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domingo, 1 de abril de 2012

Exame permite mapear a sua saúde


Daniel Caron/ Gazeta do Povo / Maria Beatriz Miné Oslaj e o marido CarlosMaria Beatriz Miné Oslaj e o marido Carlos
GENÉTICA

Por 100 dólares é possível descobrir se um paciente corre o risco de desenvolver determinada doença. Problema é o impacto da notícia.

Quem não gostaria de saber sobre o seu futuro? Ou melhor, se é suscetível a sofrer determinada doença? Isso já é possível e por um preço relativamente baixo. Empresas norte-americanas disponibilizam um serviço que vasculha o DNA à procura de genes e mutações ligadas a enfermidades. Por 100 dólares (o equivalente a R$ 180), é possível comprar o pacote mais simples e saber se sua genética tem pré-disposição para alguma doença. O resultado chega até o cliente pelos Correios. No Brasil, o primeiro laboratório a implantar esse tipo de exame está no estado de Minas Gerais, em 2011.
Esse estudo pode ser feito, dependendo do laboratório, com ou sem pedido médico. Geralmente um kit de coleta é enviado à casa do paciente, que recolhe células da boca e as remete para o laboratório. Ao invés de mapear todo o genoma, o teste busca variações específicas no DNA e, a partir delas, calcula o perigo.
Resultado guardado a sete chaves
A família de Maria Beatriz Miné Oslaj (foto), de 54 anos, se submeteu em junho de 2007 a um teste genético no Hospital Albert Einstein, de São Paulo. No ano anterior, ela tinha sido diagnosticada como portadora de Parkinson, uma doença degenerativa que dificulta os movimentos. Ela, o marido Carlos (foto) e os dois filhos fizeram o teste, que fazia parte de um projeto desenvolvido pelo médico que a tratava. “Mas a gente nem quis saber o resultado para não criar uma paranoia na família”, explica Maria Beatriz, que não gosta da denominação “mal de Parkinson”. “É uma doença, não é um mal que vai te matar. As pessoas morrem com Parkinson e nunca de Parkinson”, diz. Hoje, ela toma seis comprimidos por dia e faz academia e massoterapia para controlar a evolução da doença.
Entrevista
“Na prática, exame pelo correio não surte efeito”
Salmo Raskin, doutor em Genética pela Universidade Federal do Paraná e membro da Sociedade Brasileira de Genética Médica.
Teste genético feito pelo correio, sem pedido médico, é válido?
A validade é pequena. Há uma polêmica muito grande em torno disso, mas hoje esses exames não são adequados. Primeiro, são feitos sem pedido médico. Exames genéticos são complexos. É muito difícil apontar em um teste as probabilidades de ter diversas doenças. Hoje os médicos pedem exames para doenças específicas. A ideia dessas empresas é excelente, mas na prática não surte muito efeito. Obesidade, câncer, diabete e outras doenças “mais comuns” ainda não têm sua genética inteira conhecida, o mesmo acontece com o mal de Alzheimer.
Não há embasamento científico?
Não, pelo fato de não existir a genética inteira dessas doenças. Por exemplo: se conhece uma dúzia de genes da diabete, mas não todos. Podem ser 20 ou 300. Assim, os testes não oferecem um risco calculado corretamente sobre as doenças. Não irá contribuir muito para a prevenção. Outro exemplo: um teste vê que uma mulher tem 11% de chance de desenvolver câncer de mama. O que isso significa? Pouca coisa. Toda mulher tem 10% de risco de ter essa doença. Não tem utilidade para o médico nem para o paciente.
Então o ideal é que os exames genéticos sejam pedidos por um médico?
Sim e os testes serão feitos especificamente para determinada doença, já que são exames complexos. Os mais pedidos são exames detalhados para câncer de mama e de intestino, e doenças específicas raras em que há casos na família.
Fiscalização
Algumas empresas do exterior que realizam o exame sem solicitação médica tiveram seus resultados contestados em 2010. Em julho daquele ano, uma agência do governo norte-americano aplicou um teste-surpresa em algumas companhias.
