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sábado, 27 de outubro de 2012

Tom ameno marca último debate na TV em Curitiba


Hugo Harada/Gazeta do Povo / Ratinho Junior e Gustavo Fruet preparados antes do início do debate
Ratinho Junior e Gustavo Fruet preparados antes do início do debate
CONFRONTO

Depois de trocarem acusações em debates anteriores, Gustavo Fruet e Ratinho Junior evitaram confrontos e focaram propostas para a administração municipal na RPC TV.

No último debate da eleição em Curitiba, promovido pela RPC TV, os candidatos à prefeitura de Curitiba Ratinho Júnior (PSC) e Gustavo Fruet (PDT) adotaram tom ameno. Depois de trocas de acusações em debates anteriores, ambos evitaram confrontos e focaram nas propostas. Ao fim do programa, os concorrentes usaram a mesma palavra para definir o debate: cordial.

O candidato do PSC também afirmou que vai manter a tarifa de ônibus em R$ 2,60. Tarefa que não será fácil de cumprir, uma vez que a tarifa técnica, segundo a Urbs, já ultrapassou o valor da tarifa atual e está em R$ 2,90. Com isso, o subsídio é de R$ 0,30 por passagem. No começo do próximo mandato, o prefeito terá de lidar com a negociação dos cobradores e motoristas, o que deve aumentar ainda mais o custo do transporte público. O governo do estado repassa R$ 60 milhões para a prefeitura custear o subsídio.Leia a checagem de propostas e dados apresentados pelos candidatos

transporte público foi o tema mais discutido e os candidatos divergiram nas propostas para a área. Ratinho Junior citou o Veículo Leve sobre Pneus (VLP) para solucionar o problema de sobrecarga do sistema. Para ele, o sistema de canaletas já está saturado e seu espaço poderia ser utilizado para o VLP, que seria um investimento complementar. O dinheiro para viabilizar a proposta, segundo Ratinho Junior, viria de parcerias público-privadas, as chamadas PPPs.
Fruet disse que pretende melhorar o sistema de transporte público já existente, com mais ônibus em horários de pico e o desalinhamento nas canaletas. Para aumentar a velocidade dos ligeirões, o candidato apresentou como solução o Sistema Integrado de Mobilidade (SIM) e semáforos inteligentes.
Fruet também falou em ampliar os investimentos na área. Segundo ele, em quatro anos, com um investimento de R$ 200 milhões, seria possível aumentar em um terço o atendimento do transporte.
Sobre os táxis, Ratinho Junior propôs que a frota fique sob a responsabilidade da Secretaria de Turismo, com representantes da área atuando dentro da pasta. O candidato também sugeriu aumentar o número de placas, com 300 a 500 novas permissões. Esse aumento já foi aprovado pela Câmara Municipal de Curitiba, com a determinação de que haja um carro para cada 785 habitantes. Fruet considerou que as novas concessões devem ser prioritariamente dos taxistas que já estão trabalhando.
Drogas e educação
Investimento em educação é uma das maneiras para o combate ao uso de drogas, segundo os dois candidatos. Na educação, uma preocupação demonstrada pelos dois foi com a fila das creches. Ratinho Junior pretende criar 12,5 mil novas vagas e Fruet 15 mil.
Fruet reafirmou seu compromisso de aumentar o investimento na área, chegando a 30% do orçamento municipal. Para o ano que vem, a verba para a educação será de R$ 843 milhões, o equivalente a 26% do Orçamento, segundo ele. Já Ratinho disse que vai decidir quem será o novo secretário da Educação em conjunto com os professores.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Vivo cria antena mais discreta


Economia

Sexta-feira, 26/10/2012
Antônio More/Gazeta do Povo
Antônio More/Gazeta do Povo / Restrição às antenas comuns prejudicam o serviço nas cidadesRestrição às antenas comuns prejudicam o serviço nas cidades
TELEFONIA

