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quinta-feira, 24 de maio de 2012

Deputado: opção sexual é assunto da vida privada, não da escola


João Campos diz que o veto ao kit anti-homofobia foi uma conquista da sociedade brasileira. Foto: Saulo Cruz/Agência Câmara
João Campos diz que o veto ao kit anti-homofobia foi uma conquista da sociedade brasileira
Foto: Saulo Cruz/Agência Câmara
ANGELA CHAGAS
Direto de Porto Alegre
Líder da Frente Parlamentar Evangélica na Câmara dos Deputados, João Campos (PSDB-GO) foi um dos articuladores da reunião com a equipe da presidente Dilma Rousseff que culminou com o cancelamento da distribuição do kit de combate à homofobia nas escolas públicas há um ano. Segundo o parlamentar, o veto de Dilma ao material foi uma conquista da bancada religiosa e da sociedade brasileira. "Essa questão de orientação sexual é algo que diz respeito à vida privada, não à escola. Quem faz a opção, a gente respeita, mas agora o poder público financiar um programa que vai estimular os adolescentes a serem homossexuais é errado", disse em entrevista aoTerra.
João Campos confirmou que a bancada utilizou as suspeitas de corrupção envolvendo o então ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, como "moeda de troca". "A questão do Pallocci não era necessariamente cancelar o kit, mas forçar a presidente a nos receber, nos ouvir, já que buscávamos falar com ela há algum tempo a respeito desse assunto. Na medida em que nos posicionamos, Dilma então recomendou ao ministro Gilberto Carvalho que nos recebesse em nome dela", afirmou. Logo após esse encontro, o ministro anunciou, no dia 25 de maio de 2011, o veto da presidente a todo o conteúdo do kit anti-homofobia, que seria distribuído a alunos do ensino médio de 6 mil escolas públicas.
Questionado se o tema da homofobia não pode ser tratado em sala de aula, Campos minimizou. "Até pode, mas discordamos daquele material, cujo conteúdo, ao invés de prevenir a homofobia, fazia apologia ao homossexualismo, no sentido de incentivar o jovem a fazer opção por essa orientação sexual". O deputado ainda criticou o interesse do governo em discutir "apenas um tipo de discriminação".
"Nós não somos homofóbicos. Somos contra qualquer forma de preconceito e nos causa estranheza o governo se preocupar tanto com um programa que busca reduzir o preconceito somente nesta área. Por que não busca um programa para diminuir a discriminação como um todo, inclusive religiosa, contra deficientes físicos, indígenas e quilombolas?", questionou. "O programa buscava encucar na cabeça de cada jovem a ideia de que a homossexualidade é algo muito bom. Mas o poder público não tem esse papel de incentivar um tipo de comportamento a ser seguido. Se for assim, nós vamos ter que pedir um programa que busque incentivar os jovens a serem religiosos. A religião também é uma opção pessoal de cada um", disse.
Informações sobre gastos com o kit
João Campos disse ainda que entregou um requerimento ao Ministério da Educação (MEC) no mês de abril pedindo informações sobre a prestação de contas do programa Escola sem Homofobia. "Ao que nos parece, as entidades contratadas para fazer o kit receberam um dinheiro significativo e até hoje não prestaram contas. Queremos saber o que foi feito com esse dinheiro e, se for comprovada a falta de prestação de contas, que medidas o governo tomou". Segundo o parlamentar, ele ainda não teve resposta do MEC sobre o requerimento.
A ONG Pathfinder do Brasil, responsável pelo convênio do programa Escola sem Homofobia, informou que tudo foi feito dentro dos prazos estabelecidos e que todos os materiais foram produzidos, ficando sob responsabilidade do MEC a destinação do conteúdo. Foram liberados cerca de R$ 1,8 milhão para o programa por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Por que sobram tantas vagas no ensino superior brasileiro?


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EDUCAÇÃO

Apenas 53% dos alunos que entram na universidade concluem o curso. Nem as instituições particulares nem as públicas conseguem garantir a permanência dos estudantes.