Mas até que ponto essa informação é benéfica? Segundo especialistas em medicina genética, é possível traçar um estilo de vida que faça com que a enfermidade detectada não apareça ou, pelo menos, demore mais a se manifestar. Por outro lado, existe a preocupação sobre o impacto psicológico em quem recebe o exame. Alguns podem surtar, entrar em depressão profunda ou, em casos mais drásticos, até optar pelo suicídio.
Por isso, receber um resultado desse sem apoio médico é inconcebível na opinião dos especialistas, que também condenam o “comércio varejista” do DNA. Para eles, mesmo exames pedidos sob prescrição médica são vistos com receio.
A pesquisadora e profes­­sora do departamento de Ge­­nética e Morfologia da Universidade de Brasília (UnB), Ana Luisa Vilela, defende que os testes genéticos sejam autorizados somente por médicos. Caso contrário, os resultados recebidos em casa podem acarretar em outras doenças. “Além de depressão e ansiedade, a pessoa pode até desenvolver a doença mais cedo. Os testes comprados não são 100% seguros. Os testes são pedidos geralmente para confirmar algum indício de determinada doença”, explica.
Indício
Para Samuel Goldenberg, membro da Sociedade Bra­­sileira de Genética, um resultado positivo não significa necessariamente que a pessoa desenvolverá a doença. É apenas um indício. “Mas as pessoas não pensam assim. Acham que vão ter a enfermidade, por isso a necessidade de um aconselhamento médico profissional no momento do resultado”.
O médico Victor Ferraz, professor de genética da Universidade de São Paulo (USP), salienta que o pedido para o exame é solicitado quando já há uma doença que pode ter ligação genética ou a pessoa tem a possibilidade de apresentar alguma enfermidade pelo histórico familiar. “É essencial dar suporte ao paciente. Sem o aconselhamento genético, os resultados podem ser catastróficos do ponto de vista clínico e psicológico”, alerta.
O projeto Genoma – iniciado em 1990 e apresentado em 2000 – já teve a pretensão de desvendar a causa de doenças graves, como diabete e câncer. Os resultados, porém, não foram aplicados na prática. Mesmo assim, a ciência continua em evolução e já possui um banco de dados de genes ligados ao aparecimento de certas doenças. Resta saber qual a melhor maneira de aplicar esse conhecimento.
Otimismo
Teste genético pode melhorar as formas de tratamento
A genética ainda é considerada um campo incerto pelos profissionais de medicina. Mas existe a certeza de que ela pode, no futuro, melhorar as formas de lidar com doenças. Com um mapa genético detalhado, o tratamento poderá ser aperfeiçoado e a prevenção, ampliada. “Saberíamos exatamente qual ponto tratar. Também poderíamos alertar para possíveis riscos em ter filhos, por exemplo”, afirma o professor da USP Victor Ferraz.
A professora Ana Luisa Vilela, que realiza uma pesquisa na Universidade de Brasília (UnB) em pacientes com trombose, já percebeu as vantagens do tratamento baseado no mapa genético. “Teve um paciente que não respondia aos procedimentos normais. Com o mapa, vimos mudança em alguns genes e readequamos o tratamento.”
Cautela
Para a psicóloga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) Eliane Schwab, às vezes é preferível nem saber das probabilidades de desenvolver certa doença. “Com uma doença genética a pessoa pode ficar desesperada e depressiva. Muitas vezes é melhor viver sem saber que tem chances de desenvolver certa doença”, afirma.
No entanto, ressalta que os testes podem ser realizados, desde que haja solicitação médica. Mapear os riscos, segundo Eliane, pode fazer com que as pessoas tomem medidas preventivas para não desenvolver determinada enfermidade. “Mas é necessário saber para que você vai fazer o exame, se tem preparo psicológico e se o médico dará apoio emocional, pois pode ser um resultado que mude sua vida”, enfatiza.