Vivo cria antena mais discreta

Novo modelo, em teste na sede da operadora no Rio de Janeiro, tem apenas 1 metro de altura e pode ser fixado nos postes de iluminação das cidades.
A Telefônica/Vivo desenvolveu um protótipo que pode ser a solução para o problema de instalação de novas antenas em várias cidades do país, apontado pelas operadoras como o principal obstáculo para a ampliação das redes móveis e melhoria da qualidade do serviço prestado. O presidente da Telefônica do Brasil, Antônio Carlos Valente, falou sobre o assunto na manhã de ontem, durante evento promovido pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB) seção Paraná.
As alternativas às estações radiobase (ERBs) convencionais são antenas de cerca de um metro de altura que podem ser fixadas nas laterais dos postes de iluminação. Os outros componentes ficam em caixas subterrâneas feitas de plástico reforçado com fibras de vidro para evitar a entrada de água e umidade. O protótipo foi desenvolvido e patenteado pela empresa e já está sendo testado na sede da operadora no Rio de Janeiro.
Segundo Valente, a ampliação das redes móveis depende da instalação de novas antenas, mas esbarra no processo de licenciamento das ERBs, que é burocrático e demorado. O protótipo é a aposta da Telefônica/Vivo para expandir a cobertura 3G e ofertar o serviço 4G, que deve se implantado nas cidades-sede da Copa de 2014 até abril do próximo ano. “Apesar da chegada do 4G, não vamos perder de vista a ampliação da rede 3G no país. Até o fim deste ano, a cobertura vai chegar a três mil municípios brasileiros”, afirmou.
A Vivo pagou R$ 1,05 bilhão e venceu a disputa pelo segundo lote do leilão 4G para operar as frequências de maior capacidade de cobertura. Segundo o executivo, o valor faz parte de um pacote de R$ 23,4 bilhões em investimentos que serão aplicados entre 2011 e 2014. No início de outubro, a operadora anunciou a sueca Ericsson e a chinesa Huawei como fornecedores da sua rede de 4G.
Durante a palestra, Valente disse que o desafio de implantar uma rede com tecnologia nova deve ser facilitado pelo know-how trazido da Alemanha, que tem o maior mercado consumidor e o projeto de 4G mais desenvolvido da Europa. A empresa também continua investindo na ampliação da rede de fibra ótica, que vai viabilizar a sua plataforma de TV por protocolo de internet (IPTV), que utiliza o sistema da Microsoft. Atualmente, um milhão de domicílios no estado de São Paulo são cobertos por fibra ótica. Com relação à IPTV, Valente diz que o projeto deve revolucionar o conceito tradicional de TV e que os consumidores vão se surpreender com o acesso ilimitado aos conteúdos.
A aquisição da Vivo, em 2010, transformou a Telefônica na maior operadora integrada do país, em número de clientes e em receita. Em abril deste ano houve a mudança da marca e hoje a Vivo tem o desafio de administrar uma base de 91 milhões de clientes em todo o país “Passamos bem pela turbulência que atingiu o mercado de telecomunicações e tivemos êxito no processo de integração porque temos o compromisso de entregar aos nossos clientes serviços de qualidade, compatíveis com aquilo que vendemos.”

Internado, ex-modelo que virou mendigo vai receber visita da família


Vida e Cidadania

Sexta-feira, 26/10/2012
Arquivo familiar/ Divulgação
Arquivo familiar/ Divulgação / Rafael Nunes, em um de seus trabalhos como modelo fotográficoRafael Nunes, em um de seus trabalhos como modelo fotográfico
REABILITAÇÃO

Internado, ex-modelo que virou mendigo vai receber visita da família

Rafael Nunes da Silva está internado em uma clínica no interior de SP em um tratamento contra a dependência química. Familiares se preparam para a primeira visita, no dia 3 de novembro.
Internado em uma clínica para tratar de sua dependência química, o ex-modelo Rafael Nunes da Silva, 31 anos, que virou mendigo em Curitiba, deve receber a visita da família no primeiro fim de semana de novembro. O rapaz era usuário de crack e há um ano morava nas ruas. Ele ficou conhecido nas redes sociais, depois que uma turista o fotografou no Centro de Curitiba e publicou a imagem no Facebook.
Desde o último sábado (20), Nunes está internado no Centro Terapêutico Araçoiaba, localizado no interior de São Paulo. Segundo a clínica, Rafael poderá receber visitas a partir do dia 3 de novembro. A mãe do ex-modelo, Edit Nunes, disse que a família já se prepara para a viagem. “Vou na sexta-feira [2 de novembro] e retorno no domingo. A gente não vê a hora”, disse.