Quase metade (49%) das vagas abertas em processos seletivos de universidades, centros universitários e faculdades não é ocupada no Brasil. O número de cadeiras ociosas ainda cresce no decorrer da graduação, já que dos alunos que ingressam nos cursos apenas 53% obtêm o diploma. No Paraná, os números são semelhantes: a cada 100 oportunidades oferecidas a novos estudantes no ensino superior, 53 são aproveitadas. E, dos universitários que ingressam nos cursos, somente 29 concluem a formação.
Os dados estão no Censo da Educação Superior de 2010, que traz os números mais recentes sobre o tema. A rede particular é onde a ociosidade aparece com mais intensidade, embora as públicas também registrem o problema.
Procura
Prestígio social dos cursos influencia na formação das turmas
Segundo a coordenadora do curso de Pedagogia das Faculdades Integradas do Brasil (UniBrasil), Paulla Helena Silva de Carvalho, o não preenchimento de todas as vagas em cursos de licenciaturas, seja em instituições públicas ou privadas, tem muito a ver com a imagem feita do profissional de educação básica. “É difícil encontrar hoje um professor de Química ou Física, porque quem se forma nessas áreas quer ser é químico ou físico, e não dar aulas”, diz.
Critérios subjetivos de valorização de alguns cursos e algumas instituições seriam, inclusive, mais relevantes na escolha feita pelos estudantes do que rankings ou índices de medição de qualidade. É o que diz Luana Kava, responsável por programas de orientação profissional no Colégio Decisivo. “Os alunos raramente falam sobre os índices do MEC”, afirma. Essa seria a razão pela qual as universidades federais nunca perdem seu prestígio, ainda que alguns dos cursos mais bem avaliados nem sempre sejam ofertados por elas. O professor de Psicologia Décio Zanoni Júnior, da Faculdade Dom Bosco, confirma a importância relativa desses índices, mas diz que há uma tendência de que eles ganhem relevância no processo de escolha.
Evasão
Nas públicas, desistência é principal fator de preocupação
Com índices de concorrência muito maiores, as instituições públicas naturalmente ficam mais próximas de preencher a totalidade de vagas oferecidas nos processos seletivos e nas chamadas complementares. Os números da evasão, por outro lado, preocupam. Para cada 100 vagas oferecidas no Brasil, são feitas 92 matrículas, mas apenas 40 alunos chegam à formatura.
Segundo Cláudio Puríssimo, coordenador do curso de Agronomia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que está entre os mais bem avaliados do país, o total de vagas só não é preenchido na primeira chamada em função da cultura de se prestar vestibular em várias instituições. “Estudantes de outros estados ou cidades fazem a prova e depois optam por não vir”, diz. Já as causas da desistência no decorrer desse e de outros cursos são múltiplas.
As vagas oferecidas pelo Programa de Ocupação de Vagas Remanescentes (Provar) da UFPR dão algumas pistas sobre os motivos do abandono. Cursos que exigem permanência em tempo integral do estudante na universidade, reduzindo as possibilidades de trabalho remunerado, estão entre os que mais abrem vagas remanescentes.
O curso integral de Química, por exemplo, ofereceu 11 vagas para serem repostas no início de 2012, e o de Agronomia, 18. Em toda a universidade foram oferecidas 299 vagas para transferências de outras instituições. A média gira em torno de 4 vagas por curso.
Sisu
Na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), onde é usado o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do MEC, algumas vagas permaneceram abertas devido ao não comparecimento de alunos chamados. O Sisu é um sistema on-line que seleciona alunos de todo o país com base na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os candidatos não precisam se deslocar até a cidade onde a instituição está localizada para prestar o vestibular.
As instituições de ensino superior privadas abriram no Paraná cerca de 160 mil vagas e, ainda que 170 mil candidatos tenham participado de vestibulares, pouco mais de 68 mil alunos se matricularam. Segundo o consultor educacional Renato Casagrande, essa discrepância é explicada, em parte, pela falta de critério técnico na abertura de vagas.
“Raramente se faz uma pesquisa de mercado rigorosa. As universidades lançam um curso e se ele não vinga elas fecham e lançam outro. É uma decisão muito intuitiva”, avalia.
O consultor conta que um cálculo simples costuma ser usado pelo setor na tentativa de prever a demanda e definir o número de vagas a serem abertas.
A concorrência no vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) seria a principal referência. Do número de candidatos é subtraída a quantidade de vagas oferecidas pela instituição e o resultado é dividido pela quantidade de instituições privadas que oferecem o mesmo curso na cidade.
Esse procedimento só pode ser executado pelas universidades, já que faculdades e centros universitários têm menos autonomia e dependem de autorização do MEC para abrir cursos ou ampliar vagas. Mesmo assim, segundo Casagrande, é comum esses estabelecimentos pedirem ao MEC mais vagas do que realmente pretendem abrir, pois assim não precisam fazer uma nova solicitação no caso de a procura pelo curso ser grande.
Mensalidade cara
Essas questões administrativas ajudam a inflar as diferenças apontadas pelo censo, mas a evasão motivada pela dificuldade de pagar as mensalidades resulta em números ainda maiores.
O curso de Engenharia Mecânica, por exemplo, um dos mais caros nas universidades particulares de Curitiba (com mensalidades que variam entre R$ 1.279 e R$ 1.876), forma no país, em média, apenas 7% dos alunos que se matriculam no primeiro período das particulares.
Para Casagrande, o Programa de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade Para Todos (Prouni), que concede bolsas em instituições de ensino superior particulares, são boas iniciativas, mas oferecem vagas numa proporção muito abaixo das necessidades do Brasil. “Se você compara com as linhas de crédito para habitação e automóveis, pode-se notar como esses programas são tímidos”, diz.
Graduação não tem desistência há quase 4 anos
De acordo com o coordenador do curso de Agronomia na UEPG, Cláudio Puríssimo, há quase quatro anos o curso não tem desistências, e a fila de candidatos só cresce. O resultado positivo teria origem na reputação construída desde o início da adoção de sistemas de avaliação pelo MEC.
O curso passou quatro vezes pelo antigo Provão e obteve conceito A em todas as edições, feito alcançado por apenas outras três graduações no país. Desde que o Enade foi implantado, somente em 2004 o curso não obteve a nota máxima, conquistada em todas as edições posteriores. Hoje, é a única graduação de Agronomia do país com duas notas 5 seguidas. A demanda levou a universidade a aumentar recentemente o número de vagas anuais de Agronomia, de 45 para 60.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Assembleia Legislativa do Paraná irá divulgar o salário de todos os servidores


Segundo presidente da Casa, a divulgação dos dados deverá acontecer em conjunto com outros órgãos para garantir “sintonia entre poderes”. Outra ação anunciada é o limite mensal de R$ 78 mil por gabinete para a contratação de comissionados.