sábado, 31 de março de 2012

Indústria deve achar solução para lixo eletrônico


Divulgação / Cesumar / Deborah Kemmer ressalva que ações da sociedade civil não são suficientesDeborah Kemmer ressalva que ações da sociedade civil não são suficientes
Artista acompanhou ações que reusam equipamentos obsoletosO lixo gerado pelo descarte de computadores e outros equipamentos eletrônicos obsoletos é hoje um dos principais problemas relacionados à poluição. Para avaliar o que já é feito para minimizar esse impacto ambiental, a artista plástica Deborah Kemmer foi a campo conhecer iniciativas que reutilizam as máquinas rejeitadas por grande parte da população.
Uma projeção feita pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que 100 milhões de computadores estão em uso neste ano no Brasil – uma máquina para cada dois habitantes. Conforme a pesquisa de Deborah, que também é coordenadora do curso de Artes Visuais do Centro Universitário de Maringá (Cesumar), nem um terço do que é fabricado pela indústria de informática é reaproveitado.

Entre as iniciativas acompanhadas pela artista está o Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática (Cedir), da Universidade de São Paulo, que remonta computadores antigos e emprestados a entidades sociais. Outro caso é o MetaReciclagem, um grupo de pessoas de todo o país que troca ideias pela internet com o intuito de reaproveitar computadores.Diante de quatro iniciativas, ela acompanhou o envolvimento da sociedade civil, da universidade, da indústria e do setor empresarial no processo de reuso do lixo eletrônico. O estudo deu origem à dissertação que Deborah defendeu neste mês no mestrado em Design, Arte e Tecnologia da Universidade Anhembi-Morumbi, de São Paulo.
“Concluí que as soluções encontradas pela sociedade civil são muito bem-vindas, mas não resolvem o problema. Precisamos de uma mudança por parte da indústria. Hoje, a produção [de computadores] tem que ser 100% reciclável, sem gerar lixo”, afirma. “O Design não é só estética. Tem que ser inventivo e transformador, estudar materiais e projetos para contribuir com esse tipo de produção”, completa.
>>>Veja documentário sobre lixo eletrônico produzido por Deborah Kemmer.

Decretado em Cuba feriado de Sexta-feira Santa após pedido do Papa


O pedido foi feito por Bento XVI durante sua visita ao Palácio da Revolução, no dia 27 de março.
O presidente cubano Raúl Castro declarou feriado "com caráter excepcional" a próxima Sexta-feira Santa, dia 6 de abril, atendendo a um pedido realizado pelo Papa Bento XVI durante sua recente visita a Cuba, informou neste sábado (31) o jornal oficial Granma.
"O Conselho de Ministros da República de Cuba concordou na sexta-feira em encerrar as atividades de trabalho no dia 6 de abril", afirmou uma Nota Informativa publicada no jornal.
O pedido foi feito por Bento XVI durante sua visita ao Palácio da Revolução, no dia 27 de março.
"Momentos antes de sua partida, o presidente cubano expressou (ao Papa) a vontade de que a próxima sexta-feira, 6 de abril, com caráter excepcional, seja feriado nacional, em consideração a Sua Santidade e ao feliz resultado desta transcendental visita ao nosso país, e cabe aos órgãos superiores da Nação a decisão definitiva" do feriado, em referência à Assembleia Nacional (Parlamento), acrescentou.
Bento XVI visitou Cuba de 26 a 28 de março, período no qual realizou duas missas campais em Santiago de Cuba (sudeste) e Havana, assim como visitou o Santuário Nacional do Cobre, onde fez uma homenagem à Virgem da Caridade do Cobre, padroeira nacional, e se reuniu com autoridades.
Em dezembro de 1997, o então presidente Fidel Castro, afastado do poder desde 2006 por motivos de doença, decretou feriado de forma excepcional 25 de dezembro, dia de Natal, devido à iminente visita do papa João Paulo II, que foi realizada de 21 a 25 de janeiro de 1998.
Após a visita de João Paulo II, o dia de Natal tornou-se feriado de forma permanente.