Neste momento, a família tenta juntar recursos para custear as passagens. Edit estima que a família vá gastar R$ 400 só em passagens. “A gente está procurando ajuda. Em último caso, vamos pedir aos parentes”, afirmou.Na primeira ida à clínica, Edit será acompanhada da esposa do irmão de Rafael. O pai dele, José Nunes, que é deficiente visual e que sofre de diabetes, não irá já na primeira visita. “É uma viagem longa. Então, eu vou primeiro com a Paula [a nora] para ver como é. Na próxima, dependendo das condições, o José vai”, explicou a mãe.
O tratamento
O tratamento a que Rafael é submetido terá duração de um ano. Nos oito primeiros meses, ele permanecerá em regime de internação. Nos quatro meses finais, o rapaz poderá ficar com a família, mas sob acompanhamento e com visitas periódicas à clínica.
De acordo com a clínica, o tratamento será dividido em cinco etapas: desintoxicação, adaptação, conscientização, equilíbrio e manutenção. A estratégica terapêutica semelhante à usada dos Alcoólicos Anônimos (AA). Paralelamente, Rafael terá sessões de psicoterapia, terapia ocupacional, musicoterapia, exercícios físicos e terapia holística.
O último boletim divulgado pelo centro informa que, desde que chegou à clínica, Rafael tem participado de atividades terapêuticas e lúdicas. O ex-modelo também está se alimentando bem, segundo a nota.

60 Anos da Telenovela Brasileira.


Walter Alves/Gazeta do Povo /
TELEVISÃO

60 Anos da Telenovela Brasileira.

Três atrizes – Vida Alves, 84 anos, conhecida por ter dado o primeiro beijo da teledramaturgia brasileira (em Walter Forster, na novela Sua Vida me Pertence, de 1951); Eva Wilma, 78 anos; e a maringaense Fernanda Machado, de 32 anos – foram as convidadas de honra no coquetel de lançamento da exposição 60 Anos da Telenovela Brasileira, iniciativa da TV Globo em conjunto com a Associação dos Pioneiros, Profissionais e Incentivadores da Televisão Brasileira (Pró-TV) e a RPC TV, que vai até o dia 11 de novembro no Teatro Guaíra. Para Vida Alves, o sucesso dos folhetins vem da infância: “São aquelas historinhas que a gente ouve desde criança, que o maluco do [escritor russo Fiodor] Dostoiévski inventou de separar em capítulos”, resume. “Some-se a isso o fato de a televisão ser a única fonte de informação e divertimento para muitos brasileiros e está explicado o sucesso.” A exposição fica aberta diariamente, das 10 às 20 horas, no Teatro Guaíra. A entrada é franca.

INFÂNCIA SEM COPA



Sai a lista dos aprovados no vestibular da PUCPR


Walter Alves / Gazeta do Povo / Cerca de 8,5 mil candidatos foram aprovados. Alunos fazem festa no campus da instituiçãoCerca de 8,5 mil candidatos foram aprovados. Alunos fazem festa no campus da instituição
RESULTADO

Sai a lista dos aprovados no vestibular da PUCPR

A festa para os calouros segue até as 17 horas e conta com banho de espuma, música e outras atividades.
Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) divulgou nesta sexta-feira (26), às 14h30, a lista dos aprovados no Vestibular de Verão 2013.
Cerca de 8,5 mil candidatos foram aprovados. As matrículas devem ser feitas até o dia 4 de novembro.
Para comemorar a vitória dos calouros, o Diretório Central dos Estudantes da Universidade promove, até as 17 horas, o Banho do Vestiba, uma festa no Estacionamento do Portão 4 da Universidade. O evento conta com banho de espuma, músicas e outras atividades lúdicas. A entrada dos participantes estará liberada pelo Portão 1, localizado na Rua Imaculada Conceição.
Um pouco mais de 23 mil pessoas participaram do vestibular no último domingo, dos 26,6 mil inscritos. Do total de vagas oferecidas, 9.684 em 63 cursos nos campi de Curitiba, Londrina, Maringá e Toledo, mais de mil não foram preenchidas.
>>> Passou no vestibular da PUCPR? Envie uma foto para nós!!! Nouniversidade@gazetadopovo.com.br

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Qual é sua análise para esta Charge?