A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) anunciou nesta quarta-feira (23) que irá tornar público o salário de todos os servidores da Casa. O anúncio foi feito pelo presidente da Alep, o deputadoValdir Rossoni (PSDB). Além disso, foi estabelecido um teto para remuneração de funcionários comissionados dos gabinetes dos deputados.
Segundo Rossoni, a remuneração de cada servidor será anunciada em conjunto com o Ministério Público, o Tribunal de Justiça, o Governo do Estado e o Tribunal de Contas, para “garantir a sintonia entre os poderes”. Os valores serão divulgados no Portal de Transparência da Casa. A publicação dos salários, segundo Rossoni, depende apenas de ajustes técnicos.
Além disso, foi anunciado um limite mensal da verba de contratação de funcionários comissionados de até R$ 78.525 por cada gabinete, na contratação de até 23 servidores. De acordo com o presidente da Casa, a medida corrige uma distorção do ato nº 782, de 2010, que gerava uma interpretação variada. O ato não deixava claro o limite e permitia o valor de até R$ 160.540,00 por gabinete, com a soma de gratificações e benefícios.
Em abril deste ano, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) decidiu proporuma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando a constitucionalidade de uma lei que criou 1.704 cargos comissionados na Assembleia Legislativa do Paraná. A lei questionada pela OAB foi editada em 2010 pela Assembleia, após as denúncias publicadas pela série de reportagens “Diários Secretos”.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Brad Pitt reina em Cannes na pele de um assassino de aluguel


Divulgação / Brad Pitt ganha os holofotes em CannesBrad Pitt ganha os holofotes em Cannes
CINEMA

Além de interpretar o protagonista, Pitt é o produtor de "Killing Them Softly".

O astro de Hollywood Brad Pitt chegou nesta terça-feira a Cannes na pele de um assassino que quer "matar suavemente" no thriller violento e cínico "Killing Them Softly", do australiano Andrew Dominik, na disputa pela Palma de Ouro.
Pitt, 48 anos, com terno claro, óculos escuros, cavanhaque e seus cabelos loiros soltos até os ombros, atraiu os holofotes de Cannes, onde chegou sem a sua noiva Angelina Jolie, que não pode ir ao balneário na Riviera francesa, porque está "preparando seu novo filme".
Além de interpretar um assassino de aluguel, Pitt é o produtor deste filme ultraviolento, que conta a história de um acerto de contas entre mafiosos, tendo a crise financeira como pano de fundo, assim como as últimas eleições americanas que levaram Barack Obama à Casa Branca.
O filme, um dos quatro longas-metragens americanos que disputam a Palma de Ouro, é uma adaptação atualizada do romance "Cogan's Trade", publicado há 40 anos por George V. Higgins.
Questionados sobre a violência do filme, Pitt e Dominik, que já havia dirigido o ator em "O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford" (2007), ressaltaram que o filme, ambientado em 2008, retrata a realidade que nos rodeia, "centrada em fazer dinheiro".
"Vivemos em um mundo de violência e a violência tem que ser filmada. Não me choca", declarou o ator, observando que também não fica assustado em interpretar um assassino.
"Prefiro interpretar um assassino do que um racista", disse Pitt, que divide as cenas com um elenco cheio de testosterona: Ray Liotta, James Gandolfini ("Família Soprano"), Sam Shepard, e o australiano Ben Mendelsohn.
Pitt, que no ano passado foi a Cannes com "A árvore da vida", de Terence Malick, que conquistou a Palma de Ouro, e em 2009 com "Bastardos Inglórios", explicou que produziu esse filme porque quer "ajudar a fazer filmes que dizem algo sobre quem somos, sobre o mundo em que vivemos".
Seu personagem, Cogan, que "se esforça para não fazer suas vítimas sofrerem", daí o título do filme, faz declarações de impacto, como a de que os Estados Unidos "não são um país, são um negócio".
O cineasta, que filma a violência de forma estilizada, destacou que este trabalho, como outros do gênero, fala da "sociedade em que vivemos e do capitalismo".
"Eu sempre acreditei que os filmes de crime falam, na verdade, do capitalismo. É um gênero baseado na motivação de todos os personagens em ganhar dinheiro", insistiu Dominik.
Na coletiva de imprensa, Pitt também negou os rumores de que ele e Angelina Jolie já definiram uma data para seu casamento.
"Não, não é verdade que já temos uma data" para o casamento, disse o ator, que causou grande decepção entre os centenas de paparazzi que cobrem o festival ao anunciar que não estará acompanhado de Jolie quando pisar nesta terça-feira à noite no tapete vermelho do Palácio dos Festivais para a estréia de "Killing Them Softly".
Pitt explicou que ele e Jolie, cujo noivado foi anunciado em abril passado, adorariam trabalhar juntos novamente em um filme.
Jolie, 36 anos, e Pitt se conheceram durante as filmagens de "Sr. e Sra. Smith", em 2005, quando o ator ainda era casado com a atriz de "Friends", Jennifer Aniston.
O casal tornou público o seu relacionamento no início de 2006 e tem seis filhos: Maddox, 10 anos, Pax, 8 anos, Zahara, 7, Shiloh, 5 e os gêmeos Knox e Vivienne, 3 anos.