Einstein não estava errado sobre a expansão do Universo


Reprodução/Internet / Einstein: ele entra na sua lista?

A Teoria da Relatividade de Albert Einstein é "incrivelmente precisa", segundo um estudo publicado nesta sexta-feira (30), que ressalta os acertos dos cálculos do físico alemão na hora de explicar a expansão do Universo.
Esta conclusão surge de uma pesquisa feita por uma equipe de físicos da Universidade de Portsmouth (sul da Inglaterra) e do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre da Alemanha, cujos resultados foram anunciados nesta sexta-feira em um encontro nacional de astronomia na Universidade de Manchester (Inglaterra).
Assim, a expansão do Universo poderia ser explicada mediante a teoria de Einstein e a constante cosmológica, uma combinação que representa a resposta "mais simples" para este fenômeno, segundo os especialistas.
Os pesquisadores se centraram no período compreendido entre 5 bilhões e 6 bilhões de anos, quando o Universo tinha quase a metade da idade de agora, e realizaram medições com uma precisão "extraordinária".
A Teoria da Relatividade de Einstein prediz a velocidade pela qual galáxias muito afastadas entre si se expandem e se distanciam entre si, e a velocidade com a qual o Universo deve estar crescendo na atualidade.
Estes resultados são, segundo a pesquisadora Rita Tojeiro, "a melhor medição da distância intergaláctica já feita, o que significa que os cosmólogos estão mais perto que no passado de compreender por que a expansão do Universo está se acelerando".
Neste processo parece ter um grande protagonismo a energia do vazio, relacionada com o período inicial da expansão, e segundo alguns astrofísicos também com a aceleração da expansão do Universo.
Na opinião de Rita, o melhor da Teoria Geral da Relatividade de Einstein é que ela pode ser comprovada e que os dados obtidos neste estudo "são totalmente consistentes" com a noção de que esta energia do vazio é a responsável pelo efeito de expansão.
Segundo os especialistas, esta confirmação ajudará os cientistas a compreender melhor o que é que causa este misterioso processo e por que ele acontece.
Eles também esperam avançar na pesquisa da matéria escura, aquela que não emite suficiente radiação eletromagnética para ser detectada com os meios técnicos atuais, mas cuja existência pode ser deduzida a partir dos efeitos gravitacionais que causa na matéria visível, tais como as estrelas e as galáxias.
Os físicos calculam que a matéria escura representa cerca de 20% do Universo, e o estudo publicado nesta sexta parece apoiar sua existência.
"Os resultados não mostram nenhuma evidência de que a energia escura seja simplesmente uma ilusão fruto de nosso pobre entendimento das leis da gravidade", acrescentou Rita.
Uma melhor compreensão da matéria escura ajudaria a entender por sua vez de que são feitos os buracos negros.

Anvisa suspende uso e venda de lote do analgésico dipirona Sódica


Quem comprou medicamento desse lote deve parar o consumo, segundo recomendação da Anvisa.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu a partir desta sexta-feira (30) o uso e a venda de lote do analgésico Dipirona Sódica solução oral, de 500 mg/ml, fabricado pela empresa farmacêutica Hipolabor.
A Vigilância Sanitária determinou a suspensão da distribuição, venda e uso do lote 0710/10 do medicamento porque testes da Fundação Ezequiel Dias (Funed) constataram teor de dipirona sódica abaixo do informado pela fabricante.
Quem comprou medicamento desse lote deve parar o consumo, segundo recomendação da Anvisa. A empresa farmacêutica terá de recolher as unidades que ainda restam no mercado.
Publicada no Diário Oficial da União, a medida é definitiva e válida em todo o território nacional.

TJ declara ilegal a greve dos professores de Campo Magro


Se os professores não voltassem a dar aulas, a APP-Sindicato, que já recorreu da decisão, teria de pagar uma multa de R$ 10 mil por dia.

