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Professor de Língua Portuguesa na Rede Estadual de Ensino - Governo do Paraná

quarta-feira, 8 de março de 2017

Crônica em sala de aula

Amor além da vida
        Carinhosa, bondosa e gentil, eram as características da Glaci. Nunca ficava quieta, sempre fazia alguma coisa, como lavar roupas, limpar a casa ou capinar o quintal. Nunca vou esquecer, que todas as noites nós jogávamos baralho, se não era jogo, eram histórias de antigamente, sempre com meus outros primos: Diego, Kaluf, Stephani, Carolina e Junior. Meus primos, também gostavam de jogar baralho com a nossa avó, mas era para decidir quem iria lavar a louça, arrumar a cama, varrer o chão, tirar o pó, enfim, tudo sempre era decidido de uma forma divertida. Glaci, não ganhava muito com sua aposentadoria, mas mesmo assim, quando algum de seus netos precisava de algo, ela sempre dava um jeitinho.          Ela era mais que uma avó para mim, era uma segunda mãe. Meus pais viviam trabalhando e a única que me aguentava era avó. Quando eu era pequena, avó foi a que mais me ajudava com a lição de casa, apesar de não lembrar muito do seu tempo de escola, mesmo assim não importava como, ela sempre me ajudava.
            Quando a perdemos foi um choque para todos. Eu lembro como se fosse hoje o dia que ela teve um AVC, foi em uma quinta-feira, eu estava na escola, quando cheguei em casa, vi tudo fechado, a princípio achei que ela tinha saído, vi a porta entre aberta, achei estranho. Quando entrei em casa, encontrei-a desmaiada no chão, com meus pais ausentes, logo lembrei que poderia ligar para o serviço da minha mãe, sem pensar duas vezes, pulei a janela da minha casa, que fica ao lado, porém não sabia como explicar o que estava acontecendo. Eu estava tão assustada de presenciar minha avó no chão, desacordada. Minha mãe me orientou a pedir ajuda da minha madrinha, nossa vizinha. Corri até lá para me ajudarem. Logo ao voltar, vi meu tio Sanderson, irmão de minha mãe, tirando-a do chão e conduzindo-a rapidamente até o hospital. Ao chegarem lá, as enfermeiras foram tão egoístas que deixaram minha avó em uma maca qualquer e simplesmente disseram que não tinha vaga para ela, e saíram. Meu tio ficou muito brabo e foi falar com o médico responsável, ele falou que iria tentar transferi-la, também disse que ligaria para vir buscá-la, mas ao invés disso, foi tomar café. Meu tio novamente se revoltou e ele mesmo ligou para a ambulância e passou o telefone para o médico dizer as informações necessárias para a transferência.
            Minha avó ficou lutando por dois dias, mas eles disseram que se ela acordasse ficaria em estado vegetativo. Quando meu pai veio me buscar na casa da minha madrinha, ele disse que no momento ela estava nas mãos de Deus, por um fio de ir embora. Naquele momento, senti o mundo desabar em cima de mim, que eu nunca mais teria uma companheira para jogar comigo a noite, não mais iria ouvir as histórias que ela contava. Culpei-me por tê-la deixada sozinha naquele dia, pois estava chovendo muito e eu insisti para ir à aula, mesmo assim, na época eu não compreendia bem o que acontecera, mas agora eu consigo compreender tudo o que aconteceu.
            Em nossas infinitas conversas, eu vivia dizendo que ela cuidaria de mim, e quando eu tivesse idade, eu cuidaria dela.

            Infelizmente ela não vai ter a chance de me ver crescer. Agora só nos resta passar adiante todos os ensinamentos que ela deixou a seus filhos, a mim e aos meus primos. Teremos sempre a presença dela em nossos corações e enquanto nós seguirmos o seu legado ela viverá para sempre conosco.

Col. Est. Ambrósio Bini 9 B 2016

Um comentário:

Anônimo disse...

Lindo, e emocionante crônica!