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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

DENUNCIADA PELA PF Ibama multa Sanepar em R$ 38 milhões por poluição


OPERAÇÃO ÁGUA GRANDE

Jonathan Campos/Gazeta do Povo
Jonathan Campos/Gazeta do Povo / Águas do Iguaçu ficam mais sujas após passarem pela Estação de Tratamento Belém, na capitalÁguas do Iguaçu ficam mais sujas após passarem pela Estação de Tratamento Belém, na capital
CRIME AMBIENTAL

Polícia indicia a cúpula da Sanepar por causa de poluição no Rio Iguaçu

Investigação conclui que esgoto não tratado pela companhia polui o principal rio do Paraná. Ibama multa a empresa em R$ 38 milhões.
Opinião
Expedição pelo Iguaçu em 2011 revelou tragédia ambiental
João Rodrigo Maroni, editor do projeto Águas do Amanhã e da Gazeta do Povo
Entre as inúmeras iniciativas desenvolvidas pelo projeto Águas do Amanhã [2010 a 2011] para conscientizar os paranaenses sobre a importância de se preservar o principal rio do estado, a mais marcante foi a expedição que percorreu, de carro e de barco, os principais trechos do Iguaçu – de Curitiba a Foz. Embarquei juntamente com outros colegas de imprensa e técnicos da UFPR em uma jornada de cinco dias, em abril do ano passado.
Durante a expedição, coletamos amostras de água para avaliação técnica. O resultado que a sonda mostrava apenas reiterava o que nossos olhos e narizes sentiam. Na região de Curitiba, o Iguaçu é um rio morto. E fede como tal. Quase não há peixes. Os poucos corajosos que resistem, precisam respirar junto à lâmina d’água, onde o pouco oxigênio que sobra se concentra. Uma das medições ocorreu em um ponto logo abaixo de onde a estação de tratamento de esgoto Cachoeira, da Sanepar, em Araucária, despeja o efluente teoricamente tratado. O índice de oxigênio dissolvido na água ali é de 2,6 miligramas por litro (mg/l), quando o ideal é de, no mínimo, 5 mg/l. Outros fatores que indicam poluição, como a concentração de clorofila, nitrato e a turbidez da água, também estavam altos naquele ponto e em outros dentro da Região Metropolitana de Curitiba.
É bom lembrar, no entanto, que a poluição do Iguaçu tem origem complexa. Vem do lixo jogado direta ou indiretamente no rio, de esgotos clandestinos – mesmo quando há rede de coleta disponível – e até do desmatamento das margens provocado pela ocupação desordenada, além, claro, do tratamento ineficiente do esgoto coletado.
A boa notícia é que o Iguaçu, ao longo de seu trajeto natural até as soberbas Cataratas, ainda tem a capacidade de se autorregenerar. Por quanto tempo não sabemos. Para quem vive nos arredores de Curitiba, sobrou conviver com o desastre ambiental, o risco de doenças, o mau cheiro e a vergonha de viver em uma sociedade que deu as costas para seu maior patrimônio natural. Puxou a descarga e deixou para lá.
Repercussão
Ministério Público Estadual vai investigar se Sanepar lesa consumidor
Diego Antonelli
O Ministério Público (MP) do Paraná vai instaurar inquérito civil público para investigar a prestação de serviços da Sanepar. O procedimento visa a apurar se a companhia cobra dos consumidores pelo tratamento de esgoto, mas não executa os serviços, conforme denunciado pela Polícia Federal.
A Sanepar atende 345 dos 399 municípios do Paraná. A companhia informa em seu site oficial que 6 milhões de pessoas são atendidas com o tratamento de esgoto, somando mais de 1,5 milhão de ligações em todo o estado. Isso significa que aproximadamente 60% dos 10,5 milhões de paranaenses contam com o serviço da empresa. A Sanepar ainda relata que o índice de tratamento dos resíduos chega a até 99,4%. O custo de manutenção dos equipamentos gira em torno de R$ 1 bilhão ao ano.
O procedimento investigatório é de autoria dos promotores de Defesa do Consumidor de Curitiba Maximiliano Ribeiro Deliberador e Michele Rocio Maia Zardo.

  • Águas do Amanhã
Confira vídeos, fotos e dados da expedição pelo Rio Iguaçu no site do projeto Águas do Amanhã.

A poluição do principal rio do Paraná salta aos olhos, agride as narinas e agora foi comprovada por três importantes laboratórios em uma investigação da Polícia Federal (PF) em parceria com o Ibama. A água que sai das estações de tratamento de esgoto da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) e também amostras recolhidas antes de passarem pelas unidades foram analisadas e revelaram que dejetos não tratados estão sendo despejados no Rio Iguaçu. Os dados embasaram a operação policial “Água Grande” (tradução da palavra indígena Iguaçu) e resultaram em uma multa de R$ 38 milhões à empresa aplicada pelo Ibama.
Trinta pessoas da cúpula da companhia foram indiciadas pela PF por crimes ambientais e também por delitos como estelionato – já que a companhia estaria cobrando por um serviço que não é efetivamente prestado. “A Sanepar é uma empresa de fachada”, declarou o delegado Rubens Lopes da Silva, responsável pela investigação.
Sete pessoas foram presas em flagrante – seis motoristas de caminhões do tipo limpa-fossa, que estavam despejando esgoto, e o responsável pela Estação de Tratamento de Esgoto do Belém, em Curitiba.
Apesar de a investigação ter começado em 2008, apenas os atuais diretores da Sanepar foram indiciados, entre eles o diretor-presidente, Fernando Ghignone, licenciado do cargo desde o mês passado. As amostras que comprovariam as irregularidades foram colhidas em 2011 e 2012. A partir dos documentos apreendidos ontem, a PF vai decidir se também indicia ex-gestores da Sanepar. A Justiça autorizou 30 mandados de busca e apreensão em 19 cidades do Paraná. Foram recolhidos relatórios sigilosos, que agora serão analisados. Documentos pedidos pelo Ibama e não repassados pela Sanepar resultam em multas diárias de R$ 20 mil à companhia desde 2009.
Estudo técnico
Outros levantamentos, como os feitos pelo Tribunal de Contas do Estado e pela Agência Nacional de Águas, já haviam indicado alto nível de poluição por esgoto no Rio Iguaçu. O destaque, desta vez, é a análise química feita por laboratórios da Universidade de Campinas (Unicamp), da empresa Tasqa e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). De acordo com os relatórios, a água tem mais qualidade antes de passar ao lado da estação e piora assim que recebe os despejos da Sanepar. De acordo com o dicionário, sanear significar tratar, reparar, mas o esgoto tratado pela empresa estaria poluindo o rio. Todas as 225 estações da Sanepar no estado estariam atuando de forma irregular e 20% seriam clandestinas, ou seja, funcionariam sem licença ambiental.
Os argumentos da PF foram aceitos pelo Ministério Público e pela Justiça Fe­derais. A procuradora Mônica Bora e a juíza Pepita Durski Tramontini entenderam que havia indícios suficientes da prática de crimes apontados pela investigação. O rio foi observado de cima, por helicóptero, das margens, por expedições a pé e de carro e, diretamente no leito, de barco. A apuração concluiu, baseada em dados próprios e outros estudos, que cerca de 80% da poluição do Iguaçu é decorrente de esgoto doméstico. Aproximadamente 13% seriam resultado de dejetos industriais. Além da companhia de saneamento, outros 180 suspeitos de degradarem o rio estão sendo investigados. “Contudo, a Sanepar é a maior poluidora”, disse o delegado.

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