O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná declarou, nesta quarta-feira (28), por meio de liminar, a ilegalidade da greve dos professores da rede municipal de ensino de Campo Magro, região metropolitana de Curitiba. Caso os 208 docentes não voltassem às salas de aula, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Paraná (APP-Sindicato) teria de pagar uma multa de R$ 10 mil por dia. Os professores retornaram às atividades normais já na quinta-feira (29).
No entendimento de Rogério Ribas, relator da liminar do TJ e juiz de direito substituto do desembargador José Marcos de Moura, os professores deixaram de dar aulas regulares desde o dia 15 de março e só notificaram oficialmente a greve no dia 26, deixando mais de 3 mil crianças sem aulas. Além disso, segundo o relator, a prefeitura já se comprometeu a pagar o piso previsto em lei.
A APP-Sindicato recorreu da decisão por meio de um agravo de instrumento. De acordo com o sindicato, houve erro de interpretação do caso. “A liminar aponta um erro na convocação da greve que não aconteceu. Os professores participaram da paralisação nacional da categoria no dia 15 de março, amplamente divulgada. Além disso, o prefeito se recusa a aplicar o reajuste do piso salarial a todos os professores”, afirmou Edson de Paula, diretor da Secretaria de Municipais da APP-Sindicato.
Os 208 professores entraram oficialmente em greve na segunda-feira (26), mas admitiram ter feito paralisações desde o dia 15 de março. A principal reivindicação dos manifestantes era que a prefeitura pagasse o piso determinado pelo Ministério da Educação (MEC) e que o mesmo reajuste aplicado este ano no salário inicial seja repassado a todos os professores.
Hoje o piso de um professor da rede municipal de Campo Magro para uma jornada de 20 horas é de R$ 603, 16,8% a menos do previsto pelo MEC, R$ 725. O prefeito José Antônio Pase (PMN) garantiu que neste mês irá aumentar o piso, mas não confirmou que o reajuste será aplicado ao salário de professores que estão em outros níveis do plano de carreira. “Infelizmente, a prefeitura não tem caixa para isso”, afirmou.
Segundo Edilson, os professores não descartam retomar a greve assim que a justiça acate o agravo de instrumento. “Já recorremos também ao Ministério Público. Não podemos deixar os professores desprotegidos no seu plano de carreira”, insistiu.