Aprovada proposta que aumenta pena para crimes de internautas que usarem perfis falsos


Publicação: 22/05/2012 07:23 Atualização:
Brasília – Usuários da internet que usarem perfis falsos em redes sociais ou correspondências eletrônicas (e-mails), por exemplo, poderão ser enquadrados como crimes de informática passíveis de seis meses a dois anos de pena de prisão. A pena integra o elenco de propostas de aperfeiçoamento do Código de Processo Penal, sob a análise de juristas nomeados pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

O resultado desse trabalho será encaminhado para a análise dos parlamentares na forma de um anteprojeto de lei ainda neste semestre. A proposta, aprovada em reunião da comissão de juristas, nesta segunda-feira, prevê o aumento de um terço da pena se, pela internet, o perfil falso causar prejuízos a terceiros. O relator da comissão, procurador Luiz Carlos Gonçalves, acrescentou que os hackers, especialistas em informática capazes de modificar programas e redes de computadores, merecerão um capítulo à parte no anteprojeto.

Recentemente, a atriz Carolina Dickman teve fotos íntimas veiculadas em páginas da internet. Casos como esse terão pena de dois anos de prisão acrescido em um terço pela utilização da rede mundial de computadores. Os juristas ainda analisam a penalização de crimes mais graves, como o acesso indevido de dados comerciais protegidos.

Os juristas também aumentaram penas para qualquer pessoa que, de posse de informações de processos judiciais que correm em segredo de Justiça, sejam divulgados à imprensa. A quebra do segredo de Justiça – como sigilos fiscal, telefônico e bancário – pode passar de dois a quatro anos de prisão para dois a cinco anos de prisão.

"O foco da criminalização não é o trabalho da imprensa que noticia um fato que chegou ao conhecimento dela. O regime constitucional de liberdade de imprensa, de proteção do sigilo da fonte, nos impediria de agir de forma diversa", disse o relator da comissão de juristas. Luiz Carlos Gonçalves ressaltou que esse tipo de crime já está previsto na Lei de Interceptação, mas a ideia é tipificá-lo no Código Penal. Pelo que foi aprovado hoje, caso os dados vazados sejam veiculados em meios de comunicação, a pena de dois a cinco anos será aumentada em um terço.

Outro tema apreciado na reunião foi a corrupção no setor privado. O procurador Luiz Carlos Gonçalves disse que a lei atual prevê o crime nesse setor somente quando existe o envolvimento de funcionário público. A proposta é tipificar, por exemplo, o funcionário do setor de compras de uma empresa privada que recebe vantagem indevida para beneficiar determinado fornecedor. "Estamos adequando nossa legislação ao parâmetro internacional de corrupção privada", observou o relator da comissão de juristas.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Consumo humano de água também é responsável pelo aumento do nível dos mares


O nível médio dos mares do mundo aumentou, em média, 18 milímetros ao ano no período compreendido entre 1961 e 2003, segundo medições feitas ao longo da costa por marégrafos, instrumentos que registram o fluxo e refluxo das marés.

O uso maciço de recursos hídricos em nosso planeta paradoxalmente tem sido responsável por grande parte da alta do nível dos oceanos constatado ao longo das últimas décadas, calcularam climatologistas em um estudo publicado este domingo (20).
O nível médio dos mares do mundo aumentou, em média, 18 milímetros ao ano no período compreendido entre 1961 e 2003, segundo medições feitas ao longo da costa por marégrafos, instrumentos que registram o fluxo e refluxo das marés.
Os cientistas procuravam, depois de um longo tempo, determinar com precisão a proporção desta elevação que poderia ser atribuída ao aquecimento global. Em seu célebre relatório de 2007, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) tinha chegado a uma estimativa de alta de 1,1 mm neste período, sobretudo devido ao efeito da "dilatação térmica dos oceanos" - fenômeno que ocorre quando a água quente ocupa um volume maior do que a água fria - e do derretimento das geleiras e das calotas polares.
Restava, ainda, uma alta de 0,7 mm ao ano para elucidar, um mistério que levou muitos cientistas a se interrogarem sobre a validade de seus cálculos.
Em um estudo publicado na revista científica britânica Nature Geoscience, uma equipe chefiada por Yadu Pokhrei, da Universidade de Tóquio, calcula que esta alta inexplicável estaria ligada, essencialmente, à água extraída de lençóis freáticos e de lagos para consumo humano.
Certamente, a extração desta água se traduziu, inicialmente, por um recuo muito sutil do nível dos mares. Mas sendo consumida ou evaporada, a água retirada (e geralmente nunca reposta) acaba, na maioria dos casos, chegando ao limite do esgotamento, segundo estimativas de modelos informáticos.
"No total, o uso irracional da água subterrânea, sua captação nos reservatórios artificiais, o impacto das mudanças climáticas nas reservas terrestres de água e as perdas d'água em bacias fechadas (nr: lagos e mares interiores) contribuíram para uma elevação do nível do mar de 0,77 mm ao ano, em média, entre 1961 e 2003, respondendo a cerca de 42% da alta observada", avaliou o estudo.
No relatório de 2007 que constatou que as emissões de gases estufa originárias de atividades humanas são responsáveis pelo aquecimento global, o IPCC calculou que o nível dos oceanos aumentaria de 18 a 59 centímetros até o fim do século XXI, mas este cálculo não levou em conta o impacto potencial do derretimento do gelo, que poderia ameaçar certas cidades costeiras e deltas se a tendência atual de aquecimento se mantiver.

