controle de riscos. Essa empresa, a Módulo, a pedido do ministro, fez um relatório, uma análise de todo o processo, e deixou claro que o exame de 2011 foi exitoso, mas que precisa de aperfeiçoamentos, de refinamentos em algumas áreas, e que isso traria maiores riscos se fosse imediatamente agora, em abril. Não era impossível fazer. Era viável, mas traria mais riscos. A decisão do MEC foi não fazer uma segunda edição antes de aperfeiçoar algumas questões. Não tenho dúvida que, em 2013, isso acontecerá. Foi uma precaução, um cuidado que o ministério teve para não fatigar mais o processo.
Terra - Esses riscos seriam quanto à qualidade do teste ou quanto à segurança, à logística?
Malvina -
 A logística deu certo. A imprensa acompanhou, como tem que fazer mesmo, e noticiou todo o processo. Não houve nenhum problema de logística no ano de 2011. Mas precisamos ter aperfeiçoamentos. Precisamos rever algumas questões, como as correções das redações, os consórcios e a questão do aprimoramento dos aplicadores. Um concurso para a ampliação do quadro de servidores do Inep (130 pesquisadores) já está garantido, e essa foi uma conquista importante do ano passado. Isso tudo não seria impedimento para fazer a segunda edição do exame. Mas o MEC optou por fazer o refinamento já apontado necessário e fazer só uma edição nesse ano.
Terra - A senhora acredita que o incidente das correções das redações teve um peso na decisão de não ter duas edições ainda este ano?
Malvina -
 Não, porque a metodologia pode ser modificada, e ela certamente será modificada. Deixamos algumas indicações para o aperfeiçoamento da correção. A equipe que elabora, que é responsável, que coordena o Enem, tem uma proposta para isso, que deve estar sendo discutida com a nova presidência e com o novo ministro.
Terra - Apesar de ter sido negada, há quem associe sua saída do órgão ao vazamento de questões na última edição do Enem. Como a senhora avalia isso?
Malvina -
 Não foi. Isso é um equívoco. Não utilizo a palavra vazamento, e não por uma questão de palavra, de significado, mas o que aconteceu foi uma questão de falta de ética. Não é falta de segurança. Agora, isso aconteceu em 2010. Poderia ter até acontecido no ano de 2011, mas não aconteceu. Na gestão 2011, não tivemos nenhum problema de logística. Esse pré-teste foi utilizado em outubro de 2010. A escola ou o professor que fez mal-uso disso premeditou, guardou durante um ano algumas das questões dos cadernos do pré-teste e utilizou. Isso não pode ser imputado ao Inep e, muito menos, à minha gestão. Então, minha saída não está ligada de nenhuma forma a essa questão e, sim, a uma escolha do novo ministro, de sua própria equipe.
Terra - A senhora havia deixado a reitoria da UniRio para assumir o Inep. Como se sentiu quando ficou sabendo que seria substituída? Frustrada? Injustiçada?
Malvina -
 Não, de forma nenhuma. Quando fui convidada, me senti honrada, porque fui convidada por ser uma educadora, por conta da minha trajetória profissional. Mas como é um cargo de confiança do ministro, eu sabia que a qualquer momento poderia não estar mais à frente do Inep. Essa era uma realidade. Se eu tivesse que escolher, sabendo que sairia um ano depois, escolheria outra vez viver a rica experiência que tive no Inep, junto a profissionais extremamente capacitados e pesquisadores de primeira linha. É um orgulho para qualquer professor. O meu sentimento é de saudade, e a gente só tem saudade daquilo que gosta. Tenho saudade dos colegas, dos contatos que fazíamos com profissionais lá no chão da escola. Mas são momentos da nossa vida profissional, e a cada instante existem novos desafios. Em 2012, devem se apontar outros desafios importantes também. Isso faz parte da nossa vida.