10 ideias para uma Curitiba inovadora


Daniel Castellano/ Gazeta do Povo /
Ao longo de muitos anos, referir-se a Curitiba trazia à cabeça, invariavelmente, um adjetivo: a capital já foi a moderna, a universitária, a ecológica, a limpa e a civilizada. Por trás dos diversos atributos colecionados pela cidade nos seus 319 anos há uma única essência, a busca pela inovação. O transporte público e os programas de reciclagem de lixo foram iniciativas ousadas que trouxeram fama e notoriedade.
Entretanto, nos últimos anos, a capacidade de projetar o novo se perdeu ou se desvirtuou. Para estimular novamente o espírito criativo da cidade, a Gazeta do Povo ouviu especialistas de cinco áreas e selecionou dez projetos que, se adotados, poderiam transformar a realidade da capital paranaense. Afinal, a inovação impulsiona os curitibanos desde 1693.
Projeção
FIEP projeta a Curitiba de 2030
Nada de carros voadores, robôs trabalhadores ou cidade suspensa. A Curitiba do futuro será muito mais simples do que isso, mas não menos inovadora. No fim de 2008, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) lançou o projeto Curitiba 2030, uma iniciativa cujo o objetivo é projetar o destino da capital do Paraná.
Ao todo, são 60 ações em quatros eixos estruturantes: Educação, Sustentabilidade, Tecnologia e Cidadania Plena. Entre as ações, todas elaboradas por associações, sindicatos, poder público e terceiro setor, estão à implementação de anéis tarifários no transporte público, promoção do uso de tecnologias "limpas" e criação de mecanismos de sustentabilidade econômica para o tratamento de resíduos.
De acordo com Fabiana Cristina de Campos Skrobot, gestora do projeto Curitiba 2030, empresas inovadoras se desenvolvem em ambientes inovadores. Dessa forma, empresas inovadoras sustentáveis precisam de ambientes inovadores sustentáveis. “Nossa proposta é pensar o desenvolvimento sustentável da cidade”, conta.
Na opinião da gestora, Curitiba pode ser um grande celeiro de inovação. “É uma cidade com muito potencial”, diz. Com as propostas do Curitiba 2030 formulada, o projeto entra na fase de articulação para execução das propostas. “Estamos articulando o cumprimento das ações com poder público, indústria, sociedade. Com todos os atores envolvidos”, revela.
Gabriel Azevedo
1 - Conectada
Seguir o exemplo de Seul, na Coreia do Sul, onde a prefeitura instalou antenas de wi-fi em 360 parques, 3,2 mil cruzamentos e 2,2 mil ruas em torno de centros comerciais seria uma das inovações mais radicais que a cidade poderia fazer, segundo a blogueira Bia Kunze, autora do blog Garota Sem Fio. Na opinião dela, além de ser uma enorme contribuição para a educação, a internet gratuita e sem fio resolveria muitos problemas de serviço. “Tudo pode ser feito pela internet, da retirada de documentos a boletins de ocorrência. Isso diminuiria as filas”, diz.
Ela defende que a prefeitura comece oferecendo a conexão livre em espaços estratégicos. “A inovação poderia começar pelas bibliotecas públicas, escolas municipais, praças e parques”, diz.
2 - Talentosa
Criar um conceito de educação facilitaria o descobrimento e o desenvolvimento de novos talentos. Para o consultor educacional Renato Casagrande, um projeto que descobrisse alunos talentosos e suas habilidades, oferecendo a eles acompanhamento de mentores de diferentes áreas do conhecimento seria um projeto e tanto para a cidade. A iniciativa deveria envolver o poder público, empresas e a sociedade civil e teria como foco o ensino infantil em escolas públicas. Para desenvolver e ampliar as habilidades, o aluno seria submetido a treinamentos. “Além das disciplinas escolares, ele teria contato com cultura geral, curso de línguas e lógica. Ele ampliaria a visão de mundo”, conta. “No futuro, seriam eles quem iriam desenvolver as inovações para Curitiba”, garante.
3 - Saudável
Trocar o pé de moleque por maçã, cerveja por suco de mamão, coxinha por salada. A ideia da coordenadora de Nutrição da Universidade Tuiuti do Paraná, Priscila Dabaghi Barbosa, para tornar a cidade mais saudável é proibir a comercialização de doces, frituras e álcool em espaços públicos, como parques e terminais de transporte coletivo. Ela também defende a proibição do consumo de cigarros nesses locais. Para a professora, Curitiba seria pioneira ao adotar tais medidas. “Em vez de beber cerveja, as pessoas beberiam suco nos parques. Com incentivo, seriam criados quiosques com frutas no centro, nos parques e nas ruas”, diz.
4 - Descentralizada
Apontada por urbanistas como uma das possíveis soluções para o problema de trânsito da capital brasileira mais motorizada do país, a descentralização é uma alternativa viável para evitar que os moradores do Cabral, Xaxim e Jardim Social tenham de se deslocar todos os dias, ao mesmo tempo, para o centro da cidade.