Eclipse com "anel de fogo" escurece o Hemisfério Norte



KANARRAVILLE, Estados Unidos, 21 Mai (Reuters) - O Sol e a Lua se alinharam no domingo sobre a Terra num raro evento astronômico, o eclipse anular, que obscureceu partes da Ásia e da América do Norte, criando por alguns instantes um anel de fogo no céu.
Num campo de Utah, milhares de pessoas reunidas para apreciar o fenômeno aplaudiram, gritaram e até uivaram durante o auge do eclipse.
"A maravilha disso, a pura coincidência de isso poder acontecer, isso me deslumbra totalmente", disse Brent Sorensen, professor de Física da Universidade do sul de Utah, que levou seis telescópios para oferecer aos curiosos na localidade rural de Kanarraville.
Esse foi o primeiro eclipse anular que pôde ser visto nos EUA desde 1994, e o próximo será em 2023. Ele ocorre quando a Lua está no seu ponto mais distante da Terra e, ao passar diante do sol, cobre mais de 90 por cento dos seus raios, deixando apenas uma borda exposta.
O anel foi visível durante quatro minutos para quem estava bem no centro da faixa terrestre voltada para o fenômeno.

Xuxa revela que sofreu abuso sexual na infância


“Com 13 anos foi a última vez”, declarou a apresentadora, ao programa Fantástico.

A apresentadora Xuxa Meneghel, de 49 anos, disse no domingo (20) ao Fantástico, da Rede Globo, que foi abusada sexualmente durante a infância e o começo da adolescência. “Com 13 anos foi a última vez”, declarou. Segundo ela, os abusos ocorreram “várias vezes” e seu pais não foram avisados porque ela tinha medo de contar.
“Tinha medo de falar para o meu pai e meu pai achar que era eu que estava fazendo isso, porque uma vez foi com o melhor amigo dele, o cara que queria ser meu padrinho. Eu não podia falar com a minha mãe, porque uma das vezes foi com o cara que ia casar com a minha avó, mãe dela. Então a errada era eu? Eu não sabia o que era. E os professores. O professor chegou para mim e falou: ‘Não adianta você falar porque entre a palavra de um professor e um aluno eles vão acreditar no professor.’ E até hoje, se você me perguntar, ainda acho que foi por minha culpa”, relatou.
A revelação foi feita no quadro "O que vi da vida", no qual personalidades fazem um apanhado de sua história. O depoimento de Xuxa durou 25 minutos. O assunto foi detalhado quando a apresentadora falava sobre suas ações com crianças moradoras de rua. Ela disse ter ouvido histórias de crianças que foram para as ruas para fugir de abusos sexuais e disse que sabia o que elas tinham passado.
“Eu fui abusada. Eu sei o que é, o que uma criança sente. A gente sente vergonha, a gente não quer falar sobre isso, acha que a gente é culpada”, disse. “Tinha vergonha, me calava, me sentia mal, me sentia suja. Se não tivesse o amor da minha mãe, teria ido embora.” As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Facebook muda estratégia de leitura


Robyn Beck/AFP / Campus do Facebook, na Califórnia. Rede está trás de uma nova maneira de incentivar leituraCampus do Facebook, na Califórnia. Rede está trás de uma nova maneira de incentivar leitura
COMPARTILHAMENTO