Benett

Comentários feitos por alunos meus (no Col. Est. Ambrósio Bini - Alm. Tamandaré - Pr), serão avaliados.

Às vésperas da eleição, Ratinho Jr. admite erros na estratégia do 2.º turno


Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo
Marcelo Andrade/ Gazeta do Povo / Ratinho Jr.: “Há uma identificação dele [Fruet] com este eleitor [que votou no prefeito], pois ele fazia parte deste grupo político.”Ratinho Jr.: “Há uma identificação dele [Fruet] com este eleitor [que votou no prefeito], pois ele fazia parte deste grupo político.”
BALANÇO DE CAMPANHA

Às vésperas da eleição, Ratinho Jr. admite erros na estratégia do 2.º turno

Candidato avalia que pode ter perdido eleitores de Ducci ao enfatizar a ideia da mudança. E diz que não conseguiu desfazer os preconceitos dos quais foi alvo. Mas afirma ainda acreditar na vitória.
A menos de três dias da eleição, o candidato a prefeito de Curitiba Ratinho Jr. (PSC) admitiu ontem que sua campanha errou a estratégia na disputa do segundo turno. Após se encontrar com empresários do setor do turismo, na sede do Sindicato dos Hotéis e Similares de Curitiba, Ratinho Júnior disse que sua campanha pode ter perdido o voto do eleitor mais conservador ao enfatizar a ideia de “mudança”. Apesar disso, disse acreditar na vitória apostando no eleitor mais popular.
“Talvez a gente tenha deixado escapar os eleitores do [prefeito Luciano] Ducci migraram todos muito rápido para o Gustavo [Fruet]”, disse Ratinho Júnior. “Há uma identificação dele com este eleitor, pois ele fazia parte deste grupo político. O eleitor do Ducci acabou vendo nele [Fruet], sua segunda opção.”
Dia do candidato
Programa de despedida terá clima festivo
O candidato a prefeito Ratinho Júnior (PSC) gravou ontem pela manhã, no Largo da Ordem, o último programa que será exibido hoje no horário eleitoral gratuito. A gravação reuniu centenas de pessoas, em um clima de festa. A ideia é resgatar, na despedida oficial, o tom alegre do início da campanha. “Nada substitui a emoção e a responsabilidade que temos com essas pessoas. E é com essa força que vamos juntos para uma grande virada, que vai resgatar a criatividade da nossa cidade”, disse Ratinho Júnior. Depois, o candidato almoçou com empresários o setor do Turismo que apoiam a sua campanha. Ratinho prometeu reduzir o ISS do setor de 5% para 2,5% e desburocratizar a prestação de serviço da prefeitura para o setor. À tarde, o candidato fez carreatas e corpo a corpo com eleitores em bairros da região sul de Curitiba.
Justiça Eleitoral
Candidato do PSC tira do ar um comercial com o anão de Fruet
A campanha de Ratinho Júnior (PSC) conseguiu, na Justiça Eleitoral, retirar uma propaganda televisiva do candidato Gustavo Fruet (PDT) em que um ator dizia que o adversário não tinha propostas para a saúde. No vídeo, o ator Claudinho Anão diz: “Eu estava lendo o plano de governo do outro candidato, e parece que está tudo bem. Não precisa de postinho, não precisa contratar médico. Tá tudo joia”.
