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sábado, 3 de março de 2012

Mistério inca

Ciência

Rodrigo Buendia/AFP
Rodrigo Buendia/AFP / Um dos locais do sítio arqueológico inca descoberto pela pesquisadora Tamara Estupiñan e que pode abrigar a última morada do imperador Atahualpa Um dos locais do sítio arqueológico inca descoberto pela pesquisadora Tamara Estupiñan e que pode abrigar a última morada do imperador Atahualpa
Arqueologia

Mistério inca

Pesquisadora equatoriana descobre sítio arqueológico onde afirma estar o túmulo de Atahualpa, imperador executado pelos colonizadores espanhóis
Publicado em 03/03/2012 | AFP

Muito procurado, mas nunca descoberto, o túmulo de Atahual­­pa, o último imperador inca, se mantém no centro de muitas es­­peculações ao longo dos anos. Ago­­ra, porém, o enigma parece ter sido desvendado no Equador, bem no meio dos Andes.
Fortalezas, palácios e santuários do antigo império pré-colombiano se espalham na região de Sigchos, a 70 quilômetros ao sul de Quito, no sopé ocidental da cordilheira, e seus segredos ainda são numerosos.
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Creative Commons  / Ilustração do imperador Atahualpa Ampliar imagem
Ilustração do imperador Atahualpa
História
Civilização se estendeu da Colômbia ao Chile
A civilização inca construiu um império que dominava regiões desde o sul da Colômbia, todo o Peru e a Bolívia, até o noroeste da Argentina e o norte do Chile. A capital era a atual cidade de Cusco (em quíchua, “Umbigo do Mundo”), no Peru. O império abrangia diversas nações e mais de 700 idiomas diferentes, sendo o mais falado o quíchua.
A civilização inca, segundo muitos diversos pesquisadores, foi o resultado de uma sucessão de culturas andinas pré-colombianas, com seu auge no período entre o ano 1200 e a invasão dos conquistadores espanhóis, em 1500. O fim do império se deu com a execução do imperador Atahualpa, em 1533.
Os incas desenvolveram técnicas de irrigação, de construção (com deslocamento e cortes de pedras até hoje desconhecidos), criaram notação numérica (quipos) e códigos de comunicação.
A historiadora equatoriana Ta­­mara Estupiñan aposta que des­­vendou um desses mistérios, localizando, em junho de 2010, após dez anos de trabalhos, um “sítio arqueológico inca” não mui­­to longe do legendário vulcão Cotopaxi.
Para a pesquisadora, do Ins­­tituto francês de Estudos Andinos (Ifea), ninguém duvida que neste amontoado de pedras, junto às margens do rio Machay, no território Malqui, se esconda a última morada de Atahualpa.
“Machay significa gruta, santuário e Malqui, corpo ou múmia de um ancestral, no idioma do povo histórico. Então, Malqui Ma­­chay significaria o local onde foi enterrado seu corpo”, explica ela, recorrendo à linguística.
A hipótese toma cada vez mais corpo, com a descoberta de um monumento arquitetural composto de várias salas retangulares, construído com pedras talhadas e polidas. A entrada da cidade desemboca num “ushno”, espécie de pirâmide truncada onde ficaria o trono do imperador.
Último Tupac, ou imperador do império inca, domínio que se espalhou pela Colômbia atual até o Chile e a Argentina, Atahualpa foi executado pelos colonizadores espanhóis em 1533, mas sua múmia nunca foi encontrada.
O terreno, antes sagrado, pertence atualmente a um criador de galos de briga, uma tradição lo­­cal. E alguns gostam de destacar as coincidências da história. Con­­ta a lenda, por exemplo, que um galo se pôs a cantar após a morte de Atahualpa.
Conservação
As autoridades também di­­zem acreditar na tese da descoberta do túmulo do último rei dos incas, tanto que declararam o lo­­cal zo­­na protegida de escavações futuras. O diretor do Instituto Francês de Estudos Andinos (Ifea), Geor­­ges Lomné, compartilha a certeza da arqueóloga equatoriana, lembrando que o território fazia parte do “domínio pessoal” de Ata­­hual­­pa.
Quanto à sua múmia, “é possível que tenha passado por aí ou tenha permanecido um tempo no santuário”, disse Lomné.
“É uma descoberta capital na história da arqueologia do Equa­­dor e da região”, emenda a ministra equatoriana do Patrimônio, Maria Fernanda Espinosa.
A arqueóloga americana Ta­­mara Brau, da Universidade Way­­ne State no Michigan, que participa também das pesquisas de Sig­­chos, é outra que demonstra estar convencida. “O sítio apresenta um estado de conservação fenomenal, além de possuir uma importância científica considerável”, disse ela.
No local, apenas o proprietário da criação de galos, Francisco Moncayo, mostra-se ainda cético, apesar do entusiasmo geral. “Ta­­mara também recorre à linguística, frisando que Malqui é a mú­­mia do imperador e que Machay é um local de repouso. E como a múmia de Atahualpa nunca apareceu, pode ser que ainda esteja lá ... ou não”, insinua.
As descobertas despertam, em todo o caso, o interesse da comunidade científica internacional. Também interessado, o Instituto Nacional do Patrimônio Cultural do Equador se prepara para fi­­nanciar novos estudos, a partir deste ano. Estes deverão, enfim, revelar, o que esconde verdadeiramente Malqui Machay.

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