Facebook muda estratégia de leitura

Rede social abandona “artigos lidos recentemente” e testa nova ferramenta, chamada “trending articles”, os artigos mais lidos.
A primeira página que aparece quando abrimos o Facebook, conhecida como feed de notícias, é como se fosse a primeira página de um jornal. Ela é a mais importante para a empresa e também para qualquer pessoa ou marca que queira aparecer na rede social. Estar no feed de notícias é como estar num espaço com uma audiência em potencial de 900 milhões de pessoas. O que aparece ali pode valer muito dinheiro, dependendo de como o algoritmo do Facebook decide ou não dar destaque para um conteúdo específico. É também de fundamental importância para o próprio Facebook: quanto mais a página prender a atenção do usuário, mais ele vai ficar logado dentro da rede social.
Nos últimos tempos, o feed de notícias vem sofrendo mudanças importantes, especialmente desde o anúncio do redesenho do Facebook e da chegada da Timeline, em setembro do ano passado. Uma das alterações mais polêmicas foi a maneira com que as histórias lidas pelos usuários passaram a ser repassadas para os colegas. Uma nova ferramenta, chamada de “frictionless sharing”, ou compartilhamento sem fricção, partiu do pressuposto de que o compartilhamento de notícias lidas ou vídeos assistidos não mais precisaria ser um ato completamente deliberado – bastaria instalar um aplicativo de leitura social de terceiros, como o do Washigton Post, Yahoo ou Guardian, e os artigos lidos seriam automaticamente compartilhados com os amigos.
 / Aplicativo do Yahoo no Facebook, pedindo para ser instaladoAmpliar imagem
Aplicativo do Yahoo no Facebook, pedindo para ser instalado
Limpandos os apps
Aprenda algumas maneiras de limpar o Facebook dos aplicativos e permissões que você instalou, ou siplesmente como eliminar o “trending articles” do seu feed de notícias.
“Trending articles”
- Para sumir com os trending articles, é preciso usar os navegadores Firefox ou Chrome e ter a extensão Stylish instalada. No Firefox, a extensão pode ser encontrada nesse link
- Depois disso, basta baixar um script feito para o Stylish. Clique no seguinte link e depois em” instalar”.
Apps
- Entre na página do Facebook e clique na seta ao lado do seu nome, no canto direito superior, e escolha a opção “configurações de privacidade”.
- Desça até “Aplicativos e Websites” e clique em “Editar configurações”.
- A lista com todos os aplicativos e permissões do uso do Facebook em outros sites pode ser visualizada. Para deletar, basta clicar no ‘x’.
900 milhões
de pessoas é a audiência em potencial de qualquer destaque que esteja no feed de notícias do Facebook. O que aparece ali pode valer muito dinheiro, dependendo de como o algoritmo do Facebook decide ou não dar destaque para um conteúdo específico. É também de fundamental importância para o próprio Facebook: quanto mais a página prender a atenção do usuário, mais ele vai ficar logado dentro da rede social.
Esses aplicativos tiveram uma grande adesão logo que foram lançados, graças à possibilidade de se propagarem pelo feed de notícias dos usuários. Sempre que alguém clica no link de uma notícia do tópico “artigos lidos recentemente”, ele não é diretamente direcionado para a notícia, mas sim para uma página que pede autorização para a instalação de um aplicativo (na foto, a autorização para o app do Yahoo). Uma vez instalado, os artigos lidos passam então a serem compartilhados com os amigos. Quando esses tentam ler o artigo, também caem na página do pedido de autorização, e assim sucessivamente, fazendo com que o número de pessoas instalando o aplicativo crescesse exponencialmente.
Mais de 21 milhões de pessoas baixaram o aplicativo do Washigton Post, sendo que 50% delas moram fora dos EUA e 75% tem menos de 35 anos, uma mudança grande no perfil do leitor do jornal.
Debandada
Nas últimas semanas, porém, de acordo com o site AppData, que coleta dados sobre aplicativos no Facebook, milhares de pessoas passaram a desinstalar essas ferramentas de leitura social. O próprio Washington Post perdeu 4,3 milhões de usuários. O Terra viu uma redução de 6 milhões para 4,7 milhões no número de usuários. Outros aplicativos também viram quedas abruptas semelhantes.
Ainda não está claro o que causou esse desengajamento dos leitores. Uma hipótese é que o hábito de clicar no link das notícias lidas pelos amigos caiu em desuso porque ficou claro que as notícias compartilhadas não foram pensadas pelo usuário com esse propósito. Ao contrário da postagem de um link, em que o usuário se dá ao trabalho de encontrar o link e postar na sua página, sinalizando claramente para os amigos que aquela notícia pode ser interessante para eles, no caso do compartilhamento automático os usuários simplesmente aprenderam a ignorar o conteúdo e esse foi o motivo da debanda.
Outra hipótese é que o Facebook percebeu que o nível de engajamento com os aplicativos de leitura social estava caindo e resolveu mudar de estratégia, dando menos destaque para esses links. É o que defende Josh Constine, do site Techcrunch, um dos maiores blogs de tecnologia dos EUA. Ele afirma que uma queda tão abrupta em tão pouco tempo não pode ocorrer apenas por uma mudança de comportamento dos usuários. Normalmente, isso levaria tempo. Segundo ele, o Facebook passou a dar menos destaque para os “artigos lidos recentemente” para testar uma nova ferramenta de leitura, chamada de “trending articles”, algo como as notícias mais lidas.
Ainda em fase de testes, muitos usuários já podem visualizar o “trending articles”. Dentro de um box cinza, aparecem o título de uma notícia, uma imagem associada a essa notícia e o usuário que a leu. Ao contrário dos “artigos lidos recentemente”, o “trending articles” também fica mais para baixo do feed, e não logo no início, chamando menos atenção.
Ainda não está claro de que maneira o Facebook determina o que vai parar no “trending articles” – em vários casos observados pela reportagem, os links eram de matérias antigas, de 2009 e 2010, e de um assunto bem pontual, como “Morre ator de Caras e Bocas” , uma notícia sobre a morte do ator Daniel Pacheco, em 2010.
O que está claro é que o Facebook está tentando achar uma maneira de compartilhamento de notícias que não sacrifique a experiência do usuário e agregue valor tanto para os usuários quanto para as empresas de mídia que apostam nos aplicativos dentro da rede social, diz Constine. “O Facebook tenta criar o feed de notícias mais agradável possível, com taxas de retorno maiores e com os anúncios que se seguem como um bom efeito colateral. Assim, apesar de o ‘artigos lidos recentemente’ terem garantido uma abundância de cliques para links pegadinhas como ‘A Snooki (americana que ficou famosa após participar de um reality show nos EUA) está grávida?’, ele pode não ter sido a melhor experiência para o usuário. E foi por isso que ele foi eliminado.”