Metodologia
A pesquisa do Datafolha foi encomendada, registrada no TRE-PR com o n.º 00704/2012, ouviu 1.185 eleitores com 16 ou mais anos de idade, nos dias 23 e 24 de outubro. A margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi encomendada pela RPC TV e pela Folha de S.Paulo.
O candidato lamentou ainda que tenha funcionado, até agora, a estratégia usada para descontruir sua imagem, usando preconceitos contra sua idade, origem social e apelido. Segundo ele, a tática foi iniciada pela campanha de Ducci e assimilada por Gustavo Fruet (PDT). “Eles começaram jogando uma sensação de insegurança para a população em relação à minha idade, minha juventude. A campanha do Gustavo teve a habilidade de manter isso no ar no segundo turno”, reconheceu.
Essa habilidade teria faltado em sua equipe de campanha para rebater as investidas na mesma medida. “Nós fomos muito cautelosos para não entrar neste tipo de disputa política. Erramos. Demoramos para reagir. Temos que usar esses três últimos dias para tentar de alguma maneira reverter este quadro”, avaliou, sem “jogar a toalha”. A última pesquisa Datafolha, divulgada na quarta-feira, mostrou Fruet com 52% das intenções de voto contra 35% de Ratinho.
Defesa territorial
Para os últimos dias de campanha, Ratinho disse que pretende “fazer uma defesa territorial”, apostando que seus eleitores cativos conseguirão mais votos. Assim, a campanha do PSC vai continuar focando nos bairros da região sul de Curitiba, onde ele venceu no primeiro turno. “Resolvemos focar nos locais em que o eleitor mais se identifica com a gente. Aquele eleitor mais popular, dos bairros, aquele que gosta mais de mim e me vê como alguém que vai trazer mudança para a vida deles”, disse.
Questionado se esses eleitores já não estariam “ganhos” e, portanto, a estratégia não deveria ser outra – focada nos curitibanos de outros segmentos e regiões –, Ratinho Júnior disse estar tentando conquistar ex-eleitores de Ducci, que votaram no prefeito pelo trabalho social. “Esses eleitores ainda estão soltos e podem ser atraídos.”
Segundo ele, a estratégia para os demais eleitores será outra. “Com o público da região central, você fala mais com as propostas, com a televisão e as mídias sociais. É diferente do contato que você tem nos bairros em que as pessoas querem te pegar, te abraçar, tirar fotos”, disse.
Questionado ainda se teria uma “bala de prata”, alguma “arma” guardada para o debate de hoje na RPC TV, Ratinho Júnior negou. “Não tenho. Poderia ter sido maldoso com o Gustavo, mas não vou fazer isso. Quero trabalhar até o final e terminar bem a minha campanha.”

