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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Tatu-bola, o primeiro convocado


Animal tipicamente brasileiro é anunciado pela Fifa como a mascote para a Copa'2014. Ambientalistas veem indicação como bandeira para reduzir risco de extinção da espécie

CBF/DIVULGAçãO/AE
Um bicho tipicamente brasileiro, como a caatinga e o cerrado, seus habitats naturais, está confirmado pela Fifa como a mascote oficial da Copa’2014. O tatu-bola, coberto por uma carapaça formada de três cintas móveis – de onde vem seu nome científico, Tolypeutes tricinctus –, tem hábitos noturnos, não mais que 50 centímetros de porte e, num piscar de olhos, é capaz de se blindar diante de predadores. As semelhanças com peculiaridades do futebol e do anfitrião, Brasil, legitimam a escolha.

Apresentando em imagens preto e branco e em 3D no escritório europeu de patentes pela entidade maior do esporte bretão, o animal que promete se tornar o centro das atenções em todo o mundo daqui a menos de dois anos ainda não tem nome – será definido por meio de votação na internet, a exemplo da bola Brazuca.

A indicação chama a atenção para um problema grave: o risco de extinção da espécie. Foram as chances de levar adiante um plano de conservação para o bicho, além da óbvia semelhança do tatu com a pelota, que levaram a ONG cearense Associação Caatinga a sugerir a adoção do ícone ao Ministério do Esporte e o Comitê Organizador Local (COL), em fevereiro. Aprovado, o tatu-bola – que vive também nas regiões Nordeste e Noroeste de Minas Gerais – pode ganhar força para ser salvo. “Ele é uma espécie endêmica, que só existe no Brasil, e representará o país dando visibilidade à nossa fauna. A presença na Copa vai dar o devido destaque a um ser bastante particular, mas que está ameaçado por ser alvo de vários tipos de pressões humanas como a diminuição das áreas de mata e a caça”, alerta a biológa e coordenadora técnica da ONG, Liana Sena.

As características da carapaça, acrescenta a especialista, permitem que o bicho se defenda de animais, embora possa ser facilmente capturado pelo homem. ““É a única espécie capaz de se enrolar completamente, formando uma bola quando se sente ameaçada, mas se está protegido de predadores naturais, ao mesmo tempo fica vulnerável aos seres humanos.”

Fundação Biodiversitas
O tatuzinho é típico da caatinga e do cerrado, sendo encontrado também no Nordeste e Noroeste de Minas Gerais
Bandeira O tatu-bola se alimenta de cupins, formigas, frutas e aproveita tocas abandonadas de outros animais, em vez de escavar seu próprio buraco. Colocá-lo em foco é visto com bons olhos pelo professor do Departamento de Biologia Geral do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG Flávio Rodrigues. Para ele, o fato de existirem somente duas variações do animal no Brasil (a outra é a Tolypeutes matacus, comum no Pantanal, mas em maior número) poderá servir como alerta. “A escolha da mascote é mais uma bandeira que se levanta para mostrar a necessidade de conservação das espécies. A partir daí poderemos alavancar recursos e gerar a atenção necessária”, defende. Rodrigues acredita, porém, que grande parte da preocupação sobre o problema venha do exterior. “O tatu-bola é ainda menos conhecido fora do Brasil. Como nosso representante na Copa, ele vai se tornar uma causa em todo o mundo”, salienta.

Apesar do risco de ser extinto, não há registro de apreensões de tatu-bola capturado ilegalmente no estado, segundo levantamento do Ibama. Ele será a 13º mascote de Copas desde o leão Willie, do Mundial de 1966, na Inglaterra.

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