Governo muda regras na polícia após denúncias


Henry Milléo/ Gazeta do Povo / Governador Beto Richa (ao centro) reuniu a cúpula das polícias Civil e Militar para cobrar mudanças e investigaçãoGovernador Beto Richa (ao centro) reuniu a cúpula das polícias Civil e Militar para cobrar mudanças e investigação
CONTROLE PÚBLICO

Reportagem da Gazeta do Povo mostrou que delegacias fantasmas, fechadas há anos, continuam recebendo recursos para manutenção.

O governo do Paraná decidiu mudar as regras do fundo rotativo da Polícia Civil depois das denúncias da Gazeta do Povo sobre delegacias fantasmas no estado. Em reunião extraordinária ontem à tarde no Palácio Iguaçu, o governador Beto Richa (PSDB) tratou do assunto com a cúpula das polícias Civil e Militar. Uma resolução da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) passará a gestão do fundo para 27 delegados-chefes de divisões e subdivisões policiais, uma espécie de regionais administrativas da Polícia Civil no estado. Hoje, cada delegado responsável por uma delegacia gere o dinheiro do fundo.
Richa determinou que a Corregedoria da Polícia Civil investigue as denúncias. Após a reunião, o secretário estadual de Segurança Pública, Reinaldo de Almeida César Sobrinho, o delegado-geral da Polícia Civil, Marcus Vinicius Michelotto, e o diretor do Grupo Auxiliar Financeiro (GAF), Pedro Reichembak Brito, afirmaram que o governo já estudava mudanças na administração do fundo rotativo. Essas mudanças, segundo o secretário, vão melhorar a fiscalização.
As medidas
Veja as mudanças anunciadas pelo governo do Paraná depois das denúncias da Gazeta do Povo.
1 – Descentralização da gestão do fundo rotativo da Polícia Civil. Apenas 27 delegados responsáveis por subdivisões e divisões administrarão os recursos;
2 – Prestação de contas dos recursos do fundo rotativo será trimestral. Até ontem, os delegados apresentavam as contas de seis em seis meses;
3 – Governo deve editar um manual de uso do fundo;
4 – Corregedoria da Polícia Civil vai investigar as denúncias e eventuais irregularidades;
5 – Os atuais gestores do fundo rotativo deverão prestar contas dos gastos realizados em 2012 no prazo máximo de 30 dias, a partir de hoje;
6 – A Sesp deve adotar o uso de cartão magnético para o abastecimento de combustível das viaturas das polícias Civil e Militar;
7 – Licitação conjunta entre as polícias Civil e Militar para a aquisição de combustíveis;
8 – As polícias Civil e Militar devem apresentar em 60 dias um estudo para a otimização de instalações físicas nos municípios de menor densidade populacional;
9 – O delegado de Antonina, Iberê Toniolo, responsável por Guaraqueçaba, foi convocado pela Corregedoria para prestar esclarecimentos.
Os crimes
Veja as implicações legais em caso de desvio:
Peculato
Art. 312 - Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tem a posse em razão do cargo, ou desviá-lo, em proveito próprio ou alheio:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.
Emprego irregular de verbas ou rendas públicas
Art. 315 do Código Penal - Dar às verbas ou rendas públicas aplicação diversa da estabelecida em lei:
Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) meses, ou multa.
Quadrilha ou bando
Art. 288 - Associarem-se mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim de cometer crimes:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos.
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O governo deve publicar hoje no Diário Oficial do Estado a resolução que coloca a mudança em prática. “Desde 1996 se fala do problema de gestão deste fundo e, por isso, desde o início desta gestão temos nos debruçado sobre ele”, ressalta Almeida César. O diretor do GAF, por sua vez, explicou que cada subdivisão policial já possui grupos de fiscalização desde o começo do ano, chamados de comissões permanentes de licitações.
Haja gasolina
Entre tantos exemplos, a reportagem expôs o caso de Cruzeiro do Sul, cuja delegacia está fechada há seis anos e ainda recebe dinheiro do fundo rotativo da Polícia Civil: R$ 75.635 nos últimos oito anos. Em nota oficial, o governo diz que o atendimento na cidade é feito pelo delegado gestor da regional de Paranacity, com uma viatura Parati, ano 2001, placa AJZ-8162. “Portanto, a verba destinada ao município é para combustível para esta viatura e outras despesas”, diz a nota. O governo só não explica quais são as “outras despesas”, já que a unidade está fechada.
No entanto, se os gastos em Cruzeiro do Sul forem apenas com combustível, os R$ 11.050,00 repassados no ano passado dariam 4.420 litros de gasolina, a um custo de R$ 2,50 o litro. A uma média de 8 km rodados por litro, se chegaria a 35.360 km no ano, média de 97 km por dia, incluindo sábados, domingos e feriados. O curioso é que Cruzeiro do Sul fica a apenas 10 quilômetros de Paranacity e entre 2008 e 2010 não houve um inquérito sequer instaurado na cidade.