Com a formação de pequenos centros em diversas regiões de Curitiba, que ofereçam um conjunto de serviços e oportunidades (comerciais, culturais, de lazer, de trabalho, de saúde, serviços públicos), os grandes deslocamentos de carro tornariam-se desnecessários. Para André Caon, que também é presidente da Sociedad Peatonal – uma ONG de defesa dos pedestres –, a criação de uma Curitiba polinuclear favoreceria a caminhabilidade.
5 - Integrada
Implantado em 2003, o sistema de bilhetagem eletrônica de Curitiba poderia ser muito mais inovador do que apenas um cartão eletrônico que armazena créditos de passagens a serem usados na Rede Integrada de Transporte. Ele poderia ser usado para a integração temporal. De acordo com engenheiro eletricista André Caon, coordenador do Fórum de Mobilidade Urbana de Curitiba, após pagar a passagem, o cartão-transporte de Curitiba poderia ficar habilitado por 120 minutos. “Nesse período, o usuário poderia viajar sem precisar ir aos terminais de ônibus, encurtando a viagem, reduzindo a superlotação de ônibus e terminais e gerando economia ao sistema”, diz. Atualmente, a integração temporal beneficia apenas 600 pessoas, no Santa Quitéria e Vila São Pedro, na Linha Verde.
6 - Pontual
Fazer com que os doentes crônicos se conscientizem de tomar os medicamentos todos os dias tem efeitos tanto na saúde desses pacientes quanto nos gastos públicos. Segundo o médico infectologista José Luís Andrade Neto, professor da UFPR e da PUCPR, a busca ativa poderia ajudar a resolver esse problema. Equipes técnicas monitorariam todos os doentes crônicos e identificariam quem toma ou não o remédio. Na busca ativa, os suspeitos de não estar tomando os medicamentos direito seriam visitados por técnicos. “O profissional verificaria a cartela e assistiria a tomada do remédio”, diz.
7 - Monitorada
Para atingir a paz no trânsito, uma ideia seria colocar em uso um equipamento já utilizado em algumas cidades brasileiras, a ViaPK – um veículo com tecnologias de fiscalização e monitoramento eletrônico. Essa pode ser uma solução para evitar mortes e vítimas de acidentes na capital paranaense. O equipamento tem um sistema de leitura automática das placas de veículos em movimento, que permite identificar carros com débitos de IPVA, licenciamento e multas, além daqueles roubados e clonados. De acordo com o analista de sistemas e gestor de produtos da Perkons, Ricardo Simões, esse sistema permite realizar blitze abordando apenas os carros com aqueles problemas. “Fiscalização rápida e eficaz”, diz.
8 - Segura
Inovação não implica apenas a utilização de tecnologias avançadas e ideias futuristas. Muitas vezes o mais eficaz é algo simples e criativo. Em Curitiba, 15 ruas em sete bairros têm sirenes, que são acionadas, por controle remoto, quando há a suspeita de um delito. A iniciativa derrubou os índices de criminalidade nesses locais. De acordo com o delegado Rafael Vianna, autor do livro Diálogos Sobre Segurança Pública, iniciativas como a instalação de sirenes são inovadoras, e podem resolver o problema da segurança. “Esses projetos estimulam as pessoas a pensarem sobre segurança, a descobrirem as fragilidades do seu bairro e rua. E nada pode ser feito se não houver a união da vizinhança”, explica.
9 - Econômica
Embora seja notoriamente conhecida por seu tempo nublado, Curitiba poderia ser a primeira do Brasil, e uma das poucas do mundo, a ter a maioria das residências, prédios públicos, praças, estações-tubo, abastecidos por energia solar. A iniciativa já foi adotada no Parque Barigui. De acordo com Hewerton Martins, presidente da Solar Energy, empresa que desenvolve projetos e produtos vinculados aos sistemas solares fotovoltaicos, energia solar é o futuro, e a cidade seria inovadora se adotasse um modelo mais “limpo” e renovável e que, segundo ele, está cada vez mais barato.
10 - Preservada
Reservar espaços urbanos para o meio ambiente e criar um corredor de biodiversidade, integrando parques e reservas ambientais. Com o avanço do mercado imobiliário, as áreas verdes de Curitiba, aos poucos, têm sido reduzidas. Para a capital inovar, diz Terezinha Vareschi, vice-presidente da Associação dos Protetores de Áreas Verdes de Curitiba, é necessário criar Reservas Particulares do Patrimônio Natural Municipal (RPPNMs). Ela diz que os proprietários das áreas verdes têm pouco conhecimento sobre o assunto e a contrapartida do poder público não é suficiente. “Só o potencial construtivo não vai convencer os proprietários a criarem reservas”, diz. Segundo Terezinha, Curitiba tem 700 áreas verdes que poderiam ser transformadas em RPPNMs.