Ex-presos políticos se encontraram ontem no presídio do Ahú, onde foram encarcerados durante a ditadura


Henry Milleo/Gazeta do Povo / Dacio Villar foi detido com outros 41 estudantes quando organizava um congresso regional da UNE no bairro BoqueirãoDacio Villar foi detido com outros 41 estudantes quando organizava um congresso regional da UNE no bairro Boqueirão
REGIME MILITAR

De volta ao lugar onde se tornaram cativos

Ex-presos políticos se encontraram ontem no presídio do Ahú, onde foram encarcerados durante a ditadura.
Da janela do seu apartamento, Elisabeth Fortes acompanha a demolição do presídio do Ahú. A jornalista de 67 anos vê de perto a derrocada do lugar onde passou um ano e meio presa, no auge da ditadura militar. “Quase voltei para casa para buscar meu alvará de soltura”, disse ela ao entrar na antiga prisão ontem pela manhã, em uma visita com outros ex-presos políticos. Embora não possa mais ser detida, entrar no lugar causa estranhamento. “Acaba trazendo algumas recordações que machucam, mas também revejo pessoas queridas, há muito distantes”, diz.
A primeira vez em que entrou no presídio foi em dezembro de 1968, poucos dias depois da promulgação do AI-5. Elisabeth estava no grupo de 42 estudantes que foram presos na Chácara do Alemão, no bairro Boqueirão, enquanto tentavam organizar um congresso regional da União Nacional dos Estudantes (UNE). Os jovens ainda estavam se organizando quando a polícia do exército chegou. “Comecei a correr e hoje me lembro de um militar jovem que gritava e me mandava parar. Na terceira vez ele falou ‘pare ou eu atiro’. Fui presa”, lembra.
Memória
Ações de resistência ao regime são lembradas em Caravana da Anistia
Marcos históricos de resistência à ditadura militar em Curitiba foram rememorados ontem, na abertura da 63ª Caravana da Anistia. A ação é um mapeamento dos locais ligados à violação dos direitos humanos durante o regime ditatorial e começou no antigo presídio do Ahú, passando também pelo pátio da Reitoria da UFPR e pelo prédio histórico da universidade, além da Boca Maldita. Também fazem parte das atividades mesas e debates.
A caravana ainda terá um dos maiores julgamentos de requerimentos de anistia política do país. Hoje, a Comissão Nacional de Anistia vai analisar 42 casos, em que será apurada a responsabilidade do estado brasileiro nas violações de direitos humanos cometidas no Paraná. Os julgamentos serão realizados na sede da OAB-PR e são abertos ao público. As ações precedem a vinda da Comissão Nacional da Verdade ao estado, marcada para ocorrer em novembro.
Grades
Na época, Elisabeth tinha 23 anos. Ela e os outros detidos foram levados até o presídio do Ahú. O consultor Dacio Villar, de 68 anos, era um deles. “Colocaram-nos em um camburão e rodaram um dia, sem água nem banheiro. Depois nos trouxeram para cá. Passei por dois portões para entrar. Quando o segundo fechou, vi que era sério”, conta. Ele tinha 22 anos.
O grupo passou por uma triagem e 15 foram julgados e condenados. Entre dezembro de 1968 e julho de 1970, o Ahú foi a casa de vários estudantes. “Nosso julgamento foi uma farsa. Um militar dormia enquanto éramos julgados. Ele não precisava prestar atenção em nada, as cartas já estavam marcadas”, recorda Villar.
No presídio, ficavam separados dos outros presos, porque eram considerados subversivos. Os 13 homens viviam na sala da biblioteca e as duas mulheres ficavam em uma cela. Embora não tivessem liberdade, escaparam da tortura. “Muita gente sabia como e onde estávamos, então não nos tocavam. Mas vimos muitos presos nunca mais voltarem”, lembra Villar.
A vida atrás das grades teve um começo difícil: por cerca de 60 dias, eles mal saíram dos prédios. Depois, graças à pressão de familiares e amigos, foram conquistando algumas regalias: recebiam temperos e tinham um fogareiro elétrico, com o qual repaginavam a comida da prisão, e conseguiam fazer as refeições juntos.