Para justificar o combustível que seria destinado ao Kadett 1993 fora de circulação em Nova Santa Rosa, o governo alega que a cota não é por viatura, mas por unidade policial. O atendimento no município, segundo a nota, vem sendo feito pela regional de Marechal Cândido Rondon com um Fiat Elba, placa ADV-0476, sob responsabilidade de um delegado designado pela subdivisão de Toledo. Esse veículo usa a cota mensal de combustível da delegacia de Nova Santa Rosa. Nesse caso, os R$ 14.300,00 destinados à unidade só no ano passado dariam 5.720 litros de gasolina, suficientes para rodar 45.760 km, o equivalente a mais de uma volta inteira ao redor da Terra.
Sobre Guaraqueçaba, o governo explica que o consumo de combustível justifica os gastos, já que a equipe da delegacia de Antonina vai ao município de barco e de carro quando necessário. A delegacia local está aos pedaços, conforme mostrou a reportagem. Ainda assim, o delegado de Antonina, Iberê Toniolo, gastou R$ 7.280 em uma placa de identificação para a unidade. O valor foi liberado em abril de 2011 e, na sexta-feira, Toniolo disse à reportagem que ela ficaria pronta hoje, um ano depois. Já o chefe do GAF, Pedro Reichembak Brito, garante que ela existe e está guardada.
Juristas apontam peculato e improbidade
As investigações realizadas pela Gazeta do Povo nas contas do fundo rotativo da Polícia Civil do Paraná apontam indícios de crime por emprego irregular de verbas públicas e de peculato de desvio, este com pena que varia de 2 a 12 anos de reclusão. Também há infrações que incorrem em improbidade administrativa. A conclusão é de cinco especialistas em Direito Público e Administrativo ouvidos pela reportagem. A origem do problema está no fato de o dinheiro sair dos cofres públicos e não chegar às delegacias às quais se destina.
“É preciso identificar onde esse dinheiro está se perdendo. Esse dinheiro sai de uma conta pública e vai para algum lugar. Nesse caminho, se alguém desvia de alguma forma, pratica o crime de peculato, o peculato de desvio”, explica o advogado criminal Rodrigo Garcia, professor da Fundação Getúlio Vargas.
Para os advogados entrevistados, as evidências apresentadas pela reportagem são consistentes e suficientes para suscitar investigações. Como exemplo, Garcia destaca o caso da delegacia de Cruzeiro do Sul, fechada há cinco anos, mas cujas verbas para manutenção continuam saindo dos cofres públicos. “Precisa ter uma história boa para justificar esse tipo de coisa. Em princípio, me parece difícil de ser justificado”, avalia.
Em caso de comprovação desses crimes, os especialistas dão como certa a existência de uma quadrilha articulada dentro da estrutura da Polícia Civil, coordenando os desvios. “Geralmente, [as irregularidades] envolvem quem está remetendo o dinheiro, a pessoa que está recebendo, os intermediários, às vezes até uma empresa”, diz o advogado Carlo Frederico Müller, especialista em crimes financeiros.
A rota dos recursos
Para os especialistas, com a divulgação dos indícios de irregularidades, a Corregedoria da Polícia Civil, o Ministério Público e o Tribunal de Contas devem, de imediato, iniciar investigações paralelas e independentes. Para Müller, as apurações devem se concentrar em refazer “o caminho do dinheiro” desde o momento em que o secretário de Segurança Pública assina a autorização de liberação dos recursos até a origem final dos valores. O especialista explica que, como as transações bancárias são criptografadas (chaves praticamente à prova de fraudes), em 99% de casos como esses se consegue chegar à conta para qual o dinheiro foi destinado.
“Com essa transação, você consegue saber: o dinheiro foi empenhado no dia tal, autorizado no dia tal, saiu no dia tal e chegou na conta tal”, garante Müller. “Neste caso, não poderia jamais ser depositado em uma conta de pessoa física, porque é um repasse de verbas de um órgão estadual para uma repartição pública”, ressalta.
Conselheiro do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp), Rodrigo Matheus diz que uma auditoria poderia apontar desvios ou mau uso de dinheiro público. “Mesmo que a gente não fale de desvio de dinheiro público para um particular, mas apure se não está havendo malversação de dinheiro público. Um excesso que também é uma ilegalidade”, explica.
Coordenador do curso de especialização em Direito Administrativo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o advogado Márcio Cammarosano diz que há indícios para um pente-fino do Tribunal de Contas nos repasses do fundo rotativo. O presidente da Sociedade de Brasileira de Direito Público, Carlos Ari Sundfeld, indica ainda a atuação de outras instituições. “O MP tem competência para ajuizar, por exemplo, uma ação de improbidade administrativa, fazendo mais investigações ou usando apenas os elementos da reportagem”, disse.