Para se distrair, criaram uma rotina de atividades. Eles estudavam e alternavam momentos de silêncio e reflexão com atividades físicas, graças ao conhecimento em artes marciais de um dos detidos.
Ao sair, o baque. Era difícil retomar os estudos, porque muitas faculdades não os aceitavam. Não conseguiam trabalho, porque haviam sido presos. Mas, mesmo com adversidades, conseguiram refazer a vida antes do fim do regime. “Alguma coisa mudou no mundo e principalmente no Brasil depois disso tudo. Nossa luta não foi em vão”, diz Villar.
Depoimentos
Um mandado para se formar
João Bonifácio Cabral Junior, 66 anos
Quando foi preso, em 1968, João Bonifácio Cabral Junior era o presidente do diretório acadêmico de Direito da Universidade Católica. Ele tinha 22 anos, foi condenado a 4 anos de reclusão, mas ficou apenas um ano e meio preso. Quando saiu da detenção, voltou para a faculdade e terminou o curso de Direito. “Três dias antes da minha formatura, recebi um telegrama do Ministério da Educação que cassava minha colação”, lembra. Ele repetiu o ano e para se formar, teve de entrar com um mandado para garantir a colação de grau. “Quando volto aqui [no presídio do Ahú], sinto um pouco de orgulho, porque consegui tocar a vida”, diz.
Vivendo na clandestinidade
Dacio Villar, 68 anos
Quando saiu da prisão, em 1970, Dacio Villar não tinha para onde ir. Sua matrícula na faculdade foi recusada, ele foi proibido de voltar a Casa do Estudante Universitário, onde vivia, e não tinha emprego. Villar decidiu voltar para Londrina, no Norte do Paraná, onde vivia sua família, mas não pode ser recebido: os familiares foram ameaçados com prisão caso o aceitassem de volta. “Fui para São Paulo, onde vivi na clandestinidade. Comecei a ser caçado pelos militares e fugi”, lembra. Ele rodou o Brasil por seis meses, passando pela Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde se estabeleceu e formou família. “Não mudei de nome, mas criei outra identidade. Fui mais privilegiado que outros, que não tiveram a mesma sorte de escapar”, diz.
A ordem é jubilar
Elisabeth Fortes, 67 anos
Elisabeth Fortes demorou três anos para conseguir retomar o curso de jornalismo na UFPR depois que saiu da prisão. A matrícula era constantemente negada porque a faculdade alegava que ela ainda era uma liderança do movimento estudantil e não poderia voltar. “No terceiro ano que tentei, fui aceita. Fiquei mais dois anos e uma das professoras me mandou transferir o curso para a Católica porque a ordem era de me jubilar”, diz. Depois de formada, veio a luta para conseguir um emprego. Custou a ser aceita, por causa da prisão. Ela começou a trabalhar no Canal 4, quando ainda era o afiliado da Rede Globo, por intervenção de um professor. “Ele disse eu me conhecia e se responsabilizaria por mim. Achei um ato tão bonito e gentil”, diz.
“Desculpe, foi engano”
Elisabeth Fortes, 67 anos, e Dácio Villar, 68 anos
No período em que ficaram presos, Elisabeth Fortes e Dacio Villar não foram torturados. A violência e agressividade do regime se voltaram contra a irmã de Elisabeth, uma estudante secundarista de 18 anos, que não tinha qualquer ligação com os movimentos contra a ditadura. “Minha irmã foi violentamente torturada. Depois de uma semana a devolveram e pediram desculpa, dizendo que tinham se enganado”, conta.
Dacio, que não tinha família em Curitiba e era próximo de Elisabeth, se emocionou ao lembrar de um relato da amiga, que considera emblemático. “Ela conta que quando tiraram sua roupa e a penduraram pelos punhos a primeira vez ela pensou: desmaio ou morro. Isso foi brutal, mas era a única decisão a ser tomada quando se entrava na tortura”, diz.
“Ela era linda, uma bonequinha”, conta Elisabeth. Sua irmã teve sessões de tortura com pau de arara e choques elétricos. “Eles a colocaram em um helicóptero e levaram para as Cataratas. Ameaçavam jogá-la se ela não falasse, mas ela não tinha nenhum envolvimento. Isso é imperdoável”, afirma.

Ampliação do Aeroporto Afonso Pena fica para o ano que vem


Henry Milleo/Gazeta do Povo / Atualmente estão em execução no Afonso Pena as obras de expansão do pátio de aeronaves e do terminal de cargasAtualmente estão em execução no Afonso Pena as obras de expansão do pátio de aeronaves e do terminal de cargas
AVIAÇÃO

Ampliação do Aeroporto Afonso Pena fica para o ano que vem

Infraero revê cronograma e admite que terminal continuará em obras durante a Copa de 2014. Atraso se deve a cancelamento de licitação.
Sinal de alerta
Representantes da área de turismo estão preocupados com o atraso nas obras de ampliação do aeroporto:
“Queremos que o hóspede tenha uma experiência agradável desde o momento em que pisar na nossa cidade. Qualquer atraso nas obras já previstas é prejudicial, pois a ampliação do terminal de passageiros e outras intervenções são cada vez mais urgentes.”
Henrique Lenz César Filho, presidente da Associação Brasileira de Hotéis no PR.
“Atualmente, o aeroporto já conta com diversos problemas, que podem ser agravados durante a Copa. Nossa preocupação não é apenas com o período da Copa e sim com o dia a dia das operações do aeroporto, que afeta toda a nossa cadeia turística.”
Celso Tesser, presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens no PR.
Tribunal de Contas
Todas as 12 obras do PAC da Copa na Grande Curitiba estão atrasadas
O atraso na ampliação do terminal de passageiros do Afonso Pena não é a única preocupação de autoridades e entidades­­ do setor quanto às obras de infraestrutura previstas para o Mun­­­­dial de Futebol de 2014. Um relatório elaborado pela Co­­mis­­são de Fiscalização da Copa 2014 do Tribunal de Contas do Es­­tado do Paraná (TCE) revela que todas as 12 intervenções de mobilidade urbana previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Co­­pa pa­­ra Curitiba e Região Me­­tro­­politana estão atrasadas.
Em si­­tu­­ação semelhante à do aeroporto, as obras do Cor­­re­­dor Aeroporto/Ferroviária, de re­­vitalização da Avenida Ma­­rechal Floriano e do Corredor Metropolitano não têm todos os projetos concluídos e estão ameaçadas de não ficarem prontas até a Copa.
Não bastasse o risco de atrasos, o custo total das obras prati­­ca­­men­­te dobrou desde que governo e prefeitura assinaram a Matriz de Responsabilidade do evento, em 2010. Na época, a estimativa chegava a R$ 581 milhões, incluindo a reforma da Are­­na da Baixada. Segundo o le­­vantamento do TCE, o montante necessário agora pode chegar a R$ 982,1 milhões – sem contar eventuais aditivos. (RW)
580,7
mil passageiros por mês foi o mo­­vi­­mento médio registrado ano pas­­sado no Aeroporto Afonso Pena. O nú­­me­ro coloca o terminal na 8ª co­­lo­­cação do ranking de via­­jan­­tes transportados nos 12 aero­­portos da Copa de 2014. A efeito de comparação, o Aero­porto de Gua­­ru­lhos (SP) recebeu, em média, 2,5 milhões de passageiros por mês no mesmo período.

Prevista inicialmente para começar neste mês, a ampliação do terminal de passageiros do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, deve ter início somente em 2013, no fim do primeiro semestre. A mudança no cronograma fará com que o terminal aéreo continue em obras durante a Copa de 2014, em junho, quando 160 mil turistas estrangeiros chegarão à cidade.
A Matriz de Respon­sa­bi­lidades assinada em 2010 entre governo do estado, município e União, visando à preparação para a Copa, chegou a prever o começo das obras que vão dobrar a capacidade de passageiros atendidos no Afonso Pena para janeiro deste ano. No entanto, a intervenção depende de uma nova licitação para escolher a empresa responsável tanto pela elaboração do projeto quanto pela execução da obra – o processo se dará por meio do Regime Diferenciado de Contratação (RDC), que permite que uma mesma empresa assuma as duas etapas.
A licitação anterior, lançada no início do ano passado, foi vencida pela empresa gaúcha Beck de Souza Engenharia Ltda, que receberia R$ 2,1 milhões pelos projetos básico e executivo. Mas, segundo a Infraero, a decisão de rever as projeções de ampliação previstas no edital obrigou à anulação desta concorrência e o lançamento de uma nova. Questionada pela reportagem, a empresa não informou até o fechamento da edição se a Beck chegou a receber algum pagamento pelo contrato.
Mesmo com o atraso, a Infraero garante que as principais modificações previstas – como o aumento do número de balcões de check-in e esteiras de bagagem – estarão concluídas até dezembro de 2013. Segundo o superintendente da Infraero em Curitiba, Antonio Pallu, a continuidade das obras ao longo de 2014 não vai afetar os usuários durante a Copa. “Consideramos isso dentro de uma certa normalidade. O projeto é grandioso e é como se estivéssemos construindo um novo terminal”, afirma.
A previsão é que o novo edital seja lançado ainda neste mês para contratação em dezembro. Assim, a empresa vencedora terá o primeiro semestre de 2013 para elaborar os projetos antes da execução.
Pouco tempo
Para José Ricardo Vargas de Faria, diretor do Sindicato dos Engenheiros do Paraná e professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná, a demora na conclusão das etapas preliminares deixa pouca margem para eventuais atrasos na execução da obra.
O conselheiro do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) e ex-controlador de voo do Afonso Pena Meron Kovalchuk confessa um certo ceticismo. “Haverá praticamente um ano para se fazer a ampliação antes da Copa. Não vai ficar pronta